NOTA DE REPÚDIO

worldfashion • 14/05/26, 16:53

ABIT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE CONFECÇÃO

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifesta profunda preocupação e repudia a decisão anunciada pelo Governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”. Trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil.

Em vez de fortalecer a indústria nacional, o varejo formal, os empregos e a arrecadação do País, a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais. Trata-se de um tratamento desigual, danoso à indústria e ao varejo nacionais.

Os dois setores atendem, há décadas, consumidores de todas as faixas de renda, oferecendo produtos acessíveis, qualidade, inovação e diversidade. Além disso, geram milhões de empregos formais. Cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor abaixo de US$ 50, justamente a faixa que agora volta a receber tratamento favorecido para produtos importados.

É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos, custos logísticos, exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional. Cabe lembrar que as indústrias fabricantes dos produtos que ingressam via plataformas eletrônicas já têm subsídios em seus países. O fim da taxa representa mais uma subvenção, mas concedida pelo governo brasileiro.

A decisão também representa um duro golpe sobre os investimentos produtivos, a geração de empregos formais e toda a cadeia têxtil e de confecção do Brasil. Esta é uma das maiores geradoras de empregos industriais do País e presente em mais de 60% dos municípios brasileiros. Cabe enfatizar que as mulheres representam  80% dos postos de trabalho do setor. Ou seja, a medida afeta de modo grave as trabalhadoras brasileiras.

Além disso, a medida impactará negativamente a própria arrecadação pública. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal, demonstrando que havia um caminho de maior equilíbrio competitivo e formalização do comércio eletrônico internacional.

O Brasil precisa fortalecer sua produção, ampliar sua competitividade e estimular investimentos industriais. A revogação da “taxa das blusinhas” conspira contra esses objetivos, aprofundando a dependência externa e desestimulando aqueles que aqui produzem sob regras rígidas e custos elevados.

A Abit seguirá atuando com firmeza perante o Congresso Nacional e as autoridades competentes em defesa da indústria nacional, do emprego formal, da concorrência justa e do desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.

Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit)

SINDITÊXTIL-SP SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE FIAÇÃO E TECELAGEM DO ESTADO DE SÃO PAULO

O Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), entidade com 94 anos de história na defesa do setor, manifesta seu mais veemente repúdio à decisão do Governo Federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Esta medida é um retrocesso gravíssimo que penaliza diretamente quem produz, investe e gera riqueza no Brasil.

São Paulo é o “coração pulsante” da indústria têxtil brasileira, sendo responsável por quase 30% da produção nacional. Com aproximadamente 6.500 empresas espalhadas pelo Estado, o setor sustenta mais de 370.000 empregos diretos em toda a sua cadeia produtiva. A isenção concedida às plataformas internacionais de e-commerce desestabiliza esse ecossistema, criando uma concorrência desleal e predatória que ameaça a sobrevivência de milhares de confecções e fiações paulistas.

Os impactos econômicos e sociais são devastadores. É inadmissível que a indústria nacional, que opera sob regras rígidas, custos logísticos elevados, juros altos e uma pesada carga tributária, tenha que enfrentar concorrentes estrangeiros subsidiados que agora recebem nova subvenção do próprio governo brasileiro.  Cerca de 80% das peças têxteis comercializadas no Brasil custam menos de US$ 50, justamente a faixa impactada pela medida. Como as mulheres representam 80% da força de trabalho do setor, a revogação da taxa afeta de forma desproporcional as trabalhadoras brasileiras.  Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a tributação sobre essas encomendas gerou R$ 1,78 bilhão para os cofres públicos. Abrir mão desses recursos em um momento de busca por equilíbrio fiscal é uma decisão contraditória e irresponsável.

O Sinditêxtil-SP, em conjunto com a Abit , CNI, Fiesp, Ciesp e a Coalizão Prospera Brasil, reafirma que a isonomia tributária não é um privilégio, mas uma condição básica para a justiça concorrencial. Não pedimos proteção, mas sim o direito de competir com as mesmas armas.

Exortamos o Governo Federal e o Congresso Nacional a agirem em defesa da indústria nacional e do varejo formal. O futuro de centenas de milhares de famílias paulistas e o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil não podem ser sacrificados em favor de plataformas estrangeiras que não geram empregos nem investem em nosso País.

Sinditêxtil-SP -  Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo

ABIV - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO

A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV), entidade que representa o Polo do Bom Retiro, em São Paulo, e empresas do segmento do vestuário de diferentes estados, repudia a decisão anunciada pelo Governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.

Grande parte dos produtos comercializados no Polo de Moda do Bom Retiro está justamente na faixa de preço afetada pela medida, abaixo de US$ 50, o que torna a concorrência com plataformas estrangeiras ainda mais direta e sensível para o setor.

Hoje, cerca de 95% das confecções do Polo são pequenas e médias empresas. A região movimenta R$ 5,3 bilhões por ano na produção de vestuário, fabrica 50,5 milhões de peças anualmente e concentra 19,4 mil trabalhadores em um único bairro da capital paulista. A grande maioria das empresas opera em formato de loja, 93,2%, e possui produção própria, 97%.

Ao beneficiar tributariamente as plataformas estrangeiras no acesso ao mercado nacional, o governo sacrifica empresas brasileiras, sobretudo as micro e pequenas, que produzem, empregam, investem, convivem diariamente com custos tributários elevados, juros altos, despesas logísticas e um ambiente regulatório complexo e sustentam a arrecadação do país.

Aos consumidores, um convite à reflexão. Ao optar por produtos importados sem a mesma carga tributária e sem o mesmo nível de exigências regulatórias, quem perde é o Brasil: são menos empregos, menos investimentos, menor arrecadação e menos oportunidades para milhões de brasileiros.

A ABIV seguirá atuando com firmeza junto ao Congresso Nacional e às autoridades competentes em defesa da isonomia competitiva, para assegurar que empresas nacionais e estrangeiras estejam sujeitas, no mínimo, às mesmas regras e condições de competição.

Cinthia Kim | Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV).

SINDIJOIAS-SP

“O Sindilojas-SP manifesta posição contrária e enxerga com muita preocupação o recente movimento do governo federal, de publicação da medida provisória que extingue o imposto para compras em sites internacionais para compras até US$ 50. A taxação até então vigente contribuía para reduzir distorções competitivas históricas, desencadeando efeitos positivos na economia, como a retomada do crescimento em segmentos relevantes do varejo, o aumento da geração de empregos e a ampliação de investimentos produtivos, além do fortalecimento da indústria nacional e maior previsibilidade para o ambiente de negócios.

