ARTIGO - Fim do hype: por que o varejo entrou na “era da execução”?

worldfashion • 19/02/26, 11:48

Por Tailan Oliveira*

Durante anos, as conferências de varejo pareciam roteiros de ficção científica. Nesses encontros, falava-se de robôs, metaverso e até mesmo entregas por drones. Entretanto, a NRF 2026 consolidou uma virada de chave silenciosa, mas de alto impacto: o hype morreu. Como destacou David Lawrence na abertura do evento: “Se não funcionou, aprendemos. Mas, ficar parado não era uma opção”.

Podemos afirmar que entramos oficialmente na era da execução. E, nesse novo cenário que se consolida, três pilares surgem como divisores de águas entre as empresas do setor que apenas sobrevivem e as que lideram.

São eles:

#1 A IA saiu da vitrine. Se em 2025 a Inteligência Artificial era uma promessa abstrata, em 2026 é algo puramente pragmático. O mercado não se interessa mais em saber o que a IA pode fazer, mas o que ela está entregando em casos reais de uso, como: otimização logística, redução drástica de rupturas de estoque e, principalmente, a IA Conversacional. Com o avanço do protocolo UCP (Universal Commerce Protocol), o consumidor está migrando sua preferência para assistentes inteligentes. Desta forma, se o dado do produto não for legível por uma máquina, a marca poderá deixar de existir para esse novo consumidor.

#2 A Reforma Tributária como catalisadora de eficiência. No Brasil, podemos afirmar que o motor de inovação veio direto de Brasília. A transição para o novo modelo tributário se tornou o teste definitivo para o varejo. Aqueles que ainda operam com dados fragmentados ou sistemas legados, certamente, sofrerão com a complexidade fiscal. Nesse cenário, o software de gestão como, por exemplo, o ERP deixou de ser uma ferramenta de suporte para se tornar o “escudo” para garantir a margem de lucro. Afinal, organizar dados e garantir o compliance em tempo real não se restringe apenas à burocracia, mas trata-se de estratégia competitiva.

#3 Consumo em “K” e a valorização humana. O cenário macroeconômico desenhou uma curva em “K”, na qual, de um lado, há o consumo impulsionado pela valorização de ativos e busca por experiências positivas; do outro, existe a constante luta pela eficiência no varejo. No meio desse fogo cruzado, nosso país tem uma “arma secreta”: o acolhimento. Desta forma, a grande lição para 2026 é que a tecnologia deve ser “invisível” para servir e empoderar o humano. Na prática, a IA deve dar munição para que o vendedor conheça o cliente tão bem quanto o algoritmo, mas com a personalização que só o atendimento presencial oferece.

Em 2026, o varejo deve ser pautado em dados com propósito. Ou seja, não basta digitalizar as operações em nuvem; é necessário ser autônomo. Da mesma forma, não basta apenas ter IA; é preciso ter margem. Até porque, na prática, o sucesso pertence às empresas que já entenderam que a inovação tecnológica só tem sentido quando traduzida em eficiência operacional e conexão humana real.

Como sinalizado por Lawrence, o hype acabou. Essa afirmação ganha ainda mais força ao olharmos a projeção do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) de que, até março, o setor tenha uma alta de 6,3% nas vendas no país. Mesmo em meio às sazonalidades, é importante enfatizar que o setor não está buscando mais promessas, mas a execução. Quanto a isso, a pergunta que deve ser feita não é sobre qual tecnologia comprar, mas o quão rápido é possível executá-la para proteger o negócio.

*Tailan Oliveira é CRO da ALFA a única consultoria SAP com expertise no varejo e que mais cresce no Middle Market nos últimos 6 anos. Com mais de 180 clientes ativos no Brasil e no exterior, uma equipe de 150 especialistas e 38 prêmios de excelência da SAP, a empresa se consolidou como parceira estratégica para organizações em expansão.

da redação com informações da InformaMidia

ARTIGO - Agenda da jornada de trabalho deve caminhar junto com produtividade e competitividade

worldfashion • 19/02/26, 10:22

Por Fernando Valente Pimentel*

O debate sobre a redução da jornada, que voltou à agenda nacional, merece ser tratado com a seriedade e a profundidade que um tema dessa magnitude exige. Trata-se de uma discussão importante que envolve qualidade de vida, saúde e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. No entanto, seus impactos ultrapassam a esfera social, pois alcançam diretamente a produtividade, a competitividade das empresas, a geração de empregos formais e o futuro do desenvolvimento econômico do País.

É importante lembrar que o Brasil não parte de um cenário de cargas horárias excessivamente elevadas. Dados recentes indicam que a jornada média efetivamente trabalhada situa-se pouco acima de 39 horas semanais, enquanto na indústria a média gira em torno de 40,2 horas. Ou seja, já existe, na prática, um nível significativo de acomodação decorrente de negociações coletivas, arranjos setoriais e organização produtiva das empresas.

Essa realidade reforça um ponto central: a diversidade econômica e produtiva brasileira torna inadequadas soluções uniformes e rígidas. Setores com operação contínua, forte sazonalidade ou elevada competição internacional, como a indústria têxtil e de confecção, apresentam dinâmicas distintas de atividades predominantemente administrativas ou de serviços. O mesmo se aplica às diferenças regionais, que refletem realidades econômicas, estruturais e sociais variadas.

Por essa razão, o melhor caminho para eventuais ajustes na jornada de trabalho não é a imposição legal uniforme, mas sim a negociação coletiva e os acordos entre trabalhadores e empregadores. Esse instrumento permite acomodar especificidades setoriais e regionais, preservar empregos e garantir soluções equilibradas entre produtividade, competitividade e bem-estar dos trabalhadores. A experiência brasileira demonstra que, quando há espaço para negociação, surgem soluções criativas e sustentáveis.

Outro aspecto essencial é reconhecer que reduções sustentáveis da jornada de trabalho, observadas em economias avançadas, ocorreram em contextos de aumento de produtividade, modernização tecnológica e reorganização dos processos produtivos. Quando a redução ocorre sem ganhos correspondentes de eficiência, o resultado tende a ser o aumento do custo por unidade produzida, perda de competitividade, informalidade e retração do emprego formal.

