ARTIGO - Comércio digital global e a necessidade de novas regras tributárias e regulatórias

worldfashion • 15/07/24, 15:11

Por Fernando Valente Pimentel* e Patrícia Pedrosa**

Uma das mudanças mais marcantes tem sido o aumento vertiginoso das pequenas encomendas por meio do e-commerce. Esta tendência não apenas criou mais oportunidades de negócios para pequenos empreendedores, mas também fez grandes plataformas digitais ganharem relevante espaço no comércio internacional de bens de consumo final, como vestuário. Também devemos explorar essas novas formas de vendas para colocar mais produtos brasileiros no mercado mundial.

No Brasil, de acordo com os últimos dados divulgados pela Receita Federal, a média mensal de pacotes recebidos é de 18 milhões. Nos EUA os números são ainda mais expressivos. Estima-se que o país receba cerca de três milhões todos os dias. Será que as regras atuais de comércio internacional e as legislações implementadas pelos países são adequadas para lidar com as características especificas desse tipo de negócio?

O debate sobre o comércio eletrônico cross border tem se intensificado não só no Brasil, mas em todo o mundo. Questões tributárias, controle aduaneiro, oferta de produtos ilegais e falsificados são desafios que se apresentam com força. A regulamentação e aplicação consistentes de normas técnicas e padrões de qualidade também se tornam cruciais para proteger os consumidores e garantir a equidade no mercado.

Nesse contexto é que tem ocorrido a mobilização pela igualdade tributária no Brasil. Em seu mais recente episódio, foi estabelecida pelo Congresso Nacional taxação de 20% do Imposto de Importação para encomendas de até 50 dólares das plataformas internacionais. O fim da isenção foi um primeiro passo, mas o empenho pela isonomia continua, pois persiste grande diferença em relação aos 90% de impostos incidentes sobre a indústria e o varejo do nosso país.

Cabe observar que os benefícios concedidos às plataformas internacionais, a começar pela isenção tributária iniciada em agosto de 2023, e agora com uma taxação ainda muito aquém do que pagam as empresas brasileiras, são muito característicos de acordos comerciais entre países ou bloco de nações, como o que se está tentando efetivar há mais de 20 anos entre Mercosul e União Europeia. No caso da isenção e “preferência tarifária” para as encomendas internacionais via comércio eletrônico não houve nenhum processo de negociação com avaliação dos parceiros comerciais envolvidos e interesses ofensivos e defensivos.

O Brasil simplesmente ofereceu condições especiais a essas empresas estrangeiras, sem qualquer contrapartida ou negociação e de maneira muito simplista. Não se admite como contrapartida, como se justificou na origem do privilégio, a aderência dos sites de e-commerce ao Programa Remessa Conforme, pois cumprir leis e normas é obrigação.

Concessões dessa natureza neste novo cenário do comércio exterior geram riscos para os países, em especial num momento em que não se pode contar com arbitragem adequada de organismos multilaterais, num cenário geopolítico no qual a Organização Mundial do Comércio (OMC) parece letárgica, encontrando-se, inclusive, sem o seu órgão de solução de controvérsias. Assim, precisamos nos adaptar com os recursos e possibilidades que temos para vencer os novos desafios, o que inclui a igualdade de condições quanto aos impostos e ao aspecto normativo, tendência que já se observa na Europa.

É premente conferir o mesmo tratamento tributário, legal e regulatório a tudo o que é vendido em nosso país, prioridade que se coloca aos poderes Executivo e Legislativo e aos organismos reguladores e fiscalizadores. Caso contrário, seremos atropelados pela realidade irresistível de um planeta hoje sintetizado nas telas de múltiplos devices, no qual metade da população está a apenas um clic de comprar tudo o que desejar e de infinitas possibilidades de satisfazer seus anseios de consumo.

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

**Patrícia Pedrosa é gerente de Comércio Exterior e Assuntos Regulatório da Abit.

da redação

ARTIGO - Muito além das blusinhas

worldfashion • 12/06/24, 15:36

Por Fernando Valente Pimentel*

Quem fabrica as roupas no Brasil – a indústria têxtil e de confecção – integra uma das cinco maiores cadeias produtivas do mundo e a maior integrada do Ocidente, desde a matéria-prima (natural, sintética ou artificial) até o produto que chega ao consumidor. Criar um parque produtivo igual ao nosso custaria hoje mais de R$ 400 bilhões. É um setor com operações em todo o território nacional, empregando 1,33 milhão de pessoas diretamente. Mais de 65% dos postos de trabalho são ocupados por mulheres e 85% dos negócios são de pequeno e médio portes. Estamos entre os 10 maiores mercados do mundo. Portanto, há muito mais do que blusinhas a ser defendido de uma descabida desigualdade tributária e regulatória.

Nesse sentido, foi importante a decisão do Senado, dia 5 de junho, de aprovar, no âmbito do Projeto de Lei 914/2024, o dispositivo referente ao Imposto de Importação de 20% nas compras de até US$ 50 nas plataformas internacionais de e-commerce. A medida, que já havia sido votada pela Câmara dos Deputados, atenua a desigualdade tributária em relação às empresas brasileiras.

Entretanto, é preciso alertar que a alíquota estabelecida ainda mantém uma grande diferença, considerando que os sites estrangeiros, além dela, continuam recolhendo apenas mais 17% de ICMS. A indústria e o varejo brasileiros, porém, pagam um oneroso pacote de impostos que chega a 90%. Persiste, assim, um cenário de desigualdade tributária e concorrência desleal.

As empresas nacionais já foram muito prejudicadas pelo benefício fiscal concedido pelo governo às plataformas internacionais de e-commerce desde agosto de 2023, por meio da Portaria 612 do Ministério da Fazenda. Foi uma insólita compensação para que aderissem ao programa Remessa Conforme, da Receita Federal. Ora, cumprir a lei é uma obrigação e não uma concessão em troca de privilégios.