Ao se posicionar de maneira contrária à revogação da “Taxa das blusinhas”, o Sindilojas-SP reforça uma atuação histórica em defesa do comércio varejista da capital paulista, especialmente no que diz respeito à proteção do mercado interno e à promoção de condições equitativas de concorrência. A entidade tem, ao longo dos anos, pautado junto ao poder público a necessidade de isonomia tributária como elemento central para garantir competitividade, estimular investimentos e preservar empregos, e seguirá atuando contra o retrocesso que a publicação dessa MP representa, e que tem impacto direto sobre a atividade econômica, a geração de renda e a sustentabilidade das empresas nacionais. A entidade seguirá defendendo a continuidade do aperfeiçoamento do sistema tributário, sempre com foco na justiça fiscal e no fortalecimento do ambiente de negócios no País.” – Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP

da redação

CALÇADOS - 101ª EDIÇÃO MICAM MILANO 2026

worldfashion • 25/02/26, 17:03

A feira que ocorreu entre os dias 22 e 24 de fevereiro, em Milão, na Itália, teve a participação de 71 marcas verde-amarelas, que abriram 448 novos contatos durante os três dias.

No evento, as calçadistas comercializaram, in loco, 273 mil pares, que geraram mais de US$ 8,4 milhões. Somando as expectativas em negócios que ficaram alinhavados na feira, o número salta para 1 milhão de pares e US$ 20,4 milhões.

A coordenadora de Negócios da Abicalçados, Paola Pontin, destaca que esta edição da Micam Milano foi marcada pela diversidade de países que circularam pelos corredores do evento.

“Tivemos resultados muito positivos, apesar dos desafios globais enfrentados pelo setor e da redução de compradores do Oriente Médio, já que a feira coincidiu com o período do Ramadã. Após o evento, percebemos que os negócios reportados pelas empresas, inclusive, superaram os números da edição de inverno da Micam do ano passado. Dessa forma, a feira demonstra que o grupo brasileiro conseguiu manter mercados e estabelecer novos contatos, o que é fundamental em um evento como esse”, comenta Paola.

“Positiva em vários sentidos.” Essa é a avaliação da feira feita pelo gerente de exportação da Opananken Antitensor (Franca/SP), Leandro Moscardini, ao citar que a mudança de localização no evento possibilitou a abertura de novos contatos durante os três dias.

“Tivemos cinco pedidos fechados durante a Micam, inclusive uma compradora já fez o pedido para duas estações. A maioria dos clientes que estiveram no nosso estande comentaram que sempre visitam a Micam e não conheciam a empresa. Essa nova posição possibilitou vários contatos em mercados como Austrália, Estados Unidos, Japão, Índia, Coreia, Estônia, China, Taiwan, Kuwait, Ilhas Maurício e Singapura”, fala Moscardini, ao ressaltar que em pelo menos seis desses países eles ainda não atuavam.

Já confirmados para a edição de setembro, o gerente de exportação destaca, ainda, a sinalização positiva que foi sentida diante da redução da tarifa para os Estados Unidos.

“Dois clientes que não estavam mais comprando com a taxação nos visitaram e estão voltando agora que teve a diminuição.”

Brasil é destaque na passarela

Essa edição da Micam Milano teve desfiles de moda nos dois primeiros dias do evento. E o Brasil, que é a segunda maior delegação internacional da feira, brilhou na passarela. Afinal, 17 marcas verde-amarelas tiveram calçados selecionados para esta que é uma das ações mais esperadas da mostra: Andacco, Arezzo, Camminare, Carrano, Dinasty, JotaPe, Lightgel, Luiza Barcelos, Madeira Brasil, Melissa, Piccadilly, Ramarim, Santa Lolla, Schutz, Variettá, Vizzano e Werner.

Selecionada para o desfile, a marca Dinasty da Calçados Sandra (Nova Hartz/RS) participou pela primeira vez da feira nesta edição. O diretor comercial da empresa, Fábio Emílio Hartz, comenta que esse movimento representa uma retomada de mercados para a calçadista, que já trabalhou a exportação muito forte no passado e agora está com um projeto estratégico de expansão.

“Ficamos contentes em ver o nosso calçado no desfile. E aqui na Micam conseguimos iniciar esse processo ao encontrar e iniciar um contato com potenciais clientes no Oriente Médio, Ásia, África, Europa e América Latina. Tivemos dois pedidos fechados nestes dias e essa presença é importante para mostrar ao mercado a qualidade de produção e de design da fábrica.” A ideia é voltar para a edição de setembro para dar continuidade ao trabalho já iniciado” completou Fábio Emílio Hartz

Presente há vários anos na feira, a Santa Lolla (Itajaí/SC) também está voltando para o Brasil feliz com os resultados do evento. A gerente de exportação da empresa, Haide Sehen, destaca o movimento dos dois primeiros dias.

“Nos surpreendemos com o fluxo de visitantes para uma edição de inverno. Todos os clientes se encantaram com a coleção, em que trouxemos características do Brasil, com o trabalho artesanal dos trançados e cores vibrantes. A tendência é abrir novos mercados a partir dos contatos realizados, além da manutenção de clientes”, diz, ao lembrar que seis sapatos da Santa Lolla brilharam nas passarelas da feira. “Essa seleção também foi muito gratificante porque traz mais visibilidade para a marca.” disse Haide Sehen

A 101ª edição da Micam Milano teve a participação, com o apoio do Brazilian Footwear, das marcas Actvitta, Adrun, Anatomic Prime, Anatomic Shoes, Andacco, Archetti, Arezzo, Azillê, Beira Rio, Bibi, Bonton Leather Care, BR Sport, Camminare, Capelli Rossi, Carrano, Cartago, Cecconello, Comfortflex, Cristófoli, Degalls, Democrata, Dinasty, Ferracini, Grendene, Grendha, Guilhermina, Ipanema, Itapuã, Jorge Bischoff, Jotape, Killana, Levecomfort, Leveterapia, LigthGel, Loucos &  Santos, Luiza Barcelos, Luz da Lua, Madeira Brasil, Melissa, Mini Melissa, Modare Ultraconforto, Moema, Moleca, Molekinha, Molekinho, New Face, Opananken Antitensor, Pegada, Petite Jolie, Piccadilly, Quiz, Ramarim, Renata Mello, Rider, Santa Lolla, Santinelli, Savelli, Schutz, Suzana Santos, Usaflex, Valentina, Variettá, Verofatto, Vicenza, Villione, Vinci Shoes, Vizzano, Voices Culture, Werner, Wirth e Zaxy.