Nesse contexto, causa preocupação que propostas de redução da carga semanal de trabalho e extinção do regime 6×1 avancem sem que se inclua, na mesma medida, a discussão sobre a mitigação do “Custo Brasil” e dos encargos que incidem sobre o emprego formal. Os ônus do trabalho no País permanecem elevado quando considerados tributos, encargos sociais, energia e custos logísticos e do capital. Alterações que elevem o valor unitário da produção sem enfrentar esses fatores estruturais tendem a penalizar a indústria, estimular a informalidade e ampliar a substituição por importados.

Além disso, uma discussão com impactos estruturais sobre o custo do trabalho, a organização produtiva e a competitividade nacional não deve ser conduzida de maneira açodada, especialmente em períodos eleitorais. Temas dessa relevância exigem análise técnica aprofundada, diálogo amplo com os setores produtivos e avaliação criteriosa de seus efeitos sobre crescimento econômico, inflação, investimento e geração de empregos de qualidade.

O Brasil precisa avançar no seu desenvolvimento e, com isso, proporcionar maior bem-estar à sociedade. Mas, esse avanço, para ser sustentável, deve caminhar junto com produtividade, inovação e competitividade. A negociação coletiva, o respeito às diferenças setoriais e regionais e a construção gradual de soluções efetivas representam o caminho mais seguro para equilibrar esses objetivos.

Tratar esse tema com responsabilidade é garantir que o País avance socialmente sem comprometer sua capacidade de produzir, competir e gerar oportunidades para milhões de brasileiros.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Programa de Trainee 2026

worldfashion • 18/02/26, 11:03

A iniciativa da empresa, TEXNEO, sediada em Indaial (SC), é voltada a jovens profissionais formados entre 2023 e 2025 que desejam iniciar a carreira em um ambiente humano, inovador e orientado ao aprendizado prático.

Com presença consolidada nos segmentos Sportswear, Beachwear, Underwear e Lifewear, a TEXNEO é reconhecida pelo uso de tecnologias próprias e pela qualidade de suas malhas. A companhia combina tradição e modernidade na criação de produtos voltados ao desempenho e ao conforto, acompanhando as principais tendências do mercado têxtil nacional e internacional.

“O Programa de Trainee Texneo foi pensado para pessoas que queiram aprender com responsabilidade, ter acesso direto às lideranças e desenvolver uma visão estratégica do negócio. Não buscamos apenas colocar profissionais no mercado; buscamos formar talentos que cresçam com a Texneo”, afirma o CEO Edmur Polli, executivo com mais de 40 anos de carreira no setor têxtil.

Formação prática e visão de negócio

Com suporte de uma consultoria especializada de São Paulo, Programa de Trainee Texneo inclui rotação por áreas estratégicas, mentoria com líderes e diretores da companhia, participação em projetos reais de impacto e vivência em uma cultura organizacional pautada pela inovação, sustentabilidade e desenvolvimento humano.

O programa é voltado a formados a partir de 2023, com perfil analítico e interesse em operação industrial, nas áreas de Engenharia Química, Engenharia Têxtil, Engenharia de Produção, Engenharia de Qualidade, Moda (com foco em pesquisa, mercado e desenvolvimento de produto com viés industrial), Marketing ou áreas correlatas.

Entre os pré-requisitos estão inglês em nível intermediário ou avançado, habilidade com raciocínio lógico, análise de dados e disponibilidade para atuação presencial na planta industrial de Indaial (SC). As inscrições para o Programa de Trainee 2026 da Texneo já estão abertas e podem ser realizadas por meio do site oficial da empresa.

“A Texneo cresceu muito nos últimos anos, ampliando sua presença global e sua capacidade de inovar — e isso se reflete na nossa maneira de pensar o desenvolvimento de pessoas e a sustentabilidade do negócio. O trainee já chegará aqui para integrar um projeto de futuro”, complementa o executivo.

As inscrições para o Programa de Trainee Texneo estão no site https://lp.texneo.com/programa-trainee

Para formados a partir de 2023, com perfil analítico e interesse em operação industrial, nas áreas de Engenharia Química, Engenharia Têxtil, Engenharia de Produção, Engenharia de Qualidade, Moda (com foco em pesquisa, mercado e desenvolvimento de produto com viés industrial) e Marketing ou áreas correlatas.

Sobre a Texneo - com três décadas de atuação possui certificações que reforçam práticas seguras e sustentáveis em toda a cadeia produtiva, como I-REC e RCS, ABVTEX, OEKO-TEX, Green Fiber e ZDHC, além de figurar por cinco anos consecutivos entre as empresas certificadas pelo Great Place to Work. Inovação, vanguarda e transparência fazem parte do DNA da companhia, que traduz em seus produtos as principais tendências globais do mercado têxtil.

A atuação da empresa é fortemente conectada ao esporte, à tecnologia e ao design funcional. Parcerias recentes com marcas globais reforçam a prioridade do mercado por matérias-primas que aliem inovação, durabilidade e adaptabilidade ao corpo, atendendo tanto às demandas de alta performance quanto ao uso cotidiano.

da redação com informações da Oficina das Palavras

MATÉRIA PRIMA - INCOFIOS

worldfashion • 05/02/26, 16:13

Na base da produção da indústria têxtil o movimento inicial está na fiação, responsável por ditar o ritmo inicial da produção.

A Incofios, com sede em Indaial (SC), tem respondido ao novo comportamento do consumo, por meio de ajustes contínuos nos processos industriais, na gestão de prazos e na organização das plantas produtivas, sempre com atenção rigorosa à padronização e à qualidade dos fios.

A empresa opera com cinco plantas produtivas no Brasil e atua exclusivamente na produção de fios 100% algodão, o que exige controle técnico constante e alto nível de previsibilidade industrial para atender tecelagens e confecções em diferentes regiões do país.


“O mercado têxtil exige hoje uma resposta muito rápida, mas não aceita variação de qualidade. O desafio está justamente em manter a consistência do fio mesmo com prazos cada vez mais apertados”, afirma o diretor Industrial da Incofios, Edson Augusto Schlogl. “Isso passa por planejamento, integração entre áreas e investimento constante em processos”, complementa.

Nos últimos anos, a companhia intensificou o uso de sistemas de gestão industrial, produção enxuta e programas internos de melhoria contínua. Entre as iniciativas adotadas estão o uso de impressoras 3D para desenvolvimento e ajustes de componentes internos, a ampliação do uso de algodão certificado e rastreável e a padronização de processos que reduzem variações ao longo da produção. O objetivo é minimizar gargalos, antecipar demandas e tornar a tomada de decisão mais rápida e precisa dentro do ambiente fabril.

Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla da indústria, na qual o comportamento de consumo passa a influenciar diretamente o chão de fábrica. A busca por prazos menores, séries produtivas mais dinâmicas e menor margem para erro faz com que as fiações assumam um papel cada vez mais estratégico na cadeia têxtil.


“Hoje, não se trata apenas de produzir mais rápido, mas de produzir de forma previsível. A indústria precisa entregar exatamente o que foi especificado, no tempo combinado, porque toda a cadeia está mais ajustada e com menos margem para retrabalho”, finaliza Schlogl.

A qualidade dos fios, desde a escolha da matéria-prima até o processo de fiação, impacta diretamente a performance dos tecidos. A Incofios lidera esse processo com inovação, sustentabilidade e alto padrão técnico.

Quando se trata de qualidade têxtil, os fios desempenham um papel fundamental, embora muitas vezes sejam invisíveis aos olhos do consumidor final. Eles são essenciais para a resistência, elasticidade e caimento dos tecidos, impactando diretamente a durabilidade e o conforto dos produtos. Por isso, a escolha da matéria-prima e do fornecedor é fundamental nesse processo.

Segundo a Technavio, empresa especializada em pesquisas de mercado, a cadeia global de tecidos sustentáveis deve crescer em torno de 8,6% ao ano entre 2024 e 2029, impulsionado pelo aumento da demanda por produtos eco friendly e pela maior conscientização sobre impactos ambientais na indústria têxtil.

Diferenças entre fios

Fios de algodão, lã, poliéster, nylon e outras fibras naturais ou sintéticas têm características distintas que afetam diretamente o desempenho do tecido. O algodão, por exemplo, é amplamente reconhecido por sua maciez, respirabilidade e durabilidade, sendo ideal para produtos que exigem conforto e frescor, como camisetas, vestidos, jeans, peças infantis e até itens domésticos, como roupas de cama e toalhas. Já os fios sintéticos, como o poliéster, são mais indicados para tecidos que necessitam de elasticidade e resistência, características essenciais em produtos como roupas de alto desempenho e tecidos com grande flexibilidade, como moda fitness ou praia. A escolha do fio adequado é, portanto, essencial para garantir que o tecido atenda às especificações de cada aplicação.

Além da escolha da matéria-prima, o processo de fiação também é determinante para a qualidade do produto final. Cuidados técnicos, como o controle da temperatura, da umidade e o alinhamento das fibras, são essenciais para garantir que o material final seja forte e uniforme, como explica o Gerente Industrial da Incofios, Daniel Bodnar. “A qualidade do fio é o que garante a performance do tecido, mas investir em um processo de fiação rigoroso é investir em durabilidade, resistência e em um acabamento superior”, garante.

A Incofios, que é especializada em fios 100% algodão, tem como compromisso a produção de fios que garantem a performance superior do tecido. Por isso, a empresa adota um controle de qualidade rigoroso, assegurando que seus fios atendam aos mais exigentes padrões. Além disso, também investe continuamente em tecnologias avançadas e em práticas sustentáveis para aprimorar seu processo de fiação. Isso garante que seus fios não apenas atendam às necessidades do mercado, mas também superem as expectativas dos clientes em termos de durabilidade, acabamento e conforto. A empresa também faz uso de algodão certificado, através dos programas SouABR e Better Cotton Initiative (BCI), alinhando suas práticas à sustentabilidade e às melhores práticas ambientais.

“A Incofios se posiciona como referência no setor têxtil, fornecendo fios que são fundamentais na fabricação de tecidos utilizados em diversos segmentos, como moda, cama, mesa e banho e aplicações industriais”, destaca Bodnar. .

“O algodão continua sendo uma das principais matérias-primas da indústria têxtil, e sua qualidade está intimamente relacionada às características da fibra utilizada na produção dos fios. Entre os diversos fatores que afetam o desempenho e a durabilidade dos produtos finais, o comprimento da fibra é um elemento essencial para garantir resistência, uniformidade e eficiência no processo produtivo”. afirma Lais Bergo Amaral - Supervisora de Qualidade da Incofios

No setor têxtil, as fibras de algodão mais longas resultam em fios mais homogêneos, com menor propensão a rompimentos e menor formação de pilling – fatores que, sem dúvida, impactam diretamente a qualidade dos tecidos. O comprimento da fibra influencia toda a cadeia produtiva. Quanto maior a extensão da fibra, melhor a resistência do fio e, consequentemente, a durabilidade e o toque dos tecidos. Isso é um aspecto fundamental que observamos diariamente na  rotina  de qualidade.

O mercado têxtil classifica as fibras de algodão em três categorias principais, cada uma com aplicações específicas. As fibras curtas, com menos de 21 mm, geralmente resultam do processo de limpeza do algodão em pluma e são utilizadas em produtos mais rústicos, como fios grossos para capas de fardos de algodão, panos de prato e chão, tapetes e até em insumos hospitalares, como algodão hidrófilo, cotonetes, ataduras e esparadrapos. Além disso, essas fibras também têm aplicações na fabricação de celulose, papel, pólvora e tinta automotiva.

As fibras médias, com comprimento entre 21 e 28 mm, são as mais comuns e versáteis. Elas são amplamente empregadas na produção de vestuário, como camisetas e calças, roupas de cama, toalhas e tecidos para decoração. Já as fibras longas, com mais de 28 mm, são altamente valorizadas pela sua resistência e qualidade superior. Elas são essenciais na confecção de tecidos de luxo, como lençóis de fios egípcios, toalhas premium e roupas finas e delicadas, proporcionando não só um toque mais macio, mas também maior durabilidade ao produto final.

Além dos benefícios evidentes relacionados à qualidade do produto final, a escolha de fibras mais longas também influencia a eficiência da produção. O uso de fibras de algodão longas permite uma fiação mais estável, com menor desgaste das máquinas e menos desperdício de matéria-prima. Esse fator impacta diretamente os custos operacionais da indústria e isso pode ser crucial para manter a competitividade e a sustentabilidade do setor.

É importante ressaltar que o comprimento da fibra pode variar de acordo com a variedade do algodão e as condições de cultivo. Fatores como clima, solo e técnicas agrícolas têm um impacto significativo no desenvolvimento da planta e, consequentemente, na extensão das fibras. Por isso, o controle de qualidade e a escolha criteriosa da matéria-prima são essenciais. No caso da Incofios, buscamos a excelência na produção de fios têxteis, e isso só é possível com uma seleção rigorosa das fibras utilizadas.

Para o setor têxtil, investir em algodão de alta qualidade não é apenas uma questão de diferenciação no mercado; é uma necessidade para garantir produtos duráveis e competitivos. Um rigoroso controle de qualidade também é fundamental para assegurar que os fios entreguem não apenas resistência e uniformidade, mas também o desempenho esperado pelas confecções e consumidores finais. A escolha de algodão com fibras longas e uniformes impacta diretamente a eficiência na produção, a satisfação do consumidor e a durabilidade do produto no mercado.

“É essencial para qualquer empresa do setor têxtil compreender como o comprimento da fibra de algodão afeta diretamente a qualidade dos fios e no produto final. Este é um investimento que não só eleva o padrão dos produtos, mas também garante que a indústria continue inovando e se destacando no mercado global”.conclui Lais Bergo Amaral  graduada em Engenheira Têxtil, tem 10 anos de experiência no setor têxtil e atua como supervisora de qualidade da Incofios desde Abril de 2024.

Sobre a Incofios -Fundada em 2001, a Incofios é uma das líderes na produção de fios 100% algodão, com foco na excelência e na inovação. A empresa se destaca por sua capacidade de produzir fios com os mais altos padrões de qualidade, atendendo a diferentes segmentos da indústria têxtil. Com unidades produtivas localizadas em Indaial, Luiz Alves (SC) e Campo Verde (MT), a Incofios alia tecnologia avançada, sustentabilidade e compromisso com o desenvolvimento do setor têxtil, sendo referência em toda a cadeia produtiva de fios.

da redação com informações da Presse Informações

ARTIGO - Geopolítica, tecnologia e a agenda inadiável para o setor têxtil e de confecção brasileiro

worldfashion • 05/02/26, 10:08

Por Fernando Valente Pimentel*

O mundo caminha para 2030 sob uma lógica muito diferente daquela que predominou nas últimas décadas. A globalização, baseada exclusivamente em eficiência e baixo custo, vem sendo substituída por um ambiente marcado por tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e competição tecnológica. Nesse novo cenário, o futuro dos setores produtivos será definido não só por preço fundamentalmente, mas também por resiliência, tecnologia e posicionamento estratégico.

Relatório recente do World Economic Forum aponta que a economia global será moldada pela interação entre geoeconomia — isto é, o impacto da política e da geopolítica sobre o comércio — e tecnologia, com destaque para a digitalização e a inteligência artificial. Não existe um único futuro possível, mas diferentes cenários que variam por país e por setor. Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, essa transformação traz desafios relevantes, mas também uma janela estratégica rara.

Do lado dos desafios, a fragmentação do comércio internacional tende a se intensificar. Barreiras técnicas, exigências ambientais, regras digitais e políticas industriais ganham peso crescente. O setor têxtil e de confecção brasileiro, que já convive com um elevado custo estrutural de produção, enfrenta concorrência de países que operam sob regras trabalhistas, ambientais, previdenciárias e financeiras muito menos exigentes. O problema central não é a competição, mas a falta de isonomia competitiva.

É nesse ponto que se impõe uma agenda doméstica clara. Não haverá competitividade sustentável sem redução efetiva do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios. Isso passa por uma reforma administrativa que aumente a eficiência do Estado, reduza desperdícios e libere recursos para investimento, bem como por uma nova rodada de ajustes na previdência, capaz de garantir previsibilidade fiscal e reduzir pressões estruturais sobre a economia.

A competitividade industrial também exige redução do custo do trabalho formal, hoje excessivamente onerado por encargos e insegurança jurídica. Em um país que precisa gerar empregos de qualidade e combater a informalidade, tornar o trabalho formal mais acessível é condição indispensável para o crescimento sustentado.

Outro vetor crítico é o combate ao comércio ilegal e à concorrência desleal, que distorcem o mercado, destroem empregos e penalizam empresas que cumprem a legislação. A defesa da legalidade e da concorrência justa não é protecionismo, é pré-requisito para um mercado saudável.

Some-se a isso a necessidade de juros em padrão internacional. Taxas de juros reais persistentemente elevadas encarecem investimentos e inibem inovação. Sem um custo de capital compatível com o resto do mundo, falar em produtividade torna-se exercício retórico.

No plano externo, é igualmente fundamental fortalecer os instrumentos de legítima defesa comercial, garantindo que práticas desleais sejam enfrentadas com rapidez e rigor, em linha com as regras internacionais. Defender a indústria nacional de dumping e subsídios ilegais não significa fechar a economia, mas assegurar concorrência equilibrada.

Ao mesmo tempo, a tecnologia deixa de ser opcional. Inteligência artificial, automação e análise de dados já impactam ganhos de produtividade, gestão de estoques, eficiência energética e leitura de demanda. Empresas que não avançarem nessa agenda perderão espaço, inclusive no mercado interno. O maior risco hoje não é errar ao investir em tecnologia, mas não investir.

Há, contudo, uma dimensão positiva nesse novo contexto. A regionalização das cadeias produtivas, o nearshoring, favorece países com mercado interno relevante, base industrial diversificada e capacidade de atender padrões ambientais e sociais mais rigorosos. O Brasil reúne esses atributos.

Além disso, o país dispõe de uma das poucas cadeias têxteis completas do mundo, com produção relevante de fibras naturais, bem como de algumas fibras sintéticas importantes para o setor, o que amplia significativamente o seu potencial de atração de novos investimentos nacionais e internacionais. Essa diversidade confere flexibilidade produtiva, capacidade de inovação e maior aderência às exigências de mercados cada vez mais segmentados e regulados.

A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser apenas discurso reputacional e passa a ser fator econômico concreto. Circularidade, rastreabilidade e descarbonização tornam-se exigências de mercado e critérios de acesso a financiamento. Nesse campo, o setor têxtil brasileiro conta com ativos importantes, como uma cadeia produtiva estruturada e uma das agriculturas de algodão mais sustentáveis do mundo capazes de gerar vantagem competitiva real.