Também cabe enfatizar a desigualdade regulatória, pois as mercadorias importadas por meio das plataformas de e-commerce não são submetidas à análise e à anuência de organismos como o Inmetro, Anvisa e Ministério da Agricultura e Pecuária, como ocorre com as nacionais e as que ingressam no País pelas vias aduaneiras regulares. É preciso avançar nesse controle, pois se trata de um monitoramento essencial para a segurança dos consumidores e no sentido de que tenham garantias quanto à qualidade e especificidade dos produtos.

A defesa da igualdade tributária e regulatória, que, apesar da medida aprovada pelo Congresso Nacional, ainda está longe de ser alcançada, não expressa qualquer xenofobia, mas apenas a necessidade lógica de condições justas e isonômicas para competir. O e-commerce e empresas estrangeiras são muito bem-vindos ao nosso país, em especial num mundo cada vez mais globalizado e sem fronteiras comerciais. Mas, não é plausível que disputem o nosso mercado favorecidos por privilégios, pois isso, muito além das blusinhas, afeta imensa gama de produtos e ameaça milhares de empresas e milhões de empregos.

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - O poder do Legislativo de preservar 18 milhões de empregos no Brasil

worldfashion • 03/06/24, 14:37

Por Fernando Valente Pimentel*

A expectativa é a de que, ao votar a matéria esta semana, o Senado adote a mesma atitude, pois se trata de um passo importante para solucionar a desigualdade tributária que afeta hoje a indústria e o varejo brasileiros. A alíquota de 20% para os sites estrangeiros ainda mantém um quadro no qual os que geram empregos no exterior, contando com subsídios dos países de origem para produzir e exportar, pagarão 44% no total, considerando os 17% de ICMS que já recolhem, ante uma carga de impostos de 90% para quem fabrica e comercializa produtos no Brasil, empregando milhões de pessoas. Porém, o PL é um relevante primeiro passo no sentido de corrigir a distorção de tratamentos diferentes dados a competidores do mesmo mercado.

Em 2023, a falta de igualdade tributária eliminou 30 mil empregos apenas na indústria e no varejo têxteis, a imensa maioria, em micro, pequenas e médias empresas. Assim, é descabido o argumento de que as plataformas estrangeiras beneficiam os mais pobres. Ao contrário, o privilégio fiscal de que gozam atualmente está aumentando a exclusão social.

Preços mais baixos não são estabelecidos de modo artificial por meio de benefícios para alguns dos competidores, mas sim pela concorrência igual para todos, com a prevalência das leis de mercado. Além disso, cada posto de trabalho perdido agrava o déficit previdenciário, que não será coberto por esses sites internacionais, nem por seus países de origem, mas sim pelos brasileiros.

Também é necessária a igualdade regulatória, ou seja, o cumprimento de todas as leis e normas. Isso inclui o controle e anuência por órgãos como Anvisa, Inmetro e Ministério da Agricultura e Pecuária, aos quais são submetidos os produtos nacionais e os que ingressam pelas vias aduaneiras convencionais. Porém, as mercadorias remetidas pelas plataformas estrangeiras seguem livres desse monitoramento.

Igualdade tributária e regulatória é a grande base de uma competição nivelada. Preconizamos menor carga de impostos indiscriminadamente. Isso contribuiria para mais investimentos e crescimento do PIB. Porém, enquanto não for possível, é imprescindível manter as mesmas condições para todos os que operam no mercado nacional. A livre economia não se faz com privilégios, mas com justiça!

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente honorário da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - Fast Fashion: a segunda indústria mais poluente…..

worldfashion • 10/05/24, 13:11

Fast Fashion: a segunda indústria mais poluente, repensar antes de comprar mais uma blusinha e um sapato.

Por Claudia Coser * e Nicole West *

O Fast Fashion, conhecido por sua produção em massa de roupas a preços acessíveis e pelas constantes mudanças de coleções para seguir as últimas tendências, tudo isso às custas de muito marketing com influenciadores, campanhas publicitárias e e-commerce com produtos e preços atrativos. Os consumidores, ao se olharem no espelho, no afã de estarem em dia com a moda, sequer se perguntam: quais danos ao planeta estão implícitos no hábito de encher guarda-roupas com peças que uso poucas vezes? Quais foram os meios de produção utilizados? E as pessoas que trabalham na cadeia produtiva desta indústria, estão em condições dignas de trabalho?

A constante pressão alimentada pelo marketing para seguir as últimas tendências leva os consumidores a comprarem mais do que necessitam e a descartar roupas em bom estado muito rapidamente, alimentando um ciclo vicioso de desperdício e excesso. Segundo relatórios da Ellen MacArthur Foundation, cerca de 60% das roupas são descartadas no primeiro ano de uso, enquanto 85% acabam em aterros sanitários. Esse looping perverso evidencia não apenas uma questão de desperdício, mas também uma falha sistêmica na forma como a moda é produzida e consumida atualmente, resultando em uma série de consequências adversas, desde a poluição da água e do ar até o desperdício de recursos naturais e condições de trabalho precarizadas.

As mídias sociais desempenham um papel significativo na formação dos padrões de consumo, especialmente no contexto da moda. Plataformas como Instagram, TikTok e Pinterest tornaram-se espaços onde as últimas tendências são exibidas, compartilhadas e até mesmo definidas. Os influenciadores digitais, muitas vezes pagos por marcas ou empresas de moda, têm um impacto considerável na maneira como as pessoas percebem e respondem às novas coleções e produtos.

O constante fluxo de conteúdo nas mídias sociais pode criar uma sensação de FOMO (Fear of Missing Out), onde os usuários se sentem pressionados a seguir as últimas tendências e adquirir produtos que estão em voga. Isso pode levar a um ciclo de consumo rápido e impulsivo, onde as pessoas compram itens apenas para se sentirem atualizadas ou aceitas dentro de determinadas comunidades online.

Já passou o tempo de mudar de cor a cada nova temporada, perpetuando tendências ultrapassadas e insustentáveis. É hora de reconhecer que a verdadeira mudança não vem apenas de onde compramos nossas roupas, mas sim de como as consumimos e valorizamos: precisamos repensar nossa relação com a moda, priorizando a qualidade sobre a quantidade, a durabilidade sobre a novidade; precisamos promover uma cultura de consumo mais consciente e sustentável, onde as roupas são valorizadas não apenas por sua aparência, mas também por sua origem, seus materiais e seu impacto no mundo ao nosso redor.