Sobre a Abicalçados:

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) é a entidade que representa a indústria nacional, quarta maior produtora de calçados do mundo, a maior do Ocidente. Fundada em 1983, a Abicalçados, sediada em Novo Hamburgo/RS, possui em seu quadro de associados empresas de todos os portes e que respondem por mais de 65% do total de pares produzidos no País. A entidade representa uma indústria que emprega, diretamente, mais de 290 mil pessoas. Sua missão é representar, defender, desenvolver e promover a indústria calçadista brasileira, com respeito, excelência e resultados. Saiba mais: abicalcados.com.br.

Sobre Brazilian Footwear:

O Brazilian Footwear é um programa de incentivo às exportações desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a ApexBrasil. Este programa tem como objetivo aumentar a presença da indústria brasileira e de suas marcas no mercado internacional por meio de ações de desenvolvimento, promoção comercial e de imagem. Atualmente, cerca de 300 empresas são atendidas pelo Programa, que no último ano gerou US$ 128,3 milhões para as empresas brasileiras apoiadas pelo Brazilian Footwear. A participação é gratuita e os interessados devem entrar em contato com a Abicalçados.   Conheça: brazilianfootwear.com.br | abicalcados.com.br/brazilian-footwear.

Sobre a ApexBrasil:

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do País.

da redação com informações do assessor de imprensa Diego Rosinha

33ª edição INSPIRAMAIS - THE TURNING POINT

worldfashion • 04/02/26, 17:17

Os materiais lançados desta edição norteiaram a pesquisa  e seguiram a metodologia da Pirâmide, que levam em consideração os insights de que os 10% (laboratório de inovação e topo da pirâmide), 30% (materiais em desenvolvimento no meio da pirâmide) e 60% (produtos já aprovados pelo mercado e base da pirâmide).

Na pesquisa The Turning Point os 10%, tem como referência a obra “Ponto de Mutação”, escrita por Fritjof Capra em 1981. Segundo Rodrigues, “vivemos tempos muito semelhantes aos vividos na década de 1980, com um mundo mais fechado, protecionismo crescente, tarifas extras e polarização”. A obra referenciada traz a necessidade de um ponto de mutação sob uma perspectiva ecológica e feminina. Dentro do contexto, a pesquisa aponta que passamos de uma Modernidade Líquida, conceito popularizado por Bauman no qual tudo era líquido e fluído, para uma Modernidade Gasosa, em que as coisas já não apenas fluem, mas “evaporam no ar”, dando a ideia de volatilidade e velocidade.

Partindo desse ponto, a The Turning Point trouxe três temas.

O primeiro deles é o “Gasoso Holístico”, que com um ponto de vista feminino aponta o design como meio de contemplação, regeneração e afeto com tecnologia. A moda, aqui, é auxiliada pelas tecnologias de Inteligência Artificial (IA). Neste tema, predominam materiais com transparências, tules, nylons, volumes e misturas.

Já o tema “Gasoso Biológico” é influenciado pelo ancestral digital, com texturas orgânicas, muitas camadas, aspectos celulares (de plasma), aspectos gelatinosos, amorfismo e futurismo, tudo também com o auxílio da IA. Já os materiais de destaque são biopolímeros, nanoceluloses e tecidos desenvolvidos com cultura de bactérias.

O terceiro tema é “Ruptura”, que reforça a necessidade de romper com os padrões, com as formas conservadoras, visando a recuperação da individualidade perdida em meio a um mundo homogêneo e permeado de repetições. Para as criações de materiais, as influências predominantes são as construções tridimensionais, com dobras abruptas, sobreposições e fragmentações, colocando o corpo como base para a criação de novas geometrias.

A cartela de cores da The Turning Point trouxeram como cores principais o violeta ice, o amarelo e o acqua.


BIOMA AMAZÔNICO

O projeto Iconografia Local Bioma Amazônico, lançado na COP30, em novembro passado, foi apresentado pelo Walter Rodrigues na companhia do designer de moda Leandro Castro, que desfilou o projeto nas passarelas do São Paulo Fashion Week (SPFW).

A iniciativa, realizada nos territórios de Santarém, distrito de Alter do Chão, Belterra e Mojuí dos Campos, desenvolveu uma pesquisa territorial aprofundada com foco na identidade local. A investigação contemplou elementos como agricultura familiar, turismo, artesanato, gastronomia, música, madeira, castanhas, pesca (pirarucu), óleos essenciais, ciência/medicina natural, biomateriais, entre outros aspectos da cultura local. A partir dos insumos criativos da pesquisa, a Assintecal auxiliou 19 empreendimentos locais no desenvolvimento de produtos e serviços com identidade territorial, valorizando e estimulando a bioeconomia local.

Segundo Rodrigues, a pesquisa serviu como base para desenvolvimento de coleções inovadoras. No total, foram desenvolvidos mais de 80 novos materiais e soluções das empresas Amazoniere, Amélias da Amazônia, Biojoias Natureza Viva, Chácara Nova Esperança, Casa do Eltom, Coomflona – Cooperativa Mista da Flona Tapajós, Cuias Aíra – Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan), Deveras Amazônia, Escola Indígena Borari Antônio de Sousa Pedroso, Etno Confecções Borari – Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, H Móveis Madeira, Quintal Produtivo Belt Bom, Loja Zagaia, Mestre Jefferson Paiva, Nunghara Biojoias, Pousada do Mingote, Quilombo de Murumurutuba – Rafro Modas, Quilombo de Murumurutuba – Azearte, Trançados do Arapiuns e Viveiro Floresta Ardosa.

SPOILER DA PESQUISA DO PRÓXIMO LANÇAMENTO

Foi apresentado pelo Walter Rodrigues em companhia de Marnei Carminatti, coordenador do Preview do Couro do Salão,  a apresentação da pesquisa “Essência”, que guiará os materiais que serão lançados na próxima edição do INSPIRAMAIS, nos dias 7 e 8 de julho, em São Paulo/SP.

O ponto de partida da pesquisa foi repensar o conceito de luxo, cada vez mais ameaçado pela competição baseada em preços. Segundo Rodrigues, existe um descolamento entre preço e valor percebido, gerando questionamentos por parte dos consumidores. “Isso obriga as grandes marcas a ressignificar a palavra e justificar a sua existência”, ressalta. Com isso, aparece a “essência” como uma retórica inegável. É preciso resgatar a importância do luxo como aspecto de raridade, herança histórica e autoridade cultural.

O primeiro tema da pesquisa é o “Purismo”, que valoriza o silêncio, a pausa em meio ao excesso e a ancestralidade, em um “retorno ao essencial”. Entre os materiais, aparecem com destaque os acetinados, os couros limpos, os laços, as peles exóticas e a impressão sobre couro vacum, sempre com aspectos que remetem à leveza, à alta costura, ao classicismo e à delicadeza. “Aparece muito forte também a camurça, trazendo o seu toque suave, o brilho delicado, os metalizados e o croco”, acrescenta Rodrigues.

O segundo tema é o “Popismo”, que celebra o “excesso com intenção”. “É o luxo que se afirma no exagero, na intensidade da cor e na força das estampas”, informa o criativo, destacando que os materiais desenvolvidos são inspirados no barroco e na cultura pop, com muita sinuosidade, teatralidade e estímulo sensorial.

“Se o purismo valoriza a pausa, o popismo reivindica a intensidade. É capital cultural em ebulição, uma mistura de referências que resgata arquivos, cria abundância e ludicidade”, acrescenta.

Entre as referências, aparecem o estampismo com flores, referências à natureza e cores mais intensas.

A cartela de cores será composta, principalmente, por tons de cobre, vermelho e verde.

O salão  INSPIRAMAIS é uma uma realização da Assintecal em parceria com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel). A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional. O apoio institucional é da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul (Senai/RS). A parceria institucional é da da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

ARTIGO - Câmbio valorizado, indústria pressionada: um alerta em meio ao rearranjo global

worldfashion • 30/01/26, 14:22

Por Fernando Valente Pimentel*

O Brasil volta a conviver com um ciclo de apreciação cambial. Em pouco mais de um ano, o real saiu de patamares superiores a R$ 6,00 por dólar, no final de 2024, para níveis próximos de R$ 5,20. Há, inclusive, análises econométricas que sugerem que o valor “de equilíbrio” da moeda brasileira estaria mais próximo de R$ 4,50 do que da cotação atual.

Esse movimento não é isolado nem exclusivamente doméstico. Reflete mudanças profundas no cenário político e econômico internacional, com realocação de portfólios financeiros em busca de diversificação e retorno. Quando esses fluxos chegam a economias com mercados financeiros relativamente menores, como a brasileira, os efeitos sobre o câmbio tendem a ser amplificados.

Do ponto de vista macroeconômico, um real mais valorizado proporciona benefícios evidentes no curto prazo, especialmente no controle da inflação e na moderação dos preços de bens importados. O problema surge quando esse movimento ocorre em um país que ainda carrega elevados desequilíbrios estruturais e cuja produção manufatureira permanece exposta a um conjunto severo de custos sistêmicos. A indústria brasileira e, de maneira ainda mais sensível, a têxtil e de confecção, encontra-se entre os setores mais vulneráveis a uma valorização cambial não acompanhada de ganhos consistentes de produtividade.

Diferentemente de economias concorrentes, o Brasil combina uma carga tributária elevada e cumulativa, longos períodos de juros altos, custos logísticos e energéticos superiores à média internacional e um ambiente regulatório complexo e pouco previsível. Somam-se a esses fatores propostas que tendem a elevar ainda mais o custo da produção, como a redução de jornadas e turnos de trabalho, sem contrapartidas claras em eficiência.

Esse quadro agrava-se quando observamos o cenário internacional. A China, maior exportadora mundial de bens manufaturados, não tem experimentado um processo equivalente de apreciação cambial. Ao contrário, mantém sua competitividade reforçada por políticas industriais agressivas, subsídios, incentivos financeiros e uma capacidade produtiva excedente que vem sendo direcionada a mercados de todo o mundo. O resultado é uma pressão adicional sobre indústrias locais em países que, como o Brasil, já enfrentam dificuldades estruturais.

Nosso país já viveu esse filme em passado não tão distante, com efeitos particularmente perversos no setor têxtil e de confecção: perda de competitividade, fechamento de fábricas, desestruturação de cadeias produtivas e migração de investimentos. Hoje, começam a se repetir sinais preocupantes, como o movimento de empresas brasileiras do setor se instalando no Paraguai para atender, de modo prioritário, o próprio mercado brasileiro. Não vão para lá por vantagens extraordinárias do país vizinho, mas pela busca de condições mínimas de competitividade que deixaram de encontrar no Brasil.

Iniciativas como a Nova Indústria Brasil (NIB), que contam com o apoio do setor produtivo, são importantes e caminham na direção correta ao reconhecerem a relevância do setor para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social. No entanto, políticas públicas não operam no vácuo. Quando fatores macroeconômicos como câmbio excessivamente valorizado, juros elevados e custos sistêmicos persistentes atuam de maneira contrária, a capacidade de reação das empresas fica severamente limitada.

O risco é claro: uma apreciação cambial prolongada, sem avanços rápidos e concretos na agenda de produtividade e na redução do “Custo Brasil”, aumenta a vulnerabilidade da indústria nacional justamente em um momento de rearranjo das cadeias globais de produção e comércio. É uma conjuntura na qual muitos países estão reforçando suas bases industriais e não as enfraquecendo.

Fortalecer e reindustrializar o Brasil exige coerência entre as políticas macroeconômica e industrial e o ambiente de negócios. Um câmbio valorizado pode ser parte desse equilíbrio, mas jamais o seu eixo central. Sem enfrentar os entraves estruturais que penalizam quem produz, continuaremos estimulando, ainda que involuntariamente, a substituição da produção nacional por importações e a saída de investimentos produtivos. E esse é um custo que nossa economia não pode mais se permitir.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO

worldfashion • 17/12/25, 22:14

Por Fernando Valente Pimentel*

É muito preocupante o fato de 25% dos consumidores brasileiros admitirem aceitar a compra de produtos ilegais, conforme revelou recente estudo da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Ipsos. Em alguns segmentos, como bebidas alcoólicas e vestuário, essa propensão é ainda maior, às vezes com trágicas consequências, como ocorreu com as pessoas vitimadas pela presença de metanol em destilados. Trata-se de um retrato inquietante de uma sociedade que, por vezes, relativiza a gravidade dos ilícitos econômicos e de consumo, ignorando seus impactos coletivos.