Nesse contexto, a conclusão de acordos comerciais, em especial entre Mercosul e União Europeia, assume papel estratégico. A ampliação do acesso a mercados, com regras claras e previsíveis, fortalece a integração do Brasil às cadeias globais de maior valor agregado e amplia o retorno de investimentos em tecnologia, sustentabilidade e produtividade.

O futuro do setor têxtil e de confecção não está dado. Ele dependerá das escolhas feitas agora. Investir em tecnologia, elevar a produtividade, qualificar pessoas e, sobretudo, avançar em reformas estruturais que reduzam o Custo Brasil e ampliem a inserção internacional do país são condições indispensáveis para que o setor não apenas sobreviva, mas se fortaleça.

Num mundo mais fragmentado e tecnológico, a indústria têxtil e de confecção brasileira tem, se tiver os elementos adequados e um ambiente concorrencial isonômico, plena condição se consolidar como um ativo ainda mais estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

33ª edição INSPIRAMAIS - THE TURNING POINT

worldfashion • 04/02/26, 17:17

Os materiais lançados desta edição norteiaram a pesquisa  e seguiram a metodologia da Pirâmide, que levam em consideração os insights de que os 10% (laboratório de inovação e topo da pirâmide), 30% (materiais em desenvolvimento no meio da pirâmide) e 60% (produtos já aprovados pelo mercado e base da pirâmide).

Na pesquisa The Turning Point os 10%, tem como referência a obra “Ponto de Mutação”, escrita por Fritjof Capra em 1981. Segundo Rodrigues, “vivemos tempos muito semelhantes aos vividos na década de 1980, com um mundo mais fechado, protecionismo crescente, tarifas extras e polarização”. A obra referenciada traz a necessidade de um ponto de mutação sob uma perspectiva ecológica e feminina. Dentro do contexto, a pesquisa aponta que passamos de uma Modernidade Líquida, conceito popularizado por Bauman no qual tudo era líquido e fluído, para uma Modernidade Gasosa, em que as coisas já não apenas fluem, mas “evaporam no ar”, dando a ideia de volatilidade e velocidade.

Partindo desse ponto, a The Turning Point trouxe três temas.

O primeiro deles é o “Gasoso Holístico”, que com um ponto de vista feminino aponta o design como meio de contemplação, regeneração e afeto com tecnologia. A moda, aqui, é auxiliada pelas tecnologias de Inteligência Artificial (IA). Neste tema, predominam materiais com transparências, tules, nylons, volumes e misturas.

Já o tema “Gasoso Biológico” é influenciado pelo ancestral digital, com texturas orgânicas, muitas camadas, aspectos celulares (de plasma), aspectos gelatinosos, amorfismo e futurismo, tudo também com o auxílio da IA. Já os materiais de destaque são biopolímeros, nanoceluloses e tecidos desenvolvidos com cultura de bactérias.

O terceiro tema é “Ruptura”, que reforça a necessidade de romper com os padrões, com as formas conservadoras, visando a recuperação da individualidade perdida em meio a um mundo homogêneo e permeado de repetições. Para as criações de materiais, as influências predominantes são as construções tridimensionais, com dobras abruptas, sobreposições e fragmentações, colocando o corpo como base para a criação de novas geometrias.

A cartela de cores da The Turning Point trouxeram como cores principais o violeta ice, o amarelo e o acqua.


BIOMA AMAZÔNICO

O projeto Iconografia Local Bioma Amazônico, lançado na COP30, em novembro passado, foi apresentado pelo Walter Rodrigues na companhia do designer de moda Leandro Castro, que desfilou o projeto nas passarelas do São Paulo Fashion Week (SPFW).

A iniciativa, realizada nos territórios de Santarém, distrito de Alter do Chão, Belterra e Mojuí dos Campos, desenvolveu uma pesquisa territorial aprofundada com foco na identidade local. A investigação contemplou elementos como agricultura familiar, turismo, artesanato, gastronomia, música, madeira, castanhas, pesca (pirarucu), óleos essenciais, ciência/medicina natural, biomateriais, entre outros aspectos da cultura local. A partir dos insumos criativos da pesquisa, a Assintecal auxiliou 19 empreendimentos locais no desenvolvimento de produtos e serviços com identidade territorial, valorizando e estimulando a bioeconomia local.

Segundo Rodrigues, a pesquisa serviu como base para desenvolvimento de coleções inovadoras. No total, foram desenvolvidos mais de 80 novos materiais e soluções das empresas Amazoniere, Amélias da Amazônia, Biojoias Natureza Viva, Chácara Nova Esperança, Casa do Eltom, Coomflona – Cooperativa Mista da Flona Tapajós, Cuias Aíra – Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan), Deveras Amazônia, Escola Indígena Borari Antônio de Sousa Pedroso, Etno Confecções Borari – Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, H Móveis Madeira, Quintal Produtivo Belt Bom, Loja Zagaia, Mestre Jefferson Paiva, Nunghara Biojoias, Pousada do Mingote, Quilombo de Murumurutuba – Rafro Modas, Quilombo de Murumurutuba – Azearte, Trançados do Arapiuns e Viveiro Floresta Ardosa.

SPOILER DA PESQUISA DO PRÓXIMO LANÇAMENTO

Foi apresentado pelo Walter Rodrigues em companhia de Marnei Carminatti, coordenador do Preview do Couro do Salão,  a apresentação da pesquisa “Essência”, que guiará os materiais que serão lançados na próxima edição do INSPIRAMAIS, nos dias 7 e 8 de julho, em São Paulo/SP.

O ponto de partida da pesquisa foi repensar o conceito de luxo, cada vez mais ameaçado pela competição baseada em preços. Segundo Rodrigues, existe um descolamento entre preço e valor percebido, gerando questionamentos por parte dos consumidores. “Isso obriga as grandes marcas a ressignificar a palavra e justificar a sua existência”, ressalta. Com isso, aparece a “essência” como uma retórica inegável. É preciso resgatar a importância do luxo como aspecto de raridade, herança histórica e autoridade cultural.

O primeiro tema da pesquisa é o “Purismo”, que valoriza o silêncio, a pausa em meio ao excesso e a ancestralidade, em um “retorno ao essencial”. Entre os materiais, aparecem com destaque os acetinados, os couros limpos, os laços, as peles exóticas e a impressão sobre couro vacum, sempre com aspectos que remetem à leveza, à alta costura, ao classicismo e à delicadeza. “Aparece muito forte também a camurça, trazendo o seu toque suave, o brilho delicado, os metalizados e o croco”, acrescenta Rodrigues.