Há um movimento muito forte de negócios como brechós. Segundo dados apresentados pelo Sebrae no início de 2023, o Brasil abrigava 118.778 brechós em plena operação. Isso demonstra um notável crescimento de 30,97% ao longo dos últimos cinco anos.

Uma pesquisa da Global Data divulgada por um dos maiores brechós on-line dos Estados Unidos, o thredUp, revela que o mercado de roupas de segunda mão já cresce mais do que o do varejo em geral. A previsão é que o setor atinja US$ 64 bilhões (equivalente a R$ 317 bilhões) de faturamento em cinco anos e que, até 2029, ultrapasse o de fast fashion.

Enquanto inicialmente comprar em brechós pode parecer uma alternativa mais ética e sustentável, é fundamental considerar o impacto de nossos padrões de aquisição. A frequência constante nesses estabelecimentos pode, contraditoriamente, levar a um novo tipo de consumo desenfreado. Afinal, de que adianta buscar constantemente essas alternativas quando, em nossas casas, acumulamos pilhas de roupas que raramente ou nunca são utilizadas?

Para que um consumo seja sustentável, as pessoas precisarão mudar hábitos, comportamentos e cultura de consumo. Para autoavaliação do perfil de consumo, 3 questões serão muito úteis.

Consumo Sustentável

1 Eu preciso realmente comprar?

2 Estou no “controle da situação” quando faço compras ?

3 Escolho comprar de uma empresa responsável e sustentável ?

Consumo Insustentável

1 Meu guarda-roupas tem mais roupa que não uso, do que de roupas que uso ?

2 Estou comprando porque influencers recomendaram ?

3 Compro de empresas de venda fácil e acessível ?                                                                                                                   

É importante que as pessoas entendam que não se trata de poder ou não consumir. É uma questão de consumir com responsabilidade. E sim, todas as pessoas viventes no Planeta Terra devem ser cada vez mais responsáveis e sustentáveis. E isso não tem relação alguma com o poder aquisitivo, tem relação com a urgência dos problemas socioambientais que empresas e consumidores da indústria da moda têm total responsabilidade.

*Claudia Coser é doutora e mestre em Administração na área de Estratégia e Organizações e fundadora da Plataforma Nobis.

*Nicole West é designer e comunicação da Plataforma Nobis

Sobre a Plataforma Nobis: Atua na implementação de práticas ESG (princípios de meio ambiente, social e governança) em empresas de médio a grande porte, a exemplo da BASF e da Cargill. Conta com uma rede de mais de 60 especialistas responsáveis por gerar impacto ESG, prestando serviços que vão desde a implementação de projetos socioambientais, passando pela comunicação adequada para social branding, certificação dos investimentos em impacto e consequente expertise (how-to-do) e autoridade para palestras, treinamentos, implementação e incorporação de projetos permanentes, formas de investimento privado, comunicação e certificação de ações ESG. É signatária do Pacto Global desde 2020 e comprometida com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos projetos que desenvolve, contando com a carta de Recomendação dos Escritórios das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). É reconhecidamente sustentável e inovadora, sendo finalista do prêmio “Empresa Inovadora em Sustentabilidade”, organizada pela FIEP/SESI. Acesse a plataforma.

da redação com informações da Smartcom   foto: divulgação

ARTIGO - O importante equilíbrio fiscal no instável cenário do mundo

worldfashion • 06/05/24, 15:50

Por Fernando Valente Pimentel*
O momento de instabilidade global, que também afeta nosso país, provocado pelo quadro geopolítico tenso, a manutenção de taxas de juros elevadas nos Estados Unidos e a pressão sobre os preços de alimentos, commodities e insumos, exige atenção do setor público. Mais do que nunca, é importante buscar o equilíbrio orçamentário no âmbito dos Três Poderes, na União, estados e municípios.
Para isso, a mais plausível alternativa é a racionalização e melhoria da qualidade dos gastos, pois não há mais como aumentar a carga de impostos no Brasil, já excessivamente alta e onerosa para pessoas físicas e jurídicas. Também seria interessante rever incentivos fiscais que reduzem a arrecadação e, ao mesmo tempo, prejudicam a economia. Um exemplo é a isenção do Imposto de Importação para compras de até 50 dólares nas plataformas internacionais de e-commerce, benefício às estrangeiras nocivo à indústria e ao varejo nacionais, que, em decorrência, têm enfrentado uma grave concorrência desigual, com quedas de produção e perda de empregos.
No atual cenário, também é determinante mitigar todos os fatores que constituem o “Custo Brasil” e/ou provocam evasão de impostos e prejuízos aos setores produtivos. É o caso das perdas de arrecadação tributária referentes a atividades informais e/ou criminosas, que, em 2022, foram de R$ 136 bilhões. É o que demonstrou o seminário “Brasil Ilegal em Números”, realizado em Brasília, dia 18 de abril, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Para dimensionar melhor o que significa esse valor, fazemos uma impactante comparação: ele é superior ao orçamento de 2024 da prefeitura paulistana, o quinto do País, de R$ 111,8 bilhões. Ou seja, a cada ano perdemos mais do que uma São Paulo, maior cidade da América Latina, com seus 12 milhões de habitantes, para a sonegação e a evasão fiscais.
No total, segundo demonstrou o seminário das entidades, o contrabando, descaminho, pirataria, roubo, concorrência desleal por fraude fiscal, sonegação de impostos e furto de serviços públicos provocaram um prejuízo à Nação de R$ 453,5 bilhões. Além da perda de receita para saúde, educação, segurança, habitação e infraestrutura, o problema fere numerosos segmentos, dentre eles a indústria têxtil e de confecção, que representamos, com a concorrência desleal de produtos falsos, roubados ou fabricados de maneira ilícita e a falta de isonomia tributária.
Há soluções que podem ser adotadas de imediato, como a revogação da isenção tributária de até 50 dólares para as vendas das plataformas internacionais, e outras de médio e longo prazo, como a evasão fiscal, roubos e pirataria, que demandam medidas mais amplas, multidisciplinares e complexas. Mas, ambas são fundamentais.
Cabe imenso esforço em favor do equilíbrio orçamentário no setor público, da isonomia tributária e do combate à ilegalidade, pois é premente vencer os problemas que afetam o ambiente de negócios e dificultam o aumento da taxa de investimentos dos atuais 16% do PIB para cerca de 26%, índice balizador de um crescimento robusto e sustentado. Ademais, com o risco de piora do quadro fiscal, ressurge a possibilidade de se interromper o fluxo de queda dos juros ou até mesmo de o Banco Central voltar a aumentá-los para conter a inflação.
Para atenuar os fatores externos de instabilidade que nos afetam, não temos o poder de paralisar guerras, reduzir as tensões geopolíticas, controlar preços internacionais ou interferir nas decisões sobre juros do Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos. No entanto, devemos trabalhar juntos para solucionar os problemas internos do Brasil e seguir uma trilha mais segura de desenvolvimento socioeconômico.
*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - A conquista do pleno emprego

worldfashion • 02/05/24, 15:57

Por Rafael Cervone*

O Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio, alertou-nos este ano sobre a prioritária criação de empregos em larga escala, visando aumentar e distribuir melhor a renda, ampliar a inclusão e prover vida com mais qualidade aos brasileiros. O desafio é grande, considerando que o contingente de pessoas em busca de colocação no País encontra-se em torno de 8,3 milhões, o equivalente a cerca de 7% da população economicamente ativa. Assim, esforço concentrado deve ser feito em todas as frentes para solucionar esse gargalo.

Afinal, por mais que sejam pertinentes os programas de renda mínima, o trabalho é o principal fator de justiça social, erradicação da miséria e exercício das prerrogativas da cidadania. A propósito, o mais relevante indutor da geração de empregos em profusão é o crescimento sustentando do PIB em patamares expressivos.
Por isso, é premente eliminar os entraves que emperram nossa economia, sintetizados no “Custo Brasil” e em suas múltiplas causas, dentre as quais os impostos excessivos, incluindo os ônus trabalhistas, insegurança jurídica, ciclos prolongados de juros elevados e dificuldade de acesso ao crédito. Também cabe atenção ao equilíbrio fiscal, importante para reforçar a confiança dos setores produtivos, reduzir pressões inflacionárias e atrair investimentos. É preciso buscar soluções para todos esses pontos.
A reforma tributária sobre o consumo foi uma vitória, tendo potencial para resolver parte do problema, desde que sua regulamentação, em curso no Congresso, estabeleça alíquotas racionais, não crie privilégios e seja feita dentro dos prazos compatíveis com o cronograma das mudanças. Também é urgente iniciar a votação da reforma administrativa, que está parada. Em meio a todas as providências necessárias à melhoria do ambiente de negócios, à dinamização do nível de atividade e ao aumento da competitividade, muitas de médio ou de longo prazo, são fundamentais iniciativas eficazes mais imediatas voltadas à criação e preservação de postos formais de trabalho.
Uma delas é a manutenção da desoneração da folha de pagamentos até 2027, conforme lei aprovada pelo Parlamento. Diante de seu significado para a economia, os 17 setores mais intensivos em mão de obra e as cerca de nove milhões de pessoas que empregam, é preocupante a insistência do governo em derrubá-la. Depois de esgotar todas as possibilidades de reverter a deliberação dos senadores e deputados federais, inclusive por meio de medida provisória, o Executivo recorre agora ao Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a constitucionalidade da matéria. Seria de bom senso rever essa posição renitente e acatar a reiterada decisão do Legislativo.
Dentre as ações de curto prazo, a que tem o maior potencial para estimular um grande número de contratações é a Nova Indústria Brasil (NIB), política pública federal lançada este ano, que prevê financiamentos de R$ 300 bilhões em quatro anos. É crucial o cumprimento dessa agenda, pois o fomento do setor, como se observou em vários países, é essencial para um robusto crescimento sustentado, elevação do patamar de renda e inclusão socioeconômica.
Uma indústria forte proporciona oportunidades de boas carreiras profissionais a um número maior de habitantes, paga salários maiores e favorece o avanço social. Também promove a inovação, o aporte tecnológico e a exportação de bens com alto valor agregado. Portanto, desempenha papel crucial na economia e na sociedade e é estratégico para consolidar a inserção segura do Brasil no cenário global
Há totais condições de viabilizar o desenvolvimento. Para isso, porém, precisamos remover os obstáculos históricos que travam nosso progresso e garantir o êxito de planos como a NIB. Todo empenho deve ser feito para que, nos próximos anos, possamos comemorar o Dia do Trabalho com a conquista do pleno emprego.

*Rafael Cervone, engenheiro e empresário, é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

ARTIGO - Uma agenda estratégica para o êxito da nova política industrial

worldfashion • 23/04/24, 11:12

Por Fernando Valente Pimentel*

No âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB), além das seis missões do programa, é preciso identificar metas e o desempenho do setor. Os seguintes indicadores devem ser considerados: expansão anual da manufatura e da sua taxa de investimentos; evolução do emprego; e aumento da sua participação no PIB dos atuais 15% para 18% em 10 anos.

Quanto aos investimentos do setor, estudo da FIESP aponta a necessidade de R$ 456 bilhões anuais em uma década, ante os R$ 256 bilhões atuais, com uma diferença, portanto, de R$ 200 bilhões. Assim, são muito bem-vindos os investimentos de R$ 300 bilhões da NIB no período de 2024 a 2026, que se somarão aos aportes já feitos hoje pelo setor e reduzirão a defasagem apontada pela entidade.

Outros pontos críticos são os custos trabalhistas e do capital e acesso ao crédito, acordos internacionais, carga tributária e isonomia, como defendemos agora, preconizando o fim da isenção de impostos federais nas vendas de até 50 dólares das plataformas internacionais de e-commerce.

Os segmentos têxtil e de confecção dependem de investimentos em bens de capital e capacitação de recursos humanos. Sua cadeia de valor demanda novas tecnologias e mais produtos sustentáveis e tem espaço para o design avançado, economia criativa e conexão com a arte, pois todo esse universo influencia as tendências da moda e consome produtos do setor.