O crime organizado há muito deixou de se restringir ao tráfico de drogas e armas. Ele se infiltra em diversos mercados, inclusive no de vestuário, aproveitando-se de brechas legais, da sonegação e da tolerância social para expandir seus tentáculos. Produtos contrabandeados, falsificados ou de origem duvidosa alimentam uma engrenagem criminosa que movimenta bilhões de reais por ano e mina a competitividade das empresas que operam dentro da legalidade.

Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas econômicas geradas por atividades ilícitas chegaram a R$ 453 bilhões em 2022. O valor equivalia à época a cerca de 4% do PIB nacional, recursos que poderiam ter sido direcionados à educação, saúde, segurança, saneamento e infraestrutura. Em outras palavras, a cada produto ilegal comprado, há uma parcela de investimento público que deixa de chegar à sociedade.

O combate a esse problema não se limita ao fortalecimento do aparato policial e da fiscalização. É também um desafio cultural e educativo. A sociedade precisa compreender que o consumo de produtos ilegais não é uma questão inofensiva de preço, mas um ato que financia redes criminosas, destrói empregos formais e compromete o futuro do Brasil. A educação, nas escolas, nas famílias e nos meios de comunicação, deve mostrar de maneira clara os danos que os mercados ilícitos provocam, não apenas na economia, mas também nos valores éticos e morais do País.

A responsabilidade é compartilhada. O poder público deve aprimorar políticas que reduzam o chamado “Custo Brasil” e simplifiquem o ambiente de negócios, para que competir de modo legal não seja um fardo. As empresas precisam seguir investindo em rastreabilidade, conformidade e comunicação transparente com os consumidores. E nós, cidadãos, devemos entender que cada decisão de compra é também uma escolha de sociedade: ou reforçamos a economia formal, que gera desenvolvimento e empregos, ou fortalecemos um sistema paralelo que corrói as bases do Estado.

O dado revelado pela pesquisa da USP é um alerta. Enquanto parte da população continuar a ver o consumo de produtos ilegais como algo aceitável, permaneceremos alimentando um ciclo vicioso de perda de riqueza, desordem econômica e insegurança. Precisamos transformar a tolerância em repúdio e a indiferença em consciência. Não existe mercado ilegal sem consumidor complacente e, sem ética no consumo, não há desenvolvimento sustentável possível.

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

POLO DE MODA DO BOM RETIRO

worldfashion • 17/11/25, 14:29

A região do Bom Retiro, reúne 780 unidades fabris e 804 pontos de venda, formando um ecossistema de produção, distribuição e abastecimento do varejo de moda para diferentes regiões do país, operando com média de 26 trabalhadores por empresa.

O levantamento compara o desempenho do Polo com os principais recortes territoriais da indústria de vestuário e aponta o Bom Retiro como um núcleo produtivo de alta densidade. No Brasil, há 20.776 indústrias do setor de Vestuário, que empregam 937.674 trabalhadores e produzem 5,36 bilhões de peças ao ano, com valor de produção estimado em R$ 170,6 bilhões.

No Estado de São Paulo, são 4.873 indústrias, 211.421 trabalhadores, 1,28 bilhão de peças anuais e R$ 40,7 bilhões em valor de produção. Na capital, 2.328 indústrias reúnem 83.957 trabalhadores, com 368,6 milhões de peças e R$ 23,9 bilhões em valor de produção.

Em termos proporcionais, os números do Bom Retiro representam 16,0% das indústrias do setor no Estado, 23,1% da mão de obra da cidade, 13,7% da produção em peças na capital e 22,1% do valor de produção da cidade, evidenciando a região como uma das maiores densidades produtivas do setor no país.

O perfil das empresas reforça esse caráter. A grande maioria opera em formato de loja (93,2%), com produção própria (97%). Apenas 2,2% compram peças para revenda sob marca própria e 0,7% comercializam marcas de terceiros, o que reforça a identidade autoral e a independência produtiva do polo.

Trata-se, majoritariamente, de pequenas e médias confecções: 46,1% possuem até 10 funcionários, 29,7% mantêm equipes entre 11 e 29 colaboradores, 10,3% têm entre 30 e 49 funcionários e 5,1% contam com mais de 100 empregados.

O levantamento mostra ainda que 87,1% das lojas mantêm a unidade fabril no próprio Bom Retiro. Apenas 7,6% possuem produção em outros bairros da cidade de São Paulo, 1,2% em outras cidades do estado e 1,1% em outros estados brasileiros. Já 3% das empresas não possuem unidade fabril.

CENTRAL DOS LOJISTAS DE VESTUÁRIOS

O perfil de clientes confirma o papel do Polo de Moda do Bom Retiro como centro de abastecimento para o varejo nacional. Ao todo, 93,5% das lojas atendem lojistas especializados em vestuário (como multimarcas, boutiques, lojas de bairro, redes e departamentos de moda), 61,8% vendem para sacoleiras e revendedores e 38,7% também atendem o consumidor final. Além disso, 4,0% comercializam para lojas não especializadas (como Pernambucanas, Americanas e hipermercados como Carrefour), 3,6% têm como destino o comércio, 1,9% destinam parte da produção à exportação e 0,9% atendem o segmento institucional (como hotéis, pousadas, clínicas, laboratórios e empresas).

O Polo tem na moda feminina sua linha predominante, presente em 87,3% das lojas pesquisadas, com destaque para a moda casual, que representa 20,9% desse mercado. Os demais segmentos incluem linhas masculinas, sociais, festa, íntima, bebê e infantil, o que amplia a capacidade de abastecimento do varejo nacional.

As vendas presenciais seguem como base da operação: 100% das lojas realizam atendimento físico no Polo. Ao mesmo tempo, a digitalização avança: 70,3% das lojas afirmam vender também pela internet. No atendimento e negociação, o WhatsApp é o principal canal, utilizado por 90,3% das empresas. Além disso, 53,7% mantêm e-commerce próprio, 53,0% vendem por marketplaces voltados ao atacado e 47,3% por marketplaces voltados ao varejo.

“O Bom Retiro ainda é subavaliado em termos de percepção pública. Há quem o associe apenas ao comércio popular, quando, na prática, estamos falando de um polo produtivo que abastece o varejo nacional e que gera emprego, turismo e renda A região concentra desenvolvimento, modelagem e produção, com velocidade de resposta e leitura rápida de tendências, antecipando movimentos que chegam das passarelas internacionais. Lojistas de diferentes estados vêm ao Polo para abastecer suas coleções. É um ativo econômico da cidade que precisa ser reconhecido como tal”, afirma Cinthia Kim, presidente da ABIV Associação Braisileira da Indústria do Vestuário.

REPOSICIONAMENTO

O Censo integra o plano de reposicionamento do Polo de Moda do Bom Retiro, conduzido pela ABIV - Associação Brasileira da Indústria do Vestuário, e impulsionado pela entrada de uma nova geração de empresários — muitos deles filhos e netos de imigrantes que fundaram as confecções há três ou quatro décadas e que agora imprimem ao bairro um olhar de marca, competitividade, estratégia comercial e fortalecimento do território. O objetivo é reposicionar o Bom Retiro e seu Polo de Moda, valorizando o potencial econômico de uma região que abastece lojistas do país inteiro e que historicamente movimenta a economia paulistana.

A divulgação do Censo ocorre em paralelo à implementação de um sistema de vigilância integrado, no qual estão previstas 80 câmeras de monitoramento 24h instaladas nas principais ruas comerciais, conectadas diretamente à central da Polícia Militar. O projeto, que recebeu um investimento na implantação na ordem de R$ 500 mil, já conta com 66 câmeras em funcionamento (das 80 previstas), com conclusão prevista ainda este ano.

“UMBR”  UNIVERSO DA MODA BOM RETIRO

O fortalecimento da marca - UMBR - Universo da Moda Bom Retiro, tem articulado parcerias com comerciantes de outros polos de moda do país, com foco nos revendedores regionais. Já está em andamento um projeto-piloto no qual mostruários de confecções circulam entre lojistas de diferentes estados, apresentando o polo como um hub nacional de abastecimento e referência para o atacado.

O plano inclui ainda negociações com marketplaces e apps de varejo para melhorar condições de entrada e operação das confecções dentro dessas plataformas, além da criação de um hub de conteúdo para auxiliar marcas que não possuem equipes de marketing a divulgarem seu portfólio.

Capacitações em vendas, legislação, consultoria de estilo, além de benefícios como assessoria jurídica, desconto em serviços como de logística, correio, transações financeiras e certificações também fazem parte das medidas para impulsionar o comércio local.

Para 2026 estão previstos ainda o desenvolvimento de um aplicativo voltado ao atacado, como ferramenta de vendas e relacionamento com compradores, além da criação de uma plataforma de empregos. A iniciativa responde a uma demanda recorrente do polo: o alto volume de vagas abertas ao longo do ano, reflexo do aumento no fluxo de consumidores atacadistas e varejistas na região.

da redação com informações da Upperpr Comunicação

ARTIGO - Eleição de 2026 é oportunidade para elevar o debate nacional

worldfashion • 12/11/25, 16:12

Por Fernando Valente Pimentel*

Daqui a 12 meses, o Brasil definirá não apenas o governo de 2027 a 2030, mas também e talvez sobretudo, os rumos que pretende seguir diante de um mundo em profunda transformação. As eleições do próximo ano terão papel decisivo em estabelecer que tipo de país desejamos construir: mais produtivo, competitivo e inclusivo, ou preso às amarras da polarização e do baixo crescimento.

Nos últimos anos, o debate público tem sido capturado por uma lógica de confronto não construtivo para os objetivos de crescimento sustentado e desenvolvimento. Essa dinâmica empobrece a política e ofusca discussões essenciais sobre o futuro, como a modernização do Estado, a eficiência dos serviços públicos, a competitividade das empresas e os investimentos prioritários em educação, saúde, saneamento básico, segurança pública, inclusão social, infraestrutura, transição energética e meio ambiente.

Entretanto, pesquisa recém-divulgada pela More in Common, em parceria com a Quaest, publicada em 14 de outubro pelo Estadão, oferece um alento. Revela que a sociedade brasileira é muito mais diversa e matizada do que a caricatura de “duas torcidas” opostas. O levantamento identifica grupos como os progressistas militantes (5%), desengajados (14%), cautelosos (27%), conservadores tradicionais (21%) e patriotas indignados (6%). Em outras palavras, há numerosos cidadãos que não se encaixam na polarização e estão abertos ao diálogo e à construção coletiva de soluções.

Esse grupo intermediário e moderado, possivelmente majoritário, pode delimitar o espaço decisivo para o avanço do Brasil. É nele que se encontram os brasileiros interessados em discutir propostas concretas para que o País supere a chamada síndrome do rendimento médio e conquiste uma trajetória de desenvolvimento sustentável e próspero.

O êxito nesses objetivos implica adotar uma agenda de competitividade sistêmica, que fortaleça as empresas nacionais para competir globalmente com qualidade e inovação. Pressupõe, também, governos eficientes, que entreguem serviços compatíveis com os impostos pagos, e investimentos estruturantes nas prioridades que apontei anteriormente.

Mais do que isso, é hora de subir o nível do debate público. O Brasil precisa de metas objetivas e transparentes, indicadores claros e de fácil compreensão pela sociedade e candidatos comprometidos com resultados mensuráveis. Preservar a democracia liberal, o livre mercado e uma política social vigorosa financiada pelo crescimento econômico e humano é o caminho para equilibrar eficiência e inclusão.

O País tem evoluído e dispõe de oportunidades extraordinárias. Porém, só as aproveitará plenamente se for capaz de romper a bolha da polarização e reencontrar a via do diálogo e da razão.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Congresso Internacional ABIT

worldfashion • 29/10/25, 16:21

Em pronunciamento remoto, Ricardo Steinbruch, presidente do Conselho de Administração da ABIT, afirmou que produtividade significa muito mais do que eficiência econômica: “É a essência do que buscamos, ou seja, um futuro mais sólido, justo e com mais oportunidades para o setor e para o País”. Ele defendeu investimentos em educação, tecnologia, inovação, automação e sustentabilidade, além de avanços em infraestrutura, segurança jurídica e ambiente de negócios.

Steinbruch alertou para o impacto da informalidade, que “cria concorrência desleal e bloqueia o avanço da produtividade”, e apontou a necessidade de uma taxa de investimento de 25% do PIB, contra os atuais 18%. Segundo ele, o setor têxtil e de confecção precisa investir R$ 15 bilhões anuais para manter sua posição atual e R$ 20 bilhões para crescer. Também destacou a urgência das reformas estruturais e criticou “juros altos e câmbio volátil” como entraves à competitividade.

