2ª reunião do Grupo de Inteligência de 2025

worldfashion • 12/05/25, 13:59

Coordenado por Marcos Lélis, doutor em Economia e consultor setorial, o grupo  de Inteligência de Mercado da Assintecal, se reúne a cada dois meses para trazer números atualizados e projeções com base no panorama dos mercados nacional e internacional.

Na última reunião, Lélis considerou que  a guerra tarifária travada entre Estados Unidos e China tem reflexos distintos no mercado financeiro internacional, sendo o primeiro efeito a recessão da economia norte-americana, com juros em elevação, e a busca de mercados alternativos por parte dos exportadores chineses. O economista ressalta que o impacto, na cadeia calçadista brasileira, acontece, principalmente, pela China, que vem desovando sua produção em mercados importantes para o Brasil, impactando também as exportações nacionais. “Já o reflexo direto no mercado brasileiro é a não perspectiva de baixa dos nossos juros nos próximos meses, já que ambos - o norte-americano e o brasileiro - estão vinculados para não gerar desvalorização do Real”, explica, ressaltando que, no dia 7, a o Banco Central já havia ajustado a Selic para 14,75% ao ano, maior taxa desde 2006.

No Brasil, a recente valorização da moeda nacional sobre o dólar tem impacto na inflação, já que reflete nos preços da gasolina e dos alimentos. Segundo Lélis, mesmo com inflação acima da meta (3%), atualmente em 5,5%, não existe perspectiva de aumento ao longo do ano. A atividade econômica brasileira, que cresceu 3,8% no acumulado de 2025, é outro indicativo positivo. “O boletim Focus não vem alterando as projeções, sendo que seguimos com a de um crescimento de 2% no PIB em 2025 e de 1,2% em 2026”, conta.

Por outro lado, um impeditivo para o aumento do consumo no mercado doméstico segue sendo o alto endividamento das famílias, hoje em 77%, conforme pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Em 2015, esse índice era de 20%. Então, o endividamento segue sendo um impeditivo para o maior consumo no Brasil”, ressalta.

Análise setorial

Conforme Lélis, a produção da indústria calçadista nacional cresceu 0,8% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Embora positiva, a performance está bem abaixo do crescimento da média nacional, de cerca 3% no mesmo intervalo. “Acende a luz amarela no setor”, destaca. Para o ano, a projeção segue positiva, mas pode ser afetada pelas instabilidades internacionais nas exportações de calçados, que tiveram um incremento de 14%, em pares, no primeiro trimestre.

O encontro é aberto para associados da Assintecal. Mais informações pelo e-mail relacionamento@assintecal.org.br.

ARTIGO - “A reinvenção do fast fashion na era da sustentabilidade”

worldfashion • 29/04/25, 16:27

Por Symone Rech*

As transformações necessárias e vão muito além do uso de tecidos orgânicos ou reciclagem de embalagens. Se o problema da moda fosse apenas a matéria-prima, a gente já teria resolvido. O problema real é o modelo de negócio baseado em volume, velocidade e descarte rápido. É preciso reinventar toda a lógica de produção, consumo e relacionamento com o cliente.

Entre os exemplos que ilustram essa virada de chave está a norte-americana Patagonia, frequentemente citada como um case pioneiro em moda sustentável. Desde 1996, quando adotou o algodão orgânico, a marca vem desafiando o senso comum. Sua jaqueta fleece feita de garrafas PET recicladas tornou-se um ícone, mas o verdadeiro ponto de inflexão veio em 2011 com a campanha “Don’t Buy This Jacket”, veiculada na Black Friday. A provocação — pedindo que consumidores reconsiderassem a necessidade de novas aquisições — gerou polêmica, mas impulsionou um aumento de 30% nas vendas no ano seguinte.

O que a Patagônia mostra é que sustentabilidade autêntica não espanta o consumidor, ela o atrai. Quando a marca alinha discurso e prática, constrói lealdade. Sustentabilidade não é um freio, é um novo motor de crescimento.

Uma das principais apostas para tornar a moda mais sustentável é o desenvolvimento de produtos inteligentes — peças que entregam mais valor com menor impacto e volume. A lógica é simples: em vez de estimular trocas constantes de guarda-roupa, oferecer roupas funcionais, duráveis e atemporais.

A japonesa Uniqlo é referência nesse modelo, com suas linhas Heattech e Airism, que ajustam a temperatura corporal de acordo com o clima. Essas tecnologias oferecem conforto térmico em diferentes estações, reduzindo a necessidade de múltiplas peças para o mesmo fim. É um exemplo clássico de produto funcional.