Nossa indústria tem amplas possibilidades de se projetar nas compras governamentais, têxteis técnicos, descarbonização, defesa, saúde, agro, infraestrutura e sustentabilidade. Há fatores limitantes, como as margens de lucro muito comprimidas e o fato de as empresas investirem cerca de 80% com capital próprio.

Em 2023, o investimento da indústria têxtil e de confecção em máquinas e equipamentos, 85% dos quais são importados, foi de R$ 5 bilhões, aquém do necessário. O setor necessita de investimentos maiores para ganhar competitividade no mercado interno e no comércio global da área, de US$ 800 bilhões anuais, sendo a China a líder, com mais de 30%.

O fomento industrial é relevante para o Brasil, cujo PIB, a despeito do avanço do agronegócio, serviços, mineração, petróleo e gás, segue evoluindo de modo lento e abaixo do ideal de 4% ao ano. Para dinamizar o crescimento, é crucial a expansão da manufatura, como ocorreu em várias nações. Por isso, o sucesso da NIB pode ser um ponto de inflexão no desenvolvimento nacional.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Atendimento à imprensa - Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação

Seguem abaixo as seis missões promovidas pelo plano NOVA INDÚSTRIA BRASIL - NIB uma política industrial que representam áreas prioritárias para o desenvolvimento industrial no Brasil:

Áreas a serem promovidas

1- Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar, nutricional e energética

2- Complexo econômico industrial da saúde resiliente para reduzir as vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso à saúde

3- Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para a integração produtiva e o bem-estar nas cidades

4- Transformação digital da indústria para ampliar a produtividade

5- Bioeconomia, descarbonização, e transição e segurança energéticas para garantir os recursos para as futuras gerações

6- Tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais

Missão 1

A missão 1 envolve a promoção de cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar:

METAS:

Aumentar a participação do setor agroindustrial no PIB agropecuário para 50% (índice atual: 23%);

Alcançar 70% de mecanização na agricultura familiar (índice atual: 18%);

Fornecer pelo menos 95% de máquinas e equipamentos nacionais para agricultura familiar;

Garantir a sustentabilidade ambiental na agroindústria.

DESAFIOS:

Aumento da produtividade no campo;

Aumento do valor agregado da produção agrícola brasileira;

Alinhamento das políticas industrial e de comércio exterior;

Mecanização da agricultura familiar;

Aumento do uso de bioinsumos para a produção de alimentos e na agropecuária;

Desenvolvimento de máquinas, equipamentos e insumos nacionais para reduzir risco de variações de oferta internacional.

ÁREAS PRIORITÁRIAS

Equipamentos para agricultura de precisão;

Máquinas agrícolas para a grande produção e para a agricultura familiar;

Biofertilizantes.

Missão 2

A missão 2 consiste na promoção do complexo econômico industrial da saúde resiliente para reduzir as vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso à saúde que estão subdivididas:

METAS:

Ampliar a participação da produção no país de 42% para 70% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, materiais e outros insumos e tecnologias em saúde.

DESAFIOS:

Redução da dependência externa de insumos farmacêuticos ativos (IFA) de saúde, atualmente em 90%, na ordem de US$ 20 bilhões;

Alinhar as políticas industriais e de comércio exterior;

Aumentar a efetividade da indução ao investimento privado;

Reduzir do custo do crédito, especialmente para equipamentos e insumos;

Aumentar a produção nacional de equipamentos médicos, que hoje atende 50% da demanda;

Integrar e articular do uso do poder de compra nos diversos entes federativos;

Promover inovações disruptivas na área da saúde.

ÁREAS PRIORITÁRIAS:

Fármacos, medicamentos e terapias avançadas;

Vacinas, soros e hemoderivados;

Dispositivos médicos;

Tecnologias da informação e conectividade.

Missão 3

A missão 3 aborda a promoção de infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para a integração produtiva e o bem-estar nas cidades que estão subdivididas:

METAS:

Reduzir em 20% o tempo de deslocamento de casa para o trabalho (atualmente esse tempo médio é de 4,8 horas semanais);

Aumentar em 25 pontos percentuais a participação da produção brasileira na cadeia da indústria do transporte público sustentável (atualmente em 59% para ônibus elétricos).

DESAFIOS:

Qualificação de mão de obra;

Ampliação da oferta de produção nacional de insumos específicos;

Racionalização da carga tributária para construção industrializada;

Soluções construtivas e de materiais adequados para as particularidades regionais;

Redução da dependência de importações de partes e componentes para a cadeia produtiva da mobilidade, por meio da produção nacional;

Agregação de valor sobre recursos minerais no país.

ÁREAS PRIORITÁRIAS:

Eletromobilidade;

Cadeia produtiva da bateria;

Construção civil digital e de baixo carbono;

Indústria metroferroviária.

Missão 4

A missão 4 consiste na promoção da transformação digital da indústria para ampliar a produtividade que estão subdivididas:

METAS:

Transformar digitalmente 90% das empresas industriais brasileiras, assegurando que a participação da produção nacional triplique nos segmentos de novas tecnologias. Atualmente 23,5% das empresas industriais são digitalizadas, no que diz respeito ao uso ou adoção de novas tecnologias.

DESAFIOS:

Formação e capacitação em TIC’s e semicondutores no ensino superior;

Coordenação e colaboração entre governo, ICT’s e empresas em torno de prioridades nacionais;

Disseminação do uso de plataformas digitais nacionais nos diversos setores da economia;

Ampliação do investimento em inovação e internacionalização para modernização da infraestrutura e exportações em TIC’s;

Redução da dependência de soluções importadas, geradas pelo baixo desenvolvimento de hardware no país.

ÁREAS PRIORITÁRIAS:

Indústria 4.0;

Produtos digitais;

Semicondutores.

Missão 5

A missão 5 envolve a promoção da bioeconomia, descarbonização, e transição e segurança energéticas para garantir os recursos para as futuras gerações que estão subdivididas:

METAS:

Promover a indústria verde, reduzindo em 30% a emissão de CO2 por valor adicionado da indústria, atualmente em 107 milhões de toneladas por trilhão de dólares;

Ampliar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes, que atualmente é de 21,4%;

Aumentar o uso tecnológico e sustentável da biodiversidade pela indústria em 1% ao ano, conforme informações registradas no SisGen/MMA.

DESAFIOS:

Ampliação de parcerias entre academia, setor privado e fundos internacionais para pesquisa aplicada;

Ampliação do incentivo à inovação tecnológica com foco na descarbonização;

Qualificação profissional com foco nos setores de bioeconomia e transição e eficiência energéticas;

Regulamentação de compras governamentais com foco na bioindústria;

Redução da dependência externa de equipamentos para a geração de energia renováveis.

ÁREAS PRIORITÁRIAS:

Bioenergia;

Equipamentos para a geração de energia renovável;

Cosméticos.

Missão 6

A missão 6 aborda a promoção de tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais que estão subdivididas:

METAS:

Obter autonomia na produção de 50% das tecnologias críticas para a defesa, a partir da elaboração da lista dessas tecnologias.

DESAFIOS:

Estabelecimento de instrumentos adequados para promoção, financiamento e constituição de garantias nas exportações de produtos de defesa;

Articulação dos recursos para o desenvolvimento espacial;

Ampliação da infraestrutura laboratorial;

Adensamento das cadeias produtivas de defesa e aeroespacial.

ÁREAS PRIORITÁRIAS:

Energia Nuclear;

Sistema de comunicação e sensoriamento;

Sistema de propulsão;

Veículos autônomos e remotamente controlados.

Financiamento

O NIB inclui investimentos de R$300 bilhões para financiamentos direcionados a esta política de industrialização até o ano de 2026. Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio afirmou que com este crédito: “a questão do financiamento para pesquisa e inovação está bem equacionada”. O montante será gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Críticas

Para os críticos, o plano do governo é uma reedição de propostas mal sucedidas de governos petistas anteriores, com destaque para as executadas durante a gestão da presidente Dilma Rousseff, que não tiveram efeito duradouro após o fim dos subsídios e do protecionismo.

Outros críticos questionam a retomada de investimento nas obras da Refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, empreendimento envolvido na operação Lava-Jato, cujas obras serão retomadas a partir de 2024. Atualmente, a refinaria produz 100 mil barris de petróleo por dia. A Petrobrás planeja investir 6 bilhões de reais na ampliação da capacidade, para refinar diariamente 260 mil barris de petróleo.

Referências

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BRESSER-PEREIRA, L.C.. Desenvolvimento e crise no Brasil: história, economia e política de Getúlio a Lula. São Paulo: Editora 34, 2003. Pág. 49-50

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Bibliografia

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FEIJÓ, Carmen; FEIL, Fernanda; TEIXEIRA, Fernando Amorim. “Neoindustrialização – Reindustrialização e Transição Sustentável”. Boletim FINDE, v. 4, n. 2, 2023, pp. 3-17.

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LULA DA SILVA, Luiz Inácio; ALCKMIN, Geraldo. “Neoindustrialização para o Brasil que queremos”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 25 maio de 2023, p. A5.

MACHADO, João Guilherme Rocha Machado; KRIEGER, Morgana G. Martins. “Stability and Change in Industrial Policies in Brazil: A Public Policy Perspective”. In: Anais do 5ª ENEPCP: Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas, v. 5, 2023.

MOURA, Rafael; GUEDES, Isabelle. “Desindustrialização, Reindustrialização e Neoindustialização: O Governo Lula III e um debate imperativo ao país”. Boletim GEEP, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, 2023, pp. 20–33.

FONTE: Wikipédia

ARTIGO - Nova Indústria Brasil pode alavancar o PIB

worldfashion • 31/01/24, 10:04

Por Fernando Valente Pimentel*
A Nova Indústria Brasil (NIB), lançada pelo governo, é uma política de Estado fundamental para recuperar a competitividade do setor, paulatinamente corroída nas últimas três décadas, nas quais a manufatura foi perdendo seu vigor e reduzindo sua participação no PIB nacional. O parque fabril tem, agora, clara oportunidade de recuperar seu protagonismo no contexto econômico nacional.
As perspectivas são positivas, considerando os investimentos previstos de R$ 300 bilhões no período de 2024 a 2026, no âmbito do Plano Mais Produção, integrante da NIB e gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que mobilizará a maior parte dos recursos (R$ 250 bilhões), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). É importante a identificação da origem das verbas, para que se possa acompanhar sua efetiva aplicação e até mesmo cobrar a efetividade do cronograma dos aportes, prerrogativa do setor privado legitimada por sua participação na concepção do programa, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).
O dinheiro será fundamental para a viabilização dos investimentos previstos, cujas diretrizes contribuirão para o necessário movimento de retomada industrial em bases sustentáveis, com ganhos de produtividade, inovação e capacidade para conquistarmos os mercados mundiais, passando a exportar mais produtos com maior valor agregado. Esses impactos serão melhor dimensionados quando conhecermos as taxas de juros, carência, prazos de pagamento e garantias exigidas. Fator também importante é o foco na transição energética e digital, sustentabilidade socioambiental e fomento da pesquisa e ciência.
Medidas como linhas especiais de financiamento e utilização de créditos tributários para investimentos ajudarão a impulsionar a indústria e melhorar o seu grau de competitividade. Outros aspectos relevantes são a redução do tempo de análise dos pedidos de patentes e a racionalização de taxas portuárias e de procedimentos aduaneiros.
Cabe acentuar que o novo programa é baseado em práticas internacionais bem-sucedidas. Se implementado com eficácia e eficiência, contribuirá para que tenhamos manufatura sustentável, inovadora e capaz de concorrer em melhores condições no comércio global e no próprio mercado interno, cada vez mais disputado por empresas de todo o mundo. É uma iniciativa que tem potencial, ao longo de sua execução até 2033, não apenas para impulsionar a indústria, como também para aumentar o PIB nacional. Somente os países que promoveram o fortalecimento do seu parque fabril conseguiram crescer de modo robusto durante períodos longos.
Sem dúvida, o impulsionamento setorial é decisivo para que o País retome crescimento econômico sustentado e vigoroso, ascenda ao patamar de economia de renda alta, promova inclusão social em larga escala e proporcione mais bem-estar à população. Afinal, a indústria tem o maior fator de multiplicação dentre todos os segmentos, com índice de 2,15 pontos. Ou seja, cada real investido na atividade gera R$ 2,15 na economia. Por tudo isso, as entidades de classe do setor têm defendido sua modernização e fortalecimento como prioridade nacional.
É preciso somar forças para que a NIB concretize-se e produza os resultados há tempo esperados quanto à revitalização industrial. Para isso, porém, é crucial que se solucionem alguns gargalos persistentes há décadas, responsáveis pela desindustrialização e enfraquecimento da economia nacional. Todos esses obstáculos constituem o “Custo Brasil”. Um deles é o peso dos impostos, que começa a ser solucionado com a reforma tributária. Outro é a taxa de juros, invariavelmente alta durante longos períodos, que encarece o custo do dinheiro e inibe investimentos e o consumo. Não é sem razão, por exemplo, que cerca de 70% das empresas do setor têxtil e de confecção utilizem recursos próprios nos financiamentos, em vez de recorrer ao crédito.
Também é decisivo garantir isonomia tributária, pois não há indústria, por mais moderna e competitiva intramuros que seja, capaz de competir, inclusive no mercado interno, com empresas menos taxadas. Vivemos, neste exato momento, um exemplo tácito do problema, com a isenção de impostos federais para compras de até 50 dólares nas plataformas internacionais de e-commerce. Tal distorção, que se configura como concorrência desigual, já provoca danos nas fábricas e no varejo, em especial de roupas e acessórios, com impacto nos empregos e na produção.
Mitigar o “Custo Brasil” também implica a redução dos encargos trabalhistas do País, um dos mais elevados do mundo. Estamos em meio à discussão do prolongamento da desoneração da folha de pagamentos até 2027. Esta medida é necessária, mas é crucial encontrarmos modelo eficaz, mais amplo e definitivo para diminuir os ônus inerentes à contratação e manutenção de empregos formais.
Igualmente determinante é a segurança jurídica – para possibilitar a previsibilidade, o planejamento das empresas e mais confiança para investir –, bem como a pública, pois a criminalidade, além da inaceitável ameaça à vida, tem gerado despesas cada vez mais elevadas para os negócios e afugentado o capital. É preciso, ainda, recolocar a reforma administrativa na pauta do Congresso Nacional, para que concretizemos o propósito de racionalizar e modernizar o Estado, aumentando sua produtividade e capacidade de entregar melhor educação, saúde, segurança e habitação à sociedade.
Os desafios são muitos, mas a NIB, dado o seu potencial de proporcionar um salto no desenvolvimento brasileiro, estimula os setores público e privado a buscarem soluções mais amplas e integradas, essenciais para mudar a História. É hora de mostrarmos que somos capazes de conceber uma política industrial moderna e executá-la de maneira efetiva, com métricas e mecanismos de avaliação permanentes para corrigirmos o que for preciso e fortalecermos as ações que proporcionem o maior retorno possível ao capital alocado. O Brasil precisa, o Brasil merece!
*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - Moda do futuro

worldfashion • 21/11/23, 08:39

O que se projeta para o setor têxtil e indústria da moda daqui 10 anos?

*Por Karin Hellen Froehlich

A indústria da moda sempre foi um playground para inovações e tem por premissa atender uma das necessidades mais básicas do homem: cobrir o corpo. O Brasil é a maior cadeia têxtil completa do Ocidente, isso significa que temos desde a produção de fibras, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções até chegar no varejo. O faturamento da cadeia têxtil e de confecção brasileira chegou a R$ 190 bilhões em 2021 (IEMI 2022). Além disso, o setor da confecção é o segundo maior empregador da indústria de transformação, perdendo apenas para alimentos.

No entanto, hoje a indústria da moda vive um momento de dualidade: a agilidade e avanço disruptivo rumo a um futuro com novas tecnologias emergindo. E do outro lado, a sustentabilidade e ameaças climáticas em ascensão nesta que é uma das indústrias mais poluentes do planeta.

Portanto, o que pensar da moda daqui 10 anos? Com certeza a adaptação será uma ordem ao novo cenário da indústria da moda. À medida que as tendências acima mencionadas se tornam mais evidentes e implementadas mundialmente, as marcas que se tornarem mais responsivas às necessidades do mercado terão vantagem competitiva neste ambiente de rápida mudança. Da preocupação com a emissão de carbono na atmosfera até adoção da inteligência artificial, a indústria da moda está mudando e não vamos mais olhar para trás. Nenhuma marca ou varejista será capaz de evitar as pautas de sustentabilidade e digitalização, categorias que ao meu olhar, são as principais que determinarão as tendências da moda no futuro.

Hoje os consumidores têm inúmeras informações disponíveis na palma de suas mãos, trazendo uma dependência da indústria da moda nas ferramentas digitais. Além disso, clientes esperam por experiências personalizadas e recompensas por sua fidelidade. Uma pesquisa realizada pela Accenture revelou que 48% dos consumidores esperam tratamento especializado simplesmente pelo fato de serem clientes recorrentes.

Portanto, aqui estão algumas visões que acredito para o desenvolvimento da moda do futuro:

Saúde em foco: hoje já são experimentadas propriedades promotoras de saúde aplicadas em malhas e tecidos, como nanocápsulas integradas na trama que melhoram a regeneração da pele, ou aplicação de aloe vera para hidratação. Há ainda fios inteligentes que funcionam como condutores de dados para medir pontos de pressão e até mesmo fornecedores de energia para gerar calor ou esfriar regulando a temperatura corporal. Provavelmente este será um tópico que impulsionará o mercado sportswear a longo prazo.