O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luís Gordon, ressaltou que a disputa global é por domínio tecnológico e industrial. Informou que a Nova Indústria Brasil (NIB) já aportou R$ 240 bilhões até setembro deste ano e que o BNDES e a Finep destinaram R$ 57,7 bilhões à inovação desde 2023. Mencionou, ainda, a nova linha de R$ 10 bilhões para a Indústria 4.0 e outros R$ 30 bilhões para apoiar empresas afetadas pelas novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Em mensagem de vídeo, Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou a relevância do setor têxtil na geração de empregos e inovação. Em seguida, Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e presidente emérito da ABIT, reiterou que o mundo está discutindo quem vai tomar conta das tecnologias, mas o fator humano é fundamental para a produtividade e o crescimento sustentado.

“Precisamos atrair e reter talentos, e estamos trabalhando nisso na Fiesp e no CIESP”, frisou. Porém, alertou que os setores produtivos no Brasil estão competindo por recursos humanos com o crime organizado, que já o maior ‘empregador’ na Região Norte do País.

Cervone também lembrou que o setor têxtil e de confecção é o mais antigo e o primeiro no advento da revolução industrial, foi inspiração da digitalização e é um dos líderes atuais no desenvolvimento da indústria 4.0. Finalizou salientando que “o Congresso da ABIT gera propostas ao governo, ao Congresso e aos empresários para o enfrentamento dos desafios a serem vencidos”.

O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, também presidente emérito da ABIT, afirmou que, para recuperar a produtividade, a educação é um fator fundamental. “Há tempos, porém, os indicadores qualitativos de nossa educação deixam muito a desejar. Por isso, a indústria de São Paulo tem atuado com força nessa área, oferecendo ensino de qualidade em suas 140 escolas, distribuídas por 112 municípios paulistas. O Sesi-SP tem uma tecnologia pedagógica avançada”.

No entanto, São Paulo tem cerca de 1,3 milhão de filhos de industriários em idade escolar, considerando o Ensino Fundamental 1 e o Médio. O Sesi-SP atende mais de 100 mil alunos. Ou seja, isso é menos de 10% da demanda potencial. Para absorvê-la, seria necessário ampliar a rede de escolas do Sesi-SP em mais de 1.000%.

“Por isso, decidimos intervir de modo determinado nessa realidade, por meio do programa Sesi Para Todos. Em apenas quatro anos, criamos uma dezena de programas, levados de maneira gratuita à totalidade dos 645 municípios de São Paulo, abrangendo as redes públicas estadual e municipais. Com isso, o Sesi-SP já treinou mais de 160 mil professores e 20 mil gestores das redes municipais e estadual, com reflexos positivos diretos na qualidade do ensino”, relatou Josué.

Em outra frente, quase 20 mil alunos da rede pública cursam gratuitamente no Senai-SP, no contraturno escolar, o quinto itinerário, já saindo dessa etapa escolar com uma profissão. O Senai-SP também realiza a Jornada de Transformação Digital. As 23,5 mil empresas atendidas até o momento registraram ganhos médios de 40% de produtividade e de 10% em eficiência energética, evidenciando o impacto positivo da digitalização nos negócios.

Defesa setorial

O deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), presidente da Frente Parlamentar Mista “José Alencar” para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção, defendeu a taxação de 20% sobre encomendas internacionais até US$ 50, medida adotada para proteger a indústria nacional. “Temos a obrigação de defender quem gera empregos”, disse, ressaltando a importância da ABIT na interlocução com o Poder Legislativo.

Fim do bônus demográfico

Na primeira palestra do congresso, mediada por Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente e presidente emérito da ABIT, o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores e FGV Ibre, analisou o cenário macroeconômico e alertou para o fim do bônus demográfico no Brasil, que dará lugar a um “ônus populacional” já na próxima década. “Será preciso compensar esse efeito com reformas, melhor uso dos recursos públicos, participação feminina no mercado de trabalho e adoção de tecnologias”, afirmou. Segundo ele, a reforma tributária poderá elevar o PIB em até 10% nos próximos 15 anos, mas o ganho virá gradualmente.

Pesquisa

Uma pesquisa instantânea feita com os cerca de 500 participantes do congresso apontou que parcerias entre empresas, governo e setor de P&D são o fator mais importante para o aumento da produtividade. As tecnologias de reciclagem e reúso de fibras lideram as prioridades de inovação até 2030. A criatividade e a capacidade de resolver problemas complexos foram indicadas como as competências mais valiosas para o futuro do setor.

O evento prossegue até amanhã (30/10). Haverá novas rodadas de debates e proposições para o fortalecimento da indústria têxtil e de confecção brasileira.


Sobre A ABIT- Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), fundada em 21 de fevereiro de 1957, é uma das mais importantes entidades dentre os setores econômicos do País. Representa a força produtiva de 25,3 mil empresas instaladas por todo o território nacional, de todos os portes, que empregam mais de 1,3 milhão de trabalhadores e geram, juntas, um faturamento anual (em 2024) de R$ 212,6 bilhões.



da redação com informações da Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação


ARTIGO - Importações em alta ameaçam indústria têxtil e de confecções

worldfashion • 23/10/25, 14:01

Por Fernando Valente Pimentel*

Entre julho de 2024 e junho de 2025, o varejo de vestuário avançou 5,5% em termos reais, enquanto a produção nacional cresceu 4,9%. São números que confirmam a resiliência de uma cadeia produtiva que emprega, apenas na indústria, mais de 1,3 milhão de pessoas e desempenha papel estratégico na economia.

Por outro lado, as importações de produtos de vestuário cresceram 17,7% no mesmo período, 3,6 vezes mais rapidamente do que a produção doméstica. Tal descompasso decorre, em grande parte, do aumento de barreiras e tarifas em países compradores tradicionais, gerando um excedente de produção na Ásia, cujas empresas buscam alternativas para escoar o grande volume de peças fabricadas. Para elas, o Brasil é um alvo perfeito, pois tem um grande mercado e, de quebra, desvantagens competitivas acentuadas em relação a nações nas quais há custos mais baixos de capital, subsídios e incentivos robustos, em contraste com a nossa realidade.

Cabe lembrar que parcela importante dos ingressos de vestuário tem ocorrido por meio das plataformas internacionais de e-commerce. Estas, além de contarem com todos os benefícios acima indicados em seus países de origem, aproveitam vantagens tributárias que ainda persistem no Brasil, mesmo após avanços recentes, como a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre encomendas de até 50 dólares. Embora a medida represente um passo importante na direção da igualdade competitiva, ainda é insuficiente para equilibrar o campo de jogo.