O consumidor precisa de menos roupas para se adaptar a diferentes temperaturas, o que reduz o consumo desnecessário.

Na mesma linha, marcas como Levi’s apostam em peças atemporais como pilar estratégico. O modelo 501, por exemplo, permanece praticamente inalterado há décadas e continua sendo best-seller. “A Levi’s construiu um império sobre um produto clássico. Toda marca deveria ter o seu ‘501’: um item que vende sempre, independente de modismo e garante previsibilidade financeira”, acrescenta.

Outra frente que ganha tração é a da circularidade. Marcas estão investindo em reparo, revenda, aluguel e até recarga de produtos. A britânica Selfridges criou o programa RE-SELFRIDGES, com metas ambiciosas: até 2030, 45% de suas transações devem vir de modelos circulares. A parceria com a startup SOJO — especializada em consertos — garantiu um espaço permanente de reparos dentro da loja. Além disso, clientes podem revender itens de luxo e receber crédito, alugar roupas e até recarregar embalagens de beleza.

É uma mudança de mentalidade e de negócio. Em vez de depender de vendas únicas e descartáveis, essas empresas estão apostando em serviços recorrentes, que fidelizam o cliente e reduzem o impacto ambiental.

Se a sustentabilidade ainda carrega o estigma de ser “careta”, marcas como a Osklen vêm desmentindo esse mito. Desde 1998, a grife brasileira alia design sofisticado a práticas sustentáveis. Por meio do projeto e-fabrics, utiliza materiais como couro de pirarucu, juta da Amazônia e algodão orgânico. A proposta é oferecer não apenas moda ética, mas também estética refinada e conexão com a natureza.

As pessoas não compram só porque é ecológico. Compram porque é bonito, funcional e desejável. A estética precisa andar junto com a ética.

Apesar das iniciativas promissoras, o alerta é que muitas marcas sustentáveis erram ao comunicar sustentabilidade como se todo o público já estivesse convencido.

As marcas falam como se todos os consumidores já estivessem na ‘maioria inicial’ da curva de difusão da inovação. Mas a maioria ainda não vê valor real nisso. A proposta é aplicar a lógica da Curva de Adoção da Inovação, de Everett Rogers, adaptada à moda.

Para os inovadores — cerca de 2,5% do mercado — a chave está em oferecer produtos disruptivos, com alta tecnologia e apelo exclusivo. A marca britânica Vollebak, por exemplo, vende peças feitas com cobre, grafeno ou madeira flexível.

Eles não vendem sustentabilidade. Vendem o futuro.

No grupo dos early adopters, consumidores influentes e ligados ao luxo buscam status e diferenciação. Marcas como Veja, Stella McCartney e a própria Patagonia conseguiram se posicionar nessa camada, oferecendo produtos que unem propósito e prestígio.

Já para a maioria inicial, composta por consumidores mainstream, o foco está na validação social. Aqui, o importante é mostrar que todo mundo já está fazendo. Criar normas sociais, facilitar o acesso e tornar o sustentável mais prático do que o convencional. A Allbirds é um bom exemplo. A marca vende tênis sustentáveis, mas seu principal argumento é o conforto. Já H&M e Zara inseriram coleções ecológicas como parte das opções regulares, sem criar uma seção isolada para “moda verde”.

O futuro é inteligente — e desejável

No fim das contas, o caminho para a sustentabilidade não será pavimentado apenas com boas intenções ou campanhas pontuais. Ele exige uma transformação profunda na maneira como a indústria cria, vende e se relaciona com o consumidor.

O futuro da moda sustentável não depende de convencer as pessoas a comprar menos. Ele depende de criar produtos tão bons, tão icônicos e tão desejáveis que as pessoas naturalmente queiram comprar — e manter. As marcas que vão crescer não são as que produzem mais, mas as que constroem mais valor.

*Symone Rech é especialista em negócios de moda e fundadora da New & Now uma plataforma de conteúdo e pesquisa de moda que conecta o mercado brasileiro às tendências internacionais com foco em resultados comerciais, a ferramenta transforma tendências globais em coleções lucrativas para pequenos e médios empreendedores, oferecendo análises personalizadas, guias estratégicos e acesso a pesquisas realizadas em capitais da moda como Paris, Londres e Milão.

LEI DO BEM

worldfashion • 13/12/24, 15:56

19 Anos da Lei do Bem: avanços, desafios e o futuro da inovação no Brasil

Por Rafael Costa *

Completando 19 anos de existência neste mês de novembro, a Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) firmou-se como o principal mecanismo de estímulo à inovação no Brasil, impulsionando a competitividade e o avanço tecnológico nas empresas. Voltada para companhias tributadas pelo regime de Lucro Real, essa legislação oferece incentivos fiscais estratégicos, permitindo a dedução ampliada de despesas com Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Para se ter uma dimensão de seu impacto, dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) revelam que, entre 2014 e 2022, 18.171 projetos foram submetidos à Lei do Bem por 5.588 empresas. Esses números evidenciam como essa legislação tem sido relevante para viabilizar e impulsionar investimentos em inovação no cenário empresarial brasileiro. Contudo, após quase duas décadas de sua sanção, algumas reflexões se fazem necessárias, como quais avanços concretos foram alcançados, quais desafios ainda limitam seu potencial e, principalmente, quais são as perspectivas de evolução dessa política para enfrentar as demandas de um mercado em constante transformação?

Principais marcos e desafios

Do ponto de vista legal, não houve avanços significativos em relação à Lei do Bem, embora alguns Projetos de Lei (PLs) que propõem melhorias tenham sido apresentados. Uma das mudanças mais relevantes na regulamentação, no entanto, foi a exigência de que o MCTI emita um parecer técnico para todas as empresas que solicitam os benefícios fiscais, independentemente de aprovação. Essa medida trouxe mais transparência e previsibilidade ao processo de análise, incentivando a adesão de novas companhias.

Ainda assim, a Lei do Bem enfrenta barreiras que limitam seu alcance. Um dos principais entraves é a exigência de lucro fiscal, que exclui do programa empresas que não apresentam resultados positivos ao final do exercício. Por outro lado, outros programas de incentivo à inovação têm adotado abordagens mais inclusivas.

A Lei de Informática, por exemplo, foi atualizada para conceder créditos financeiros proporcionais aos investimentos em PD&I, independentemente do lucro fiscal. Da mesma forma, o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) também segue essa lógica, permitindo a geração de créditos tributários com base nos gastos em PD&I, sem considerar a variável do lucro fiscal. Essas alternativas demonstram que políticas mais flexíveis têm potencial para engajar um maior número de empresas no ecossistema de inovação.

A adesão regional à Lei do Bem: um panorama desigual

Os dados do MCTI indicam uma distribuição desproporcional no que diz respeito a adesão à Lei do Bem entre as regiões brasileiras. Considerando o período entre 2014 e 2022, o Sudeste liderou com 10.823 submissões, seguido pelo Sul com 5.309. Esse contexto pode ser explicado pela alta concentração de indústrias no Sudeste, que abriga o principal polo econômico do país, além da infraestrutura avançada e a presença de hubs de tecnologia na região Sul, fortalecendo sua capacidade de inovação e desenvolvimento tecnológico.

Em contraste, o Nordeste (849 candidaturas), Centro-Oeste (741) e Norte (449) apresentaram adesão significativamente menor. No caso do Nordeste, os desafios estão relacionados, especialmente, na escassez de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

No Centro-Oeste, apesar da força do agronegócio como principal base econômica, a menor diversificação industrial resulta em uma demanda reduzida por inovações tecnológicas. Já a região Norte enfrenta barreiras ainda mais acentuadas, especialmente no que diz respeito à infraestrutura e à logística. Com uma economia focada no extrativismo, há atualmente uma menor presença de indústrias e centros de pesquisa.

Setores da economia: potencial inexplorado

A adesão setorial à Lei do Bem também varia. Entre 2014 e 2022, os setores com menor participação foram a Agroindústria (1,2%), Construção Civil (1,2%), Papel e Celulose (1,2%), Têxtil (0,9%) e Telecomunicações (0,8%), segundo o MCTI.

Entretanto, embora apresentem baixa adesão, esses setores possuem um enorme potencial de inovação. A Agroindústria, por exemplo, apresenta vastas oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias que aumentem a produtividade, promovam práticas mais sustentáveis e reduzam impactos ambientais.

A Construção Civil, por sua vez, é um campo promissor para o avanço de técnicas construtivas inovadoras e materiais sustentáveis, alinhados às tendências de eficiência energética. Já o setor de Papel e Celulose, poderia aproveitar os benefícios da Lei para aprimorar a eficiência dos processos produtivos e otimizar o uso de recursos naturais, contribuindo para a competitividade e sustentabilidade da indústria.