Sustentabilidade: desde o lançamento do Pacto Global da ONU, fazendo luz à maior iniciativa de sustentabilidade corporativa mundial, este tema é uma megatendência que definirá a moda do futuro. A marca Patagônia, por exemplo, utiliza algodão regenerativo e promove produtores nos Estados Unidos que aderiram ao projeto. North Face também é uma marca que caminha nessa mesma direção. Além disso, há tendência para modelos de consumo alternativos, como o mercado de segunda mão que prevê um aumento para 34 mil milhões de euros até 2025. Pensando de maneira geracional, a geração Z estará mais interessada em usar peças do que as possuir.

Generalismo com os dias contados: há uma boa posição para marcas que oferecerão uma única categoria de produto como especialidade absoluta e assim alcançarão um alto nível de credibilidade. Trata-se do alinhamento de produtos de acordo com a necessidade customizada de um cliente, usando da tecnologia como a digitalização da cadeia de processos. No varejo não será diferente, há oportunidades para multicanais mais rápidos e adaptados às exigências de experiências dos consumidores. Amparados pela tecnologia, varejistas poderão usar ferramentas para obter o máximo de dados ao seu favor, como necessidades e comportamentos dos consumidores a fim de promover experiências mais personalizadas, como recomendação de produtos, comunicação mais exclusiva, levando a uma jornada de compra mais satisfatória para o cliente. Por consequência, melhora o desempenho dos negócios através de taxas de conversão e retenção.

Tecnologia pulverizada: com o avanço da inovação tecnológica, a moda sobe para um novo nível. Hoje já não é mais facilmente possível distinguir entre uma imagem de produto gerada digitalmente e uma fotografia. Isso abre possibilidades completamente novas para esse segmento: ferramentas de visualização 3D, modelagem digital, funcionalidades inteligentes, tecnologias vestíveis, além da adoção da tecnologia no processo fabril. A Sensoria Smart Socks, por exemplo, desenvolveu meias que detectam qual parte dos pés sofre mais pressão durante uma corrida. Com a crescente do e-commerce, produtos digitais serão experimentados através de avatares, desfiles de moda digitais e finalmente o metaverso, que abre um playground completamente novo para a moda digital.

Todas essas macrotendências abrem possibilidades completamente novas para a moda. Difícil falar tudo o que sairá do âmbito de tendência para concretizar como uma verdade comercial absoluta, porém, ao fazermos progressos para eliminar técnicas ambientalmente abusivas, adotarmos a inovação tecnológica ao nosso favor, práticas mais éticas em todo o ecossistema têxtil e primar pela qualidade, a moda em geral seguirá para um bom caminho.

Acima de tudo, meu maior desejo para nós, como indústria da moda, é permanecermos curiosos: estarmos ativamente abertos para novas descobertas, termos um olhar otimista em relação ao futuro, contar com profissionais que mudarão as coisas para o melhor. O mercado é altamente favorável para inovação, o que hoje parece fantástico e irreal, na verdade está muito próximo de se tornar algo normal.

*Karin Hellen Froehlich é Gerente de Marketing Global da Texneo, uma das maiores indústrias têxteis da América Latina.

ARTIGO - A prioritária agenda da produtividade

worldfashion • 13/11/23, 14:07

Por Fernando Valente Pimentel*


É importante termos consciência e diagnosticarmos com precisão o problema, para buscar soluções adequadas. No site Observatório da Produtividade “Regis Bonelli” do FGV IBRE, consta que o desempenho da indústria nacional nesse quesito caiu 0,2% ao ano entre 1995 e 2021, passando de R$ 38,8 por hora trabalhada para R$ 36,6. É preciso reagir já, pois se trata de melhorar a eficiência da economia.

Um país com alta produtividade é capaz de produzir mais bens e serviços com menos recursos, propiciando aumento do consumo sem gerar inflação de demanda, mais investimentos e exportações, incrementando a geração de renda e melhorando sua distribuição. Os reflexos são diretos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no qual, segundo o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), continuamos em má posição, ocupando o 87º lugar entre 191 países.
O grande paradoxo entre essa classificação e nosso porte de nona maior economia explica-se em grande parte pela baixa produtividade. Por isso, precisamos melhorar muito nesse ponto, pois isso nos proporcionaria numerosas vantagens, a começar pelo crescimento econômico sustentado e sustentável, com maior produção de bens e serviços e aumento substantivo do PIB.
Outro ganho seria a melhoria do padrão de vida, com o aumento da massa salarial e da renda per capita, sem a necessidade de majoração dos bens e serviços. Ou seja, os trabalhadores passariam a ganhar mais dinheiro sem ter de pagar mais pelos itens consumidos.
Também daríamos um salto na competividade internacional. Com maior produtividade, produziríamos mais, com menor preço, ganhando maior capacidade de concorrer no mercado global. Isso significaria mais exportações, ingresso maior de divisas e atração de investimentos produtivos. Há, ainda, o ganho ambiental, pois, produzindo mais com menos, economizamos energia, recursos naturais e água, preservando a natureza e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.
Para conquistarmos o necessário avanço de produtividade, é pertinente conhecermos bem quais são os fatores que a afetam. O primeiro deles é o capital, cujo grau de disponibilidade determina a capacidade de investimentos na produção, máquinas e equipamentos avançados. Recursos humanos qualificados e bem-treinados também são essenciais, assim como a tecnologia e inovação. A combinação desses requisitos e o seu nível de desenvolvimento determinam a relação entre volume de produção e do montante de recursos nela empregados.
Para aumentar a produtividade, há uma série de políticas públicas a serem executadas com eficácia. Uma das prioridades é o investimento do governo em educação, infraestrutura e pesquisa e desenvolvimento, para que tenhamos novas gerações de cientistas e mão de obra altamente preparados e qualificados, inclusive com o olhar já voltado à digitalização da economia e ao advento da Indústria 4.0. O setor público também pode – e deve – promover a adoção de novas tecnologias por empresas e consumidores, bem como incentivar a inovação por meio de políticas fiscais e regulatórias.
Os desafios são grandes, pois o ganho de produtividade exige medidas em diferentes áreas. Porém, se avançarmos simultaneamente em todos os fatores determinantes para seu fomento, ingressaremos num círculo virtuoso de progresso, contribuindo muito para ascendermos ao patamar dos países de renda alta. Eis uma agenda prioritária para os brasileiros.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).