Essa desigualdade tributária soma-se às agruras do “Custo Brasil”, que, há tempos, sobrecarrega empresas com uma combinação de fatores que encarecem operações e reduzem a competitividade: ônus trabalhistas elevados, excesso de burocracia, complexidade tributária, infraestrutura deficitária, energia cara, crédito limitado e uma das mais elevadas taxas de juros reais do mundo. Cada um desses elementos, isoladamente, já seria um desafio. Juntos, tornam o ambiente empresarial hostil e criam distorções que não refletem competência ou eficiência das empresas, mas sim barreiras estruturais, que se agravam no contexto da conjuntura mundial.

No cenário geopolítico global, marcado pelo acirramento das disputas comerciais, as soluções tornam-se ainda mais urgentes. Países desenvolvidos não têm hesitado em formalizar pedidos de defesa comercial e adotar tarifas elevadas e incentivos agressivos para proteger e fortalecer suas indústrias, buscando internalizar a produção. O Brasil, se não agir rapidamente para reduzir os ônus da atividade produtiva e defender legitimamente suas empresas, corre o risco de perder cada vez mais espaço no mercado interno e no mundial.

A resposta passa por uma combinação inteligente de políticas: revisão estrutural do “Custo Brasil, estímulo à produtividade e adoção de mecanismos responsáveis de defesa comercial, que podem incluir inclusive a imposição de cotas quantitativas temporárias enquanto perdurarem as turbulências geopolíticas e geoeconômicas. Tais providências são cruciais para garantir a soberania produtiva, preservar empregos e manter o vigor da nossa economia e da indústria.

Políticas públicas como as que vêm sendo adotadas, como a Nova Indústria Brasil (NIB), Depreciação Acelerada e as linhas de crédito para impulsionar a Indústria 4.0, recém-anunciadas, contribuem para revigorar a produção. Também são pertinentes as medidas compensatórias adotadas para atenuar o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Entretanto, para além dessas iniciativas, não podemos nos resignar ao aumento expressivo das importações como algo passageiro, que se solucionará de modo natural quando arrefecer o atual ímpeto tarifário e protecionista internacional.

Nesse contexto, necessitamos de medidas amplas e eficazes de defesa comercial, sem as quais poderemos arcar com um custo altíssimo no futuro, em forma de dependência externa, fragilidade produtiva e perda de força inovadora. Precisamos reagir com agilidade para transformar o presente cenário geopolítico em oportunidades, em vez de sermos reféns passivos de um mundo mais hostil e permeado por bombas tarifárias nas relações comerciais.

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

INSPIRAMAIS 2027_I - TURNING POINT

worldfashion • 28/08/25, 11:18

Na 32ª edição do INSPIRAMAIS, a pesquisa apresentou os materiais da próxima temporada 2027 que terá como tema - TURNING POINT, nos 10% da pirâmide.

O estudo tem como referência a obra “Ponto de Mutação”, escrita por Fritjof Capra em 1981. Segundo Walter Rodrigues, vivemos tempos muito semelhantes aos vividos na década de 1980, com um mundo “mais fechado”, protecionismo crescente, tarifas extras e polarização. A obra traz a necessidade de um ponto de mutação sob uma perspectiva ecológica e feminina.

Dentro do contexto, a pesquisa aponta que passamos de uma Modernidade Líquida, conceito popularizado por Bauman no qual tudo era líquido e fluído, para uma Modernidade Gasosa, em que as coisas já não apenas fluem, mas “evaporam no ar”, dando a ideia de volatilidade e velocidade. Partindo desse ponto, a Turning Point traz três temas.

Gasoso HOLÍSTICO

O primeiro deles é o “Gasoso Holístico”, que com um ponto de vista feminino aponta o design como meio de contemplação, regeneração e afeto com tecnologia. “Aqui, vemos muita leveza e silhuetas em materiais que se comportam como canal de transformação, remetendo a movimento, luz e vapor. A moda, nesse contexto, é muito auxiliada pelas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) nas suas criações, “Cada vez mais, os criativos desenvolvem coisas para colocar nos pés”, frisa Rodrigues.

Neste tema, predominam materiais com transparências, tules, nylons, volumes e misturas.

Gasoso BIOLÓGICO

O subtema “Gasoso Biológico” é influenciado pelo ancestral digital, com texturas orgânicas, muitas camadas, aspectos celulares (de plasma), aspectos gelatinosos, amorfismo e futurismo, tudo com o auxílio da IA. Já os materiais de destaque são biopolímeros, nanoceluloses e tecidos desenvolvidos com cultura de bactérias.

RUPTURA

O terceiro tema é Ruptura, que reforça a necessidade de transformação e da criação de “desordens narrativas”. A importância de ir contra o status quo e dar espaço para a recuperação da individualidade perdida em meio a um mundo homogêneo e permeado de repetições se faz fundamental. A revisão da forma, forte tendência dos anos 1980, aparece trazendo estranhamento, mantendo bases clássicas e destacando a inventividade nas formas.

Para as criações de materiais, as influências predominantes são as construções tridimensionais, com dobras abruptas, sobreposições e fragmentações, colocando o corpo como base para a criação de novas geometrias.

A cartela de cores da TURNING POINT traz como cores principais o violeta ice, o amarelo e o acqua.

Os desenvolvimentos do tema BURNOUT - 2006

Vale lembrar que dos lançamentos do INSPIRAMAIS_ 26 II, os 30% e 60% da pirâmide, estão respectivamente, em fase de desenvolvimento ou já no mercado de massa. Nos 30%, a HUMAN trouxe como palavra-chave a Esperança e o senso de Comunidade e Utopia. Nas criações, aparecem bases tecnológicas que remetem à dança e movimento, com muitas transparências, acetinados, modelagens circulares, bases de neoprene, maleabilidade, maximalismo, brilhos, luzes, linguagem pop, entre outros aspectos. Nos 60%, a BURNOUT apresenta um cenário mais sombrio, trazendo características referenciadas no fetiche, no romantismo e na era vitoriana com a contraposição do sci-fi e seus aspectos inorgânicos e tecnológicos. Nos materiais, se traduziu em grandes volumes, vernizes, brilhos, banhos de metal, muitas tachas e pins que remetem aos anos 80 e a uma cultura “dark”.

O salão

O INSPIRAMAIS é uma uma realização da Assintecal em parceria com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel). A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional.

A 33ª edição do INSPIRAMAIS acontecerá nos dias 27 e 28 de janeiro de 2026,

no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre/RS.