Na indústria Têxtil, a crescente demanda por soluções de moda sustentável e a necessidade de mitigar impactos ambientais abrem espaço para inovações em processos de produção, materiais ecológicos e tecnologias de economia circular. Por fim, o setor de Telecomunicações, peça-chave na transformação digital e na conectividade global, encontra na Lei do Bem uma oportunidade para desenvolver redes 5G, aplicações de Internet das Coisas (IoT) e soluções de Inteligência Artificial (IA).

Perspectivas para o futuro: a Lei do Bem como vetor estratégico

A cultura de investimento em inovação no Brasil ainda é incipiente, limitando a plena utilização dos benefícios previstos na Lei do Bem. Em muitos casos, as empresas enxergam o incentivo apenas como um meio para o fim e não um fim para o meio, ou seja, não se trata de uma mera forma de recuperar impostos, mas sim um importante catalisador de transformação tecnológica e competitiva.

Nesse sentido, as consultorias especializadas têm desempenhado um papel estratégico, ajudando empresas a navegar pelo processo de adesão à Lei do Bem com eficiência e segurança jurídica. Para além do compliance, é fundamental que as organizações integrem a inovação em suas estratégias centrais, rastreiem seus projetos de forma sistemática e tratem a Lei do Bem como um instrumento para alcançar sustentabilidade e vantagem competitiva.

No âmbito governamental, avanços estruturais, como revisão da exigência de lucro fiscal, podem ampliar o alcance da Lei. É igualmente relevante que o incentivo seja inserido no contexto da reforma tributária, considerando potenciais impactos decorrentes da reestruturação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ).

O fato é que a inovação se tornou um pilar estratégico para o fortalecimento da nova indústria brasileira e, consequentemente, para o desenvolvimento econômico do país. Enquanto as entidades governamentais buscam equilibrar prioridades emergenciais, a expectativa é que a Lei do Bem receba atenção renovada, sendo aprimorada como parte de uma agenda ampla de incentivo à inovação. Empresas e governo, juntos, precisam enxergar a inovação não apenas como um custo, mas como um investimento prioritário para alavancar o desenvolvimento do futuro do Brasil.

*Rafael Costa é Director Latam Hub do FI Group, consultoria especializada na gestão de incentivos fiscais e financiamento à Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).

DELTA MÁQUINAS TÊXTEIS

worldfashion • 30/10/24, 10:30

A consultoria gratuita que a empresa oferece, tem o objetivo de, além de entregar tecnologia têxtil de ponta, garantir que os equipamentos sejam usados em seu máximo potencial.

“A consultoria, realizada após a instalação dos equipamentos, permitirá otimizar a operação, reduzir falhas e, consequentemente, aumentar a qualidade e eficiência produtiva”, explica o CEO da Delta Máquinas, Fábio Kreutzfeld.

Entre os equipamentos incluídos na ação estão soluções como o elevador de rolos, a lavadora de amostras, a revisadeira de tecidos e a relaxadeira de malhas e tecidos, que são essenciais para automatizar, padronizar e acelerar processos nas indústrias de confecção.

“A Delta busca não só fornecer máquinas têxteis, mas um serviço completo que ajude as empresas a atingirem novos patamares de produtividade e competitividade”, pontua o Kreutzfeld.

Essa oportunidade promete agregar ainda mais valor ao investimento dos clientes, já que a consultoria oferecida pela Delta será personalizada de acordo com as necessidades de cada empresa. Para as empresas interessadas, o benefício está disponível até o final de 2024, mas a consultoria está limitado apenas aos cinco primeiros compradores de máquinas específicas da linha de confecção.

Sobre a Delta Máquinas Têxteis - Fundada em 2007 em Pomerode (SC), a Delta Máquinas Têxteis é referência em tecnologia para otimização da produção industrial têxtil através do desenvolvimento de máquinas, equipamentos e softwares. São mais de 50 produtos em seu portfólio, aplicados aos processos de tecelagem plana, malharia circular, estamparia, acabamento e confecção. A Delta desenvolve ainda projetos de automação exclusivos, de acordo com a necessidade de seus clientes. Com foco na indústria 4.0, alinha automação, gestão de dados e padronização de processos inteligentes, possui mais de 300 clientes localizados no Brasil, Argentina, Paraguai, Peru, Equador, Colômbia, El Salvador, Honduras, Guatemala e México.

da redação com informações da Trevo Comunicação