POLO DE MODA DO BOM RETIRO
worldfashion • 17/11/25, 14:29A região do Bom Retiro, reúne 780 unidades fabris e 804 pontos de venda, formando um ecossistema de produção, distribuição e abastecimento do varejo de moda para diferentes regiões do país, operando com média de 26 trabalhadores por empresa.
O levantamento compara o desempenho do Polo com os principais recortes territoriais da indústria de vestuário e aponta o Bom Retiro como um núcleo produtivo de alta densidade. No Brasil, há 20.776 indústrias do setor de Vestuário, que empregam 937.674 trabalhadores e produzem 5,36 bilhões de peças ao ano, com valor de produção estimado em R$ 170,6 bilhões.
No Estado de São Paulo, são 4.873 indústrias, 211.421 trabalhadores, 1,28 bilhão de peças anuais e R$ 40,7 bilhões em valor de produção. Na capital, 2.328 indústrias reúnem 83.957 trabalhadores, com 368,6 milhões de peças e R$ 23,9 bilhões em valor de produção.
Em termos proporcionais, os números do Bom Retiro representam 16,0% das indústrias do setor no Estado, 23,1% da mão de obra da cidade, 13,7% da produção em peças na capital e 22,1% do valor de produção da cidade, evidenciando a região como uma das maiores densidades produtivas do setor no país.
O perfil das empresas reforça esse caráter. A grande maioria opera em formato de loja (93,2%), com produção própria (97%). Apenas 2,2% compram peças para revenda sob marca própria e 0,7% comercializam marcas de terceiros, o que reforça a identidade autoral e a independência produtiva do polo.
Trata-se, majoritariamente, de pequenas e médias confecções: 46,1% possuem até 10 funcionários, 29,7% mantêm equipes entre 11 e 29 colaboradores, 10,3% têm entre 30 e 49 funcionários e 5,1% contam com mais de 100 empregados.
O levantamento mostra ainda que 87,1% das lojas mantêm a unidade fabril no próprio Bom Retiro. Apenas 7,6% possuem produção em outros bairros da cidade de São Paulo, 1,2% em outras cidades do estado e 1,1% em outros estados brasileiros. Já 3% das empresas não possuem unidade fabril.
CENTRAL DOS LOJISTAS DE VESTUÁRIOS
O perfil de clientes confirma o papel do Polo de Moda do Bom Retiro como centro de abastecimento para o varejo nacional. Ao todo, 93,5% das lojas atendem lojistas especializados em vestuário (como multimarcas, boutiques, lojas de bairro, redes e departamentos de moda), 61,8% vendem para sacoleiras e revendedores e 38,7% também atendem o consumidor final. Além disso, 4,0% comercializam para lojas não especializadas (como Pernambucanas, Americanas e hipermercados como Carrefour), 3,6% têm como destino o comércio, 1,9% destinam parte da produção à exportação e 0,9% atendem o segmento institucional (como hotéis, pousadas, clínicas, laboratórios e empresas).
O Polo tem na moda feminina sua linha predominante, presente em 87,3% das lojas pesquisadas, com destaque para a moda casual, que representa 20,9% desse mercado. Os demais segmentos incluem linhas masculinas, sociais, festa, íntima, bebê e infantil, o que amplia a capacidade de abastecimento do varejo nacional.
As vendas presenciais seguem como base da operação: 100% das lojas realizam atendimento físico no Polo. Ao mesmo tempo, a digitalização avança: 70,3% das lojas afirmam vender também pela internet. No atendimento e negociação, o WhatsApp é o principal canal, utilizado por 90,3% das empresas. Além disso, 53,7% mantêm e-commerce próprio, 53,0% vendem por marketplaces voltados ao atacado e 47,3% por marketplaces voltados ao varejo.
“O Bom Retiro ainda é subavaliado em termos de percepção pública. Há quem o associe apenas ao comércio popular, quando, na prática, estamos falando de um polo produtivo que abastece o varejo nacional e que gera emprego, turismo e renda A região concentra desenvolvimento, modelagem e produção, com velocidade de resposta e leitura rápida de tendências, antecipando movimentos que chegam das passarelas internacionais. Lojistas de diferentes estados vêm ao Polo para abastecer suas coleções. É um ativo econômico da cidade que precisa ser reconhecido como tal”, afirma Cinthia Kim, presidente da ABIV Associação Braisileira da Indústria do Vestuário.
REPOSICIONAMENTO
O Censo integra o plano de reposicionamento do Polo de Moda do Bom Retiro, conduzido pela ABIV - Associação Brasileira da Indústria do Vestuário, e impulsionado pela entrada de uma nova geração de empresários — muitos deles filhos e netos de imigrantes que fundaram as confecções há três ou quatro décadas e que agora imprimem ao bairro um olhar de marca, competitividade, estratégia comercial e fortalecimento do território. O objetivo é reposicionar o Bom Retiro e seu Polo de Moda, valorizando o potencial econômico de uma região que abastece lojistas do país inteiro e que historicamente movimenta a economia paulistana.
A divulgação do Censo ocorre em paralelo à implementação de um sistema de vigilância integrado, no qual estão previstas 80 câmeras de monitoramento 24h instaladas nas principais ruas comerciais, conectadas diretamente à central da Polícia Militar. O projeto, que recebeu um investimento na implantação na ordem de R$ 500 mil, já conta com 66 câmeras em funcionamento (das 80 previstas), com conclusão prevista ainda este ano.
“UMBR” UNIVERSO DA MODA BOM RETIRO
O fortalecimento da marca - UMBR - Universo da Moda Bom Retiro, tem articulado parcerias com comerciantes de outros polos de moda do país, com foco nos revendedores regionais. Já está em andamento um projeto-piloto no qual mostruários de confecções circulam entre lojistas de diferentes estados, apresentando o polo como um hub nacional de abastecimento e referência para o atacado.
O plano inclui ainda negociações com marketplaces e apps de varejo para melhorar condições de entrada e operação das confecções dentro dessas plataformas, além da criação de um hub de conteúdo para auxiliar marcas que não possuem equipes de marketing a divulgarem seu portfólio.
Capacitações em vendas, legislação, consultoria de estilo, além de benefícios como assessoria jurídica, desconto em serviços como de logística, correio, transações financeiras e certificações também fazem parte das medidas para impulsionar o comércio local.
Para 2026 estão previstos ainda o desenvolvimento de um aplicativo voltado ao atacado, como ferramenta de vendas e relacionamento com compradores, além da criação de uma plataforma de empregos. A iniciativa responde a uma demanda recorrente do polo: o alto volume de vagas abertas ao longo do ano, reflexo do aumento no fluxo de consumidores atacadistas e varejistas na região.
da redação com informações da Upperpr Comunicação