O segundo tema é o “Popismo”, que celebra o “excesso com intenção”. “É o luxo que se afirma no exagero, na intensidade da cor e na força das estampas”, informa o criativo, destacando que os materiais desenvolvidos são inspirados no barroco e na cultura pop, com muita sinuosidade, teatralidade e estímulo sensorial.

“Se o purismo valoriza a pausa, o popismo reivindica a intensidade. É capital cultural em ebulição, uma mistura de referências que resgata arquivos, cria abundância e ludicidade”, acrescenta.

Entre as referências, aparecem o estampismo com flores, referências à natureza e cores mais intensas.

A cartela de cores será composta, principalmente, por tons de cobre, vermelho e verde.

O salão  INSPIRAMAIS é uma uma realização da Assintecal em parceria com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel). A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional. O apoio institucional é da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul (Senai/RS). A parceria institucional é da da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

CONCURSO - Brasil Fashion Designers 2026

worldfashion • 01/02/26, 16:24

Nesta edição, o concurso reuniu estudantes regularmente matriculados e egressos (com até dois anos de formação) dos cursos técnicos e superiores de moda e vestuário de Pernambuco, evidenciando a força criativa da produção autoral nordestina e reforçando o papel da região como polo de criação, inovação e identidade no setor têxtil.

Os participantes foram desafiados a desenvolver coleções inéditas compostas por três looks completos, voltadas para o Inverno 2026, a partir do tema “O choro da Bossa Nova embala a MPB”, que propõe um diálogo entre moda, música brasileira e identidade cultural. As criações podem ser femininas, masculinas ou mistas, respeitando critérios de sustentabilidade e sem o uso de materiais perecíveis, peles ou matérias-primas de origem animal.

O processo seletivo do concurso é realizado em cinco etapas, incluindo pré-inscrição, envio de projetos com croquis, seleção técnica, confecção das peças com matérias-primas fornecidas pela organização e desfile final.

A apresentação final do concurso será um desfile, que acontecerá no dia 14 de abril de 2026, no Polo Caruaru, reunindo estes novos talentos/designer de moda.

Após o desfile no dia 14 de abril, os looks finalistas ficarão expostos nos dias 15 a 17 de abril de 2026, durante a programação da AGRESTE TEX, para votação dos visitantes da feira.

Realizado pelo Febratex Group, o Brasil Fashion Designers tem como missão aproximar designers da moda nacional da indústria têxtil, valorizando inovação, identidade, além de criar oportunidades concretas de visibilidade e inserção profissional.

“O Brasil Fashion Designers é um projeto que conecta criatividade, indústria e mercado. Ao realizarmos mais uma edição em Pernambuco, reforçamos o protagonismo do Nordeste como território criativo e estratégico para a moda brasileira”, destaca Ricardo Gomes, gerente de projetos especiais da FCEM.

A escolha de Pernambuco como palco desta edição reforça o protagonismo do Nordeste como um dos principais pólos criativos do país. Com forte ligação com a cadeia produtiva da moda, o Agreste Pernambucano se consolida como território estratégico para o setor, reunindo tradição produtiva, diversidade estética e capacidade de inovação.

Em 2024, o concurso já havia realizado uma edição no estado, fortalecendo essa conexão e evidenciando o potencial criativo local.

Finalistas – Brasil Fashion Designers | AGRESTE TEX 2026

•Ally Czar, 29 anos — Senai (Paulista) Recife – PE

•Ana Carina Brito, 48 anos — Senai (Recife) Recife – PE

•Camyle Nogueira, 21 anos — Senai (Caruaru) Toritama – PE

•Clara Albuquerque, 20 anos — Senac (Recife) Jaboatão dos Guararapes – PE

•Erika Rayssa, 27 anos — Senai (Paulista) Paulista – PE

•Flávia Banastor, 38 anos — Senac (Recife) Recife – PE

•Jards Felipe, 28 anos — Senai (Paulista) Abreu e Lima – PE

•Ka Helena, 21 anos — Senac (Recife)

Olinda – PE

•Michelly Demézio, 24 anos — Senac (Recife) Nazaré da Mata – PE

•Thayna Willyane, 23 anos — Senai (Caruaru) Caruaru – PE

Durante o desfile, serão escolhidos o 1º, 2º e 3º lugares, além do Prêmio Excelência. O vencedor do 1º lugar receberá como premiação um convite para desfilar na Expotextil Perú 2026, em Lima, com despesas de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte custeadas pela organização. Já o vencedor do Júri Popular será contemplado com uma máquina de costura reta. Todos os finalistas receberão certificado de participação.

Sobre a AGRESTE TEX 2026

Em sua 8ª edição, a AGRESTE TEX acontece de 14 a 17 de abril de 2026, no Polo Caruaru (PE). Consolidada como a principal feira têxtil e de confecção do Agreste Pernambucano, o evento reúne expositores, marcas, fornecedores e profissionais do setor, com foco em inovação, negócios e no fortalecimento da cadeia produtiva da moda no Nordeste.

Serviço

O quê: Brasil Fashion Designers – AGRESTE TEX 2026

Onde: AGRESTE TEX | Polo Caruaru – Caruaru (PE)

Quando: 14 de abril de 2026

ARTIGO - Câmbio valorizado, indústria pressionada: um alerta em meio ao rearranjo global

worldfashion • 30/01/26, 14:22

Por Fernando Valente Pimentel*

O Brasil volta a conviver com um ciclo de apreciação cambial. Em pouco mais de um ano, o real saiu de patamares superiores a R$ 6,00 por dólar, no final de 2024, para níveis próximos de R$ 5,20. Há, inclusive, análises econométricas que sugerem que o valor “de equilíbrio” da moeda brasileira estaria mais próximo de R$ 4,50 do que da cotação atual.

Esse movimento não é isolado nem exclusivamente doméstico. Reflete mudanças profundas no cenário político e econômico internacional, com realocação de portfólios financeiros em busca de diversificação e retorno. Quando esses fluxos chegam a economias com mercados financeiros relativamente menores, como a brasileira, os efeitos sobre o câmbio tendem a ser amplificados.

