CONGRESSO INTERNACIONAL BRASIL 2026
worldfashion • 24/09/26, 10:26A transformação da indústria da moda se inova a cada coleção, com novas produções, fibras diferenciadas, inovação tecnológica dos tecidos, impactos de robôs e inteligência artificial são as novas realidades no mundo fashion. Sem contar com as mudanças geopolíticas, novas exigências regulatórias e relevante busca por produção sustentável são algumas das questões que estarão no centro do Congresso Internacional Brasil 2026, que acontecerá nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Convenções de Fortaleza.
Com mais de 400 congressistas presenciais e cerca de 30 painelistas nacionais e internacionais, a edição de 2026 amplia o diálogo entre empresas, entidades e mercados.
Promovido pela ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, em parceria com a ITMF - International Textile Manufacturers Federation e a IAF International Apparel Federation, o encontro terá como tema “Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades” e reunirá lideranças empresariais, especialistas, pesquisadores e representantes da indústria de diferentes países.
Será uma edição marcada pela presença internacional e pelo confronto de diferentes visões sobre o mercado global, o Congresso coloca em pauta temas que ultrapassam as fronteiras da indústria e impactam diretamente as decisões de empresas, governos e cadeias produtivas: barreiras ambientais e técnicas, acordos comerciais, defesa comercial, rastreabilidade, circularidade, sustentabilidade, transformação digital e as novas configurações do comércio internacional.
O novo capítulo da moda cearense
A história da moda no Ceará foi construída por milhares de empresas, trabalhadores, empreendedores e indústrias que transformaram a confecção em uma atividade econômica de grande relevância regional.
Agora, o desafio é dar um novo salto: agregar valor, ampliar a internacionalização, investir em tecnologia, fortalecer marcas, incorporar sustentabilidade e transformar a capacidade produtiva em maior reconhecimento global.
Quando o assunto é moda brasileira, o eixo Rio-São Paulo costuma ocupar os holofotes. Mas, longe desse circuito tradicional, o Ceará vem consolidando uma posição estratégica na indústria da moda nacional. O Estado reúne uma cadeia produtiva que vai da indústria têxtil e produção de fibras à confecção, atuando tanto no atacado, quanto no varejo, criando um ecossistema capaz de transformar matéria-prima, conhecimento e criatividade em negócios.
Os números ajudam a dimensionar essa força. Somente em Fortaleza, existem 26.618 CNPJs ativos relacionados à cadeia da moda, segundo levantamento da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE), com dados da Receita Federal. São 15.336 empresas de varejo de moda, 9.683 negócios de confecção, 1.010 estabelecimentos ligados à fabricação de produtos têxteis e 589 empresas atacadistas.
O Estado possui indústrias de fiação, tecelagens planas e de malha, confecções, beneficiamento, produção de aviamentos e componentes. Segundo o Governo do Ceará, essa estrutura integrada representa mais de 100 mil postos de trabalho diretos.
Essa diversidade permite que o Ceará seja mais do que um polo de fabricação. É um território onde produção, distribuição, varejo e consumo convivem em uma mesma cadeia, característica importante para uma indústria que precisa responder rapidamente às mudanças de comportamento e às novas demandas do consumidor.
O cenário é favorável. O Estado possui uma cadeia produtiva integrada, mão de obra especializada, polos industriais consolidados, forte mercado atacadista e varejista e experiência crescente no comércio exterior.
Por isso, olhar para o Ceará hoje é olhar para uma das faces mais dinâmicas da transformação da moda brasileira. “E Fortaleza, ao sediar o Congresso Internacional Brasil 2026, terá a oportunidade de apresentar ao mundo não apenas a beleza e a criatividade do Nordeste, mas a capacidade industrial, empresarial e inovadora de uma região que já produz moda em escala e agora quer ampliar sua presença no mercado global”, declara Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.
Geopolítica e Geoeconomia: o mundo que está redesenhando os negócios
Mais do que uma sequência de palestras, o encontro pretende criar um ambiente de troca entre empresas, especialistas e lideranças de diferentes mercados, combinando conhecimento, networking e discussão estratégica.
A abertura do Congresso será conduzida por Paulo Portas, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, com a palestra “Geopolítica e Geoeconomia: Tendências de um mundo em transformação”.
A apresentação parte de uma questão que ganhou importância estratégica para as empresas: como tomar decisões de negócios em um cenário internacional marcado por conflitos, mudanças nas alianças comerciais, políticas industriais, barreiras tarifárias e reorganização das cadeias globais.