Do ponto de vista macroeconômico, um real mais valorizado proporciona benefícios evidentes no curto prazo, especialmente no controle da inflação e na moderação dos preços de bens importados. O problema surge quando esse movimento ocorre em um país que ainda carrega elevados desequilíbrios estruturais e cuja produção manufatureira permanece exposta a um conjunto severo de custos sistêmicos. A indústria brasileira e, de maneira ainda mais sensível, a têxtil e de confecção, encontra-se entre os setores mais vulneráveis a uma valorização cambial não acompanhada de ganhos consistentes de produtividade.

Diferentemente de economias concorrentes, o Brasil combina uma carga tributária elevada e cumulativa, longos períodos de juros altos, custos logísticos e energéticos superiores à média internacional e um ambiente regulatório complexo e pouco previsível. Somam-se a esses fatores propostas que tendem a elevar ainda mais o custo da produção, como a redução de jornadas e turnos de trabalho, sem contrapartidas claras em eficiência.

Esse quadro agrava-se quando observamos o cenário internacional. A China, maior exportadora mundial de bens manufaturados, não tem experimentado um processo equivalente de apreciação cambial. Ao contrário, mantém sua competitividade reforçada por políticas industriais agressivas, subsídios, incentivos financeiros e uma capacidade produtiva excedente que vem sendo direcionada a mercados de todo o mundo. O resultado é uma pressão adicional sobre indústrias locais em países que, como o Brasil, já enfrentam dificuldades estruturais.

Nosso país já viveu esse filme em passado não tão distante, com efeitos particularmente perversos no setor têxtil e de confecção: perda de competitividade, fechamento de fábricas, desestruturação de cadeias produtivas e migração de investimentos. Hoje, começam a se repetir sinais preocupantes, como o movimento de empresas brasileiras do setor se instalando no Paraguai para atender, de modo prioritário, o próprio mercado brasileiro. Não vão para lá por vantagens extraordinárias do país vizinho, mas pela busca de condições mínimas de competitividade que deixaram de encontrar no Brasil.

Iniciativas como a Nova Indústria Brasil (NIB), que contam com o apoio do setor produtivo, são importantes e caminham na direção correta ao reconhecerem a relevância do setor para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social. No entanto, políticas públicas não operam no vácuo. Quando fatores macroeconômicos como câmbio excessivamente valorizado, juros elevados e custos sistêmicos persistentes atuam de maneira contrária, a capacidade de reação das empresas fica severamente limitada.

O risco é claro: uma apreciação cambial prolongada, sem avanços rápidos e concretos na agenda de produtividade e na redução do “Custo Brasil”, aumenta a vulnerabilidade da indústria nacional justamente em um momento de rearranjo das cadeias globais de produção e comércio. É uma conjuntura na qual muitos países estão reforçando suas bases industriais e não as enfraquecendo.

Fortalecer e reindustrializar o Brasil exige coerência entre as políticas macroeconômica e industrial e o ambiente de negócios. Um câmbio valorizado pode ser parte desse equilíbrio, mas jamais o seu eixo central. Sem enfrentar os entraves estruturais que penalizam quem produz, continuaremos estimulando, ainda que involuntariamente, a substituição da produção nacional por importações e a saída de investimentos produtivos. E esse é um custo que nossa economia não pode mais se permitir.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO

worldfashion • 17/12/25, 22:14

Por Fernando Valente Pimentel*

É muito preocupante o fato de 25% dos consumidores brasileiros admitirem aceitar a compra de produtos ilegais, conforme revelou recente estudo da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Ipsos. Em alguns segmentos, como bebidas alcoólicas e vestuário, essa propensão é ainda maior, às vezes com trágicas consequências, como ocorreu com as pessoas vitimadas pela presença de metanol em destilados. Trata-se de um retrato inquietante de uma sociedade que, por vezes, relativiza a gravidade dos ilícitos econômicos e de consumo, ignorando seus impactos coletivos.

O crime organizado há muito deixou de se restringir ao tráfico de drogas e armas. Ele se infiltra em diversos mercados, inclusive no de vestuário, aproveitando-se de brechas legais, da sonegação e da tolerância social para expandir seus tentáculos. Produtos contrabandeados, falsificados ou de origem duvidosa alimentam uma engrenagem criminosa que movimenta bilhões de reais por ano e mina a competitividade das empresas que operam dentro da legalidade.

Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas econômicas geradas por atividades ilícitas chegaram a R$ 453 bilhões em 2022. O valor equivalia à época a cerca de 4% do PIB nacional, recursos que poderiam ter sido direcionados à educação, saúde, segurança, saneamento e infraestrutura. Em outras palavras, a cada produto ilegal comprado, há uma parcela de investimento público que deixa de chegar à sociedade.

O combate a esse problema não se limita ao fortalecimento do aparato policial e da fiscalização. É também um desafio cultural e educativo. A sociedade precisa compreender que o consumo de produtos ilegais não é uma questão inofensiva de preço, mas um ato que financia redes criminosas, destrói empregos formais e compromete o futuro do Brasil. A educação, nas escolas, nas famílias e nos meios de comunicação, deve mostrar de maneira clara os danos que os mercados ilícitos provocam, não apenas na economia, mas também nos valores éticos e morais do País.

A responsabilidade é compartilhada. O poder público deve aprimorar políticas que reduzam o chamado “Custo Brasil” e simplifiquem o ambiente de negócios, para que competir de modo legal não seja um fardo. As empresas precisam seguir investindo em rastreabilidade, conformidade e comunicação transparente com os consumidores. E nós, cidadãos, devemos entender que cada decisão de compra é também uma escolha de sociedade: ou reforçamos a economia formal, que gera desenvolvimento e empregos, ou fortalecemos um sistema paralelo que corrói as bases do Estado.

O dado revelado pela pesquisa da USP é um alerta. Enquanto parte da população continuar a ver o consumo de produtos ilegais como algo aceitável, permaneceremos alimentando um ciclo vicioso de perda de riqueza, desordem econômica e insegurança. Precisamos transformar a tolerância em repúdio e a indiferença em consciência. Não existe mercado ilegal sem consumidor complacente e, sem ética no consumo, não há desenvolvimento sustentável possível.

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

POLO DE MODA DO BOM RETIRO

worldfashion • 17/11/25, 14:29

A região do Bom Retiro, reúne 780 unidades fabris e 804 pontos de venda, formando um ecossistema de produção, distribuição e abastecimento do varejo de moda para diferentes regiões do país, operando com média de 26 trabalhadores por empresa.

O levantamento compara o desempenho do Polo com os principais recortes territoriais da indústria de vestuário e aponta o Bom Retiro como um núcleo produtivo de alta densidade. No Brasil, há 20.776 indústrias do setor de Vestuário, que empregam 937.674 trabalhadores e produzem 5,36 bilhões de peças ao ano, com valor de produção estimado em R$ 170,6 bilhões.

No Estado de São Paulo, são 4.873 indústrias, 211.421 trabalhadores, 1,28 bilhão de peças anuais e R$ 40,7 bilhões em valor de produção. Na capital, 2.328 indústrias reúnem 83.957 trabalhadores, com 368,6 milhões de peças e R$ 23,9 bilhões em valor de produção.

Em termos proporcionais, os números do Bom Retiro representam 16,0% das indústrias do setor no Estado, 23,1% da mão de obra da cidade, 13,7% da produção em peças na capital e 22,1% do valor de produção da cidade, evidenciando a região como uma das maiores densidades produtivas do setor no país.

O perfil das empresas reforça esse caráter. A grande maioria opera em formato de loja (93,2%), com produção própria (97%). Apenas 2,2% compram peças para revenda sob marca própria e 0,7% comercializam marcas de terceiros, o que reforça a identidade autoral e a independência produtiva do polo.

Trata-se, majoritariamente, de pequenas e médias confecções: 46,1% possuem até 10 funcionários, 29,7% mantêm equipes entre 11 e 29 colaboradores, 10,3% têm entre 30 e 49 funcionários e 5,1% contam com mais de 100 empregados.

O levantamento mostra ainda que 87,1% das lojas mantêm a unidade fabril no próprio Bom Retiro. Apenas 7,6% possuem produção em outros bairros da cidade de São Paulo, 1,2% em outras cidades do estado e 1,1% em outros estados brasileiros. Já 3% das empresas não possuem unidade fabril.

CENTRAL DOS LOJISTAS DE VESTUÁRIOS

O perfil de clientes confirma o papel do Polo de Moda do Bom Retiro como centro de abastecimento para o varejo nacional. Ao todo, 93,5% das lojas atendem lojistas especializados em vestuário (como multimarcas, boutiques, lojas de bairro, redes e departamentos de moda), 61,8% vendem para sacoleiras e revendedores e 38,7% também atendem o consumidor final. Além disso, 4,0% comercializam para lojas não especializadas (como Pernambucanas, Americanas e hipermercados como Carrefour), 3,6% têm como destino o comércio, 1,9% destinam parte da produção à exportação e 0,9% atendem o segmento institucional (como hotéis, pousadas, clínicas, laboratórios e empresas).

O Polo tem na moda feminina sua linha predominante, presente em 87,3% das lojas pesquisadas, com destaque para a moda casual, que representa 20,9% desse mercado. Os demais segmentos incluem linhas masculinas, sociais, festa, íntima, bebê e infantil, o que amplia a capacidade de abastecimento do varejo nacional.

As vendas presenciais seguem como base da operação: 100% das lojas realizam atendimento físico no Polo. Ao mesmo tempo, a digitalização avança: 70,3% das lojas afirmam vender também pela internet. No atendimento e negociação, o WhatsApp é o principal canal, utilizado por 90,3% das empresas. Além disso, 53,7% mantêm e-commerce próprio, 53,0% vendem por marketplaces voltados ao atacado e 47,3% por marketplaces voltados ao varejo.

“O Bom Retiro ainda é subavaliado em termos de percepção pública. Há quem o associe apenas ao comércio popular, quando, na prática, estamos falando de um polo produtivo que abastece o varejo nacional e que gera emprego, turismo e renda A região concentra desenvolvimento, modelagem e produção, com velocidade de resposta e leitura rápida de tendências, antecipando movimentos que chegam das passarelas internacionais. Lojistas de diferentes estados vêm ao Polo para abastecer suas coleções. É um ativo econômico da cidade que precisa ser reconhecido como tal”, afirma Cinthia Kim, presidente da ABIV Associação Braisileira da Indústria do Vestuário.

REPOSICIONAMENTO

O Censo integra o plano de reposicionamento do Polo de Moda do Bom Retiro, conduzido pela ABIV - Associação Brasileira da Indústria do Vestuário, e impulsionado pela entrada de uma nova geração de empresários — muitos deles filhos e netos de imigrantes que fundaram as confecções há três ou quatro décadas e que agora imprimem ao bairro um olhar de marca, competitividade, estratégia comercial e fortalecimento do território. O objetivo é reposicionar o Bom Retiro e seu Polo de Moda, valorizando o potencial econômico de uma região que abastece lojistas do país inteiro e que historicamente movimenta a economia paulistana.

A divulgação do Censo ocorre em paralelo à implementação de um sistema de vigilância integrado, no qual estão previstas 80 câmeras de monitoramento 24h instaladas nas principais ruas comerciais, conectadas diretamente à central da Polícia Militar. O projeto, que recebeu um investimento na implantação na ordem de R$ 500 mil, já conta com 66 câmeras em funcionamento (das 80 previstas), com conclusão prevista ainda este ano.

“UMBR”  UNIVERSO DA MODA BOM RETIRO

O fortalecimento da marca - UMBR - Universo da Moda Bom Retiro, tem articulado parcerias com comerciantes de outros polos de moda do país, com foco nos revendedores regionais. Já está em andamento um projeto-piloto no qual mostruários de confecções circulam entre lojistas de diferentes estados, apresentando o polo como um hub nacional de abastecimento e referência para o atacado.

O plano inclui ainda negociações com marketplaces e apps de varejo para melhorar condições de entrada e operação das confecções dentro dessas plataformas, além da criação de um hub de conteúdo para auxiliar marcas que não possuem equipes de marketing a divulgarem seu portfólio.

Capacitações em vendas, legislação, consultoria de estilo, além de benefícios como assessoria jurídica, desconto em serviços como de logística, correio, transações financeiras e certificações também fazem parte das medidas para impulsionar o comércio local.

Para 2026 estão previstos ainda o desenvolvimento de um aplicativo voltado ao atacado, como ferramenta de vendas e relacionamento com compradores, além da criação de uma plataforma de empregos. A iniciativa responde a uma demanda recorrente do polo: o alto volume de vagas abertas ao longo do ano, reflexo do aumento no fluxo de consumidores atacadistas e varejistas na região.

da redação com informações da Upperpr Comunicação