A discussão interessa diretamente à indústria têxtil e de confecção porque as transformações geopolíticas já influenciam custos, fornecedores, mercados de exportação, investimentos e estratégias de produção.
A nova geografia da indústria e as oportunidades para economias emergentes
O primeiro painel do Congresso discutirá “A nova geografia da indústria e as oportunidades para as economias emergentes”.
A discussão parte de uma transformação importante: a produção mundial está passando por uma reconfiguração, influenciada por custos, tecnologia, proximidade dos mercados consumidores, segurança das cadeias de suprimentos e decisões geopolíticas.
Para países emergentes, esse processo pode representar tanto um desafio quanto uma oportunidade.
O Brasil entra nesse debate com uma característica particular: possui uma cadeia têxtil e de confecção integrada, que reúne diferentes etapas, da produção de fibras à indústria e ao varejo.
O painel também coloca em discussão a capacidade de países como o Brasil de atrair investimentos, ampliar sua participação nas cadeias internacionais e desenvolver produtos de maior valor agregado.
E busca colocar diferentes perspectivas na mesma mesa, aproximando representantes da Europa, Estados Unidos, China e Brasil para discutir como preservar a competitividade e, ao mesmo tempo, construir uma indústria mais sustentável e preparada para as transformações globais.
Futuro das Fibras: a matéria-prima que pode definir a próxima geração da indústria
Um dos destaques da programação será o painel “Futuro das Fibras”, que reunirá Andreas W. Engelhardt, da The Fiber Year; Haroldo Cunha, da Abrapa; Carlos Fernandes, da ABRAFAS; Fernando Prudente, da Bayer; e Eduardo Ferlauto, das Lojas Renner.
A discussão será estratégica porque as fibras estão no início de praticamente todas as decisões relacionadas à cadeia têxtil.
O debate abordará diferentes caminhos para o futuro das matérias-primas, incluindo fibras naturais, artificiais e sintéticas, além de questões relacionadas à inovação, sustentabilidade, origem e competitividade.
De um lado, cresce a busca por matérias-primas naturais e por cadeias com maior transparência. De outro, a indústria avança na criação de fibras sintéticas e materiais capazes de oferecer novas funcionalidades e desempenho.
A grande questão será entender como equilibrar inovação, disponibilidade de matéria-prima, sustentabilidade, custo, desempenho e demanda do consumidor.
Modelos produtivos: velocidade, flexibilidade e proximidade com o mercado
Outro destaque será o painel “Modelos produtivos: velocidade, flexibilidade e proximidade com o mercado”, que reunirá Bill McRaith, da Future-Proof Fashion; Daniel Milaré, da On; Alex Zucchi, da CEMATEX; e Luca Sburlati, da Confindustria Moda.
A discussão parte de uma mudança profunda no comportamento do mercado: consumidores esperam novidades com maior rapidez, enquanto marcas e varejistas precisam responder a oscilações de demanda em ciclos cada vez menores.
Nesse cenário, o modelo tradicional de produção em grandes volumes e longos ciclos passa a conviver com estratégias baseadas em agilidade, flexibilidade, automação, proximidade e capacidade de resposta.
O painel deverá discutir como a indústria pode reorganizar sua produção e sua cadeia de suprimentos para reduzir riscos, responder mais rapidamente ao mercado e aproximar fabricação e consumo.
Comércio e regulamentação: um novo cenário para a indústria
No segundo dia, o Congresso avançará para uma das questões mais sensíveis para empresas que atuam internacionalmente: “Comércio e Regulamentação: O Novo Cenário”.
Para a indústria têxtil e de confecção, regulamentação deixou de ser apenas uma questão de conformidade. Ela interfere diretamente em acesso a mercados, custos, competitividade, rastreabilidade, sustentabilidade, comércio eletrônico e relações com consumidores.
Outro momento importante da programação será dedicado às “Novas expectativas, dados e mudanças de comportamento de mercado imprevisível”.
A indústria vive uma mudança na relação com o consumidor. Dados, inteligência artificial, redes sociais, comércio eletrônico e novas formas de interação estão alterando a maneira como tendências surgem e desaparecem.
“A própria organização do Congresso destaca a inteligência artificial, a digitalização e a transformação tecnológica entre os temas que já estão moldando o presente da cadeia têxtil e de confecção”, declara Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.
Sobre a Abit
Fundada em 1957, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) representa 25,3 mil empresas instaladas em todo o território nacional, de diferentes portes. Juntas, essas empresas empregam mais de 1,3 milhão de trabalhadores e registraram faturamento anual de R$ 212,6 bilhões em 2024.
Informações: www.congressoabit.com.br
da redação com informações de Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação