ARTIGO - ISONOMIA PARA PRODUZIR, COMPETIR E CRESCER

worldfashion • 30/09/26, 15:09

Por Fernando Valente Pimentel*

O desenvolvimento industrial não pode ser uma agenda circunstancial, condicionada às urgências do momento ou limitada à duração de um mandato. Precisa ser tratado como política de Estado, com visão de longo prazo, objetivos claros, instrumentos estáveis e continuidade suficiente para oferecer aos empreendedores a confiança necessária para investir, inovar, produzir e gerar empregos no Brasil.

No centro dessa agenda deve estar uma palavra essencial: isonomia, pois é imprescindível conferir tratamento igual e condições equilibradas de competição a todos os que disputam os mercados. Não se reivindicam privilégios ou subsídios injustificados à produção doméstica, mas também não se pode permitir que produtos estrangeiros ingressem no mercado brasileiro beneficiados por subsídios, dumping, subfaturamento, fraudes, triangulações, diferenças tributárias ou pelo descumprimento das regras aplicadas a quem produz no País.

Concorrência é saudável e necessária. Porém, somente existe verdadeira concorrência quando todos disputam o mercado sob regras equivalentes. Hoje, essa isonomia não existe.

Quem produz no Brasil convive com custos financeiros elevados, tarifas, tributos, encargos incidentes sobre o trabalho formal, complexidade regulatória, burocracia, insegurança jurídica e deficiências de infraestrutura e logística. Ao mesmo tempo, enfrenta produtos importados que, em muitos casos, chegam ao mercado brasileiro favorecidos por subsídios concedidos em seus países de origem, práticas desleais de comércio ou brechas tributárias e regulatórias — especialmente nas operações realizadas por plataformas digitais internacionais.

O resultado é uma competição desequilibrada: exige-se muito de quem produz, investe e emprega no Brasil, enquanto nem sempre se cobra do produto importado o cumprimento de condições equivalentes.

A cadeia têxtil e de confecção brasileira é um bom exemplo dessa realidade. Trata-se de uma atividade ampla e diversificada, que reúne desde a produção de fibras e matérias-primas até a indústria têxtil, a confecção, a moda e sua conexão com o varejo. É uma cadeia marcada pela presença de milhares de pequenas e médias empresas, pela elevada intensidade de mão de obra e pela grande capilaridade territorial.

Seus desafios são setoriais, mas refletem problemas horizontais enfrentados por grande parte da indústria brasileira. Por isso, uma agenda para o seu fortalecimento também pode contribuir para tornar toda a base produtiva nacional mais competitiva.

O primeiro objetivo deve ser a equalização das condições de competição.

Isso exige reduzir estruturalmente os custos e as incertezas que penalizam quem produz e emprega no Brasil. Precisamos avançar na construção de um ambiente com custo de capital competitivo, segurança jurídica e regulatória, simplificação tributária, infraestrutura e logística eficientes, energia a preços adequados, menos burocracia e maior previsibilidade para os investimentos.

Para setores intensivos em mão de obra, como o têxtil e de confecção, é igualmente indispensável enfrentar o elevado custo do trabalho formal. Deve-se buscar, por meio do diálogo entre empresas, trabalhadores e poder público, soluções equilibradas que estimulem a contratação, reduzam a distância entre o custo suportado pelas empresas e a remuneração efetivamente recebida pelos trabalhadores, promovam a qualificação profissional e preservem direitos e proteção social.

A modernização das relações de trabalho deve valorizar a negociação coletiva, reconhecer as diferentes realidades setoriais e regionais e proporcionar segurança jurídica para empresas e trabalhadores.

Equalizar a competição também significa assegurar tratamento tributário e regulatório equivalente entre o produto nacional e o importado, independentemente de ele ingressar no País pelos canais convencionais ou por plataformas digitais. Não se trata de pedir proteção contra a concorrência, mas proteção à concorrência.

Uma vez estabelecida essa base, o segundo objetivo é ampliar os recursos para modernização e produtividade.

A indústria atravessa uma transformação acelerada, impulsionada pela automação, digitalização, inteligência artificial, eficiência energética e adoção de novos modelos produtivos. Para acompanhar esse movimento, o Brasil precisa oferecer crédito competitivo e de longo prazo para empresas dos diferentes portes e elos das cadeias produtivas.

Modernizar não significa apenas adquirir máquinas. Significa incorporar conhecimento, inovar em produtos e processos, qualificar pessoas, desenvolver novas competências e preparar empresas e trabalhadores para as transformações do mundo da produção e do trabalho.

O terceiro objetivo é promover uma expansão mais vigorosa da presença brasileira no exterior.

Defender a produção nacional não significa escolher o isolamento. O País precisa se integrar mais e melhor à economia mundial, por meio da abertura de mercados, de acordos comerciais equilibrados, da redução de barreiras às exportações, da promoção comercial, de instrumentos de financiamento e garantias e do apoio à internacionalização das empresas.

No caso da cadeia têxtil e de confecção, temos uma estrutura produtiva completa, matérias-primas, criatividade, moda, design e atributos socioambientais que podem ser transformados em vantagens competitivas. Uma inserção internacional mais ativa permitirá gerar exportações, divisas, escala produtiva, investimentos e maior presença dos produtos e das marcas brasileiras no mundo.

O quarto objetivo é assegurar uma defesa comercial ágil, técnica e eficiente.

O Brasil não deve se fechar às importações, mas também não pode assistir passivamente à entrada de produtos resultantes de dumping, subsídios, triangulação, subfaturamento, fraudes ou surtos de importação capazes de desorganizar setores produtivos e eliminar empregos.

Os instrumentos de defesa comercial precisam acompanhar a velocidade das transformações do comércio mundial. Uma medida que chega depois de empresas terem encerrado suas atividades e trabalhadores terem perdido seus empregos pode ser tecnicamente correta, mas economicamente tardia.

Defesa comercial não é sinônimo de protecionismo. É um mecanismo legítimo para restaurar a isonomia quando práticas desleais ou movimentos anormais de importação distorcem a concorrência.

O quinto objetivo é combater com firmeza a informalidade, a ilegalidade e a concorrência desleal.

Contrabando, descaminho, pirataria, falsificação, sonegação, subfaturamento e fraudes comerciais e aduaneiras retiram espaço das empresas que cumprem suas obrigações, prejudicam trabalhadores, reduzem a arrecadação e colocam o consumidor em risco.

Quem paga impostos, cumpre as normas, respeita o meio ambiente, emprega formalmente e investe no Brasil não pode competir em desvantagem com quem atua à margem das regras, dentro ou fora do País.

A isonomia, portanto, deve operar em todas as direções: entre empresas nacionais, entre produtos nacionais e importados e entre os diferentes canais de comercialização. As mesmas regras precisam valer para todos.

Esses cinco objetivos — equalização das condições de competição, modernização, expansão internacional, defesa comercial e combate à ilegalidade — não constituem apenas uma relação de reivindicações. Representam uma proposta de compromisso entre a cadeia produtiva e o Brasil.

Se o País oferecer condições adequadas para produzir, empregar, investir, inovar e competir, a cadeia têxtil e de confecção poderá responder com mais investimentos, produção, produtividade, empregos formais e qualificados, exportações, renda e desenvolvimento regional.

Para isso, é indispensável assegurar previsibilidade.

Investimentos industriais exigem planejamento, recursos expressivos e prazos prolongados de maturação. Uma fábrica não é construída, transferida, modernizada ou ampliada de um dia para o outro. Quando políticas públicas e regras mudam constantemente, investimentos são adiados, reduzidos ou direcionados para outros países.

O Brasil precisa estabelecer políticas de Estado para o desenvolvimento industrial que ultrapassem governos e ciclos eleitorais. Isso não significa congelar escolhas ou impedir aperfeiçoamentos, mas assegurar coerência, estabilidade e continuidade às diretrizes fundamentais do desenvolvimento produtivo.

A indústria brasileira não busca privilégios. Busca isonomia: condições equilibradas para competir e um ambiente que valorize quem produz, investe, inova e gera empregos no País.

Oferecer essas condições não representa uma concessão à indústria. Representa uma escolha pelo desenvolvimento do Brasil.

*Fernando Valente Pimentel

Diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – Abit

CONGRESSO INTERNACIONAL BRASIL 2026

worldfashion • 24/09/26, 10:26

A transformação da indústria da moda se inova a cada coleção, com novas produções, fibras diferenciadas, inovação tecnológica dos tecidos, impactos de robôs e inteligência artificial são as novas realidades no mundo fashion. Sem contar com as mudanças geopolíticas, novas exigências regulatórias e relevante busca por produção sustentável são algumas das questões que estarão no centro do Congresso Internacional Brasil 2026, que acontecerá nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Convenções de Fortaleza.

Com mais de 400 congressistas presenciais e cerca de 30 painelistas nacionais e internacionais, a edição de 2026 amplia o diálogo entre empresas, entidades e mercados.

Promovido pela ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, em parceria com a ITMF - International Textile Manufacturers Federation e a IAF International Apparel Federation, o encontro terá como tema “Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades” e reunirá lideranças empresariais, especialistas, pesquisadores e representantes da indústria de diferentes países.

Será uma edição marcada pela presença internacional e pelo confronto de diferentes visões sobre o mercado global, o Congresso coloca em pauta temas que ultrapassam as fronteiras da indústria e impactam diretamente as decisões de empresas, governos e cadeias produtivas: barreiras ambientais e técnicas, acordos comerciais, defesa comercial, rastreabilidade, circularidade, sustentabilidade, transformação digital e as novas configurações do comércio internacional.

O novo capítulo da moda cearense

A história da moda no Ceará foi construída por milhares de empresas, trabalhadores, empreendedores e indústrias que transformaram a confecção em uma atividade econômica de grande relevância regional.

Agora, o desafio é dar um novo salto: agregar valor, ampliar a internacionalização, investir em tecnologia, fortalecer marcas, incorporar sustentabilidade e transformar a capacidade produtiva em maior reconhecimento global.

Quando o assunto é moda brasileira, o eixo Rio-São Paulo costuma ocupar os holofotes. Mas, longe desse circuito tradicional, o Ceará vem consolidando uma posição estratégica na indústria da moda nacional. O Estado reúne uma cadeia produtiva que vai da indústria têxtil e produção de fibras à confecção, atuando tanto no atacado, quanto no varejo, criando um ecossistema capaz de transformar matéria-prima, conhecimento e criatividade em negócios.

Os números ajudam a dimensionar essa força. Somente em Fortaleza, existem 26.618 CNPJs ativos relacionados à cadeia da moda, segundo levantamento da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE), com dados da Receita Federal. São 15.336 empresas de varejo de moda, 9.683 negócios de confecção, 1.010 estabelecimentos ligados à fabricação de produtos têxteis e 589 empresas atacadistas.

O Estado possui indústrias de fiação, tecelagens planas e de malha, confecções, beneficiamento, produção de aviamentos e componentes. Segundo o Governo do Ceará, essa estrutura integrada representa mais de 100 mil postos de trabalho diretos.

Essa diversidade permite que o Ceará seja mais do que um polo de fabricação. É um território onde produção, distribuição, varejo e consumo convivem em uma mesma cadeia, característica importante para uma indústria que precisa responder rapidamente às mudanças de comportamento e às novas demandas do consumidor.

O cenário é favorável. O Estado possui uma cadeia produtiva integrada, mão de obra especializada, polos industriais consolidados, forte mercado atacadista e varejista e experiência crescente no comércio exterior.

Por isso, olhar para o Ceará hoje é olhar para uma das faces mais dinâmicas da transformação da moda brasileira. “E Fortaleza, ao sediar o Congresso Internacional Brasil 2026, terá a oportunidade de apresentar ao mundo não apenas a beleza e a criatividade do Nordeste, mas a capacidade industrial, empresarial e inovadora de uma região que já produz moda em escala e agora quer ampliar sua presença no mercado global”, declara Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Geopolítica e Geoeconomia: o mundo que está redesenhando os negócios

Mais do que uma sequência de palestras, o encontro pretende criar um ambiente de troca entre empresas, especialistas e lideranças de diferentes mercados, combinando conhecimento, networking e discussão estratégica.

A abertura do Congresso será conduzida por Paulo Portas, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, com a palestra “Geopolítica e Geoeconomia: Tendências de um mundo em transformação”.

A apresentação parte de uma questão que ganhou importância estratégica para as empresas: como tomar decisões de negócios em um cenário internacional marcado por conflitos, mudanças nas alianças comerciais, políticas industriais, barreiras tarifárias e reorganização das cadeias globais.

A discussão interessa diretamente à indústria têxtil e de confecção porque as transformações geopolíticas já influenciam custos, fornecedores, mercados de exportação, investimentos e estratégias de produção.

A nova geografia da indústria e as oportunidades para economias emergentes

O primeiro painel do Congresso discutirá “A nova geografia da indústria e as oportunidades para as economias emergentes”.

A discussão parte de uma transformação importante: a produção mundial está passando por uma reconfiguração, influenciada por custos, tecnologia, proximidade dos mercados consumidores, segurança das cadeias de suprimentos e decisões geopolíticas.

Para países emergentes, esse processo pode representar tanto um desafio quanto uma oportunidade.

O Brasil entra nesse debate com uma característica particular: possui uma cadeia têxtil e de confecção integrada, que reúne diferentes etapas, da produção de fibras à indústria e ao varejo.

O painel também coloca em discussão a capacidade de países como o Brasil de atrair investimentos, ampliar sua participação nas cadeias internacionais e desenvolver produtos de maior valor agregado.

E busca colocar diferentes perspectivas na mesma mesa, aproximando representantes da Europa, Estados Unidos, China e Brasil para discutir como preservar a competitividade e, ao mesmo tempo, construir uma indústria mais sustentável e preparada para as transformações globais.

Futuro das Fibras: a matéria-prima que pode definir a próxima geração da indústria

Um dos destaques da programação será o painel “Futuro das Fibras”, que reunirá Andreas W. Engelhardt, da The Fiber Year; Haroldo Cunha, da Abrapa; Carlos Fernandes, da ABRAFAS; Fernando Prudente, da Bayer; e Eduardo Ferlauto, das Lojas Renner.

A discussão será estratégica porque as fibras estão no início de praticamente todas as decisões relacionadas à cadeia têxtil.

O debate abordará diferentes caminhos para o futuro das matérias-primas, incluindo fibras naturais, artificiais e sintéticas, além de questões relacionadas à inovação, sustentabilidade, origem e competitividade.

De um lado, cresce a busca por matérias-primas naturais e por cadeias com maior transparência. De outro, a indústria avança na criação de fibras sintéticas e materiais capazes de oferecer novas funcionalidades e desempenho.

A grande questão será entender como equilibrar inovação, disponibilidade de matéria-prima, sustentabilidade, custo, desempenho e demanda do consumidor.

Modelos produtivos: velocidade, flexibilidade e proximidade com o mercado

Outro destaque será o painel “Modelos produtivos: velocidade, flexibilidade e proximidade com o mercado”, que reunirá Bill McRaith, da Future-Proof Fashion; Daniel Milaré, da On; Alex Zucchi, da CEMATEX; e Luca Sburlati, da Confindustria Moda.

A discussão parte de uma mudança profunda no comportamento do mercado: consumidores esperam novidades com maior rapidez, enquanto marcas e varejistas precisam responder a oscilações de demanda em ciclos cada vez menores.

Nesse cenário, o modelo tradicional de produção em grandes volumes e longos ciclos passa a conviver com estratégias baseadas em agilidade, flexibilidade, automação, proximidade e capacidade de resposta.

O painel deverá discutir como a indústria pode reorganizar sua produção e sua cadeia de suprimentos para reduzir riscos, responder mais rapidamente ao mercado e aproximar fabricação e consumo.

Comércio e regulamentação: um novo cenário para a indústria

No segundo dia, o Congresso avançará para uma das questões mais sensíveis para empresas que atuam internacionalmente: “Comércio e Regulamentação: O Novo Cenário”.

Para a indústria têxtil e de confecção, regulamentação deixou de ser apenas uma questão de conformidade. Ela interfere diretamente em acesso a mercados, custos, competitividade, rastreabilidade, sustentabilidade, comércio eletrônico e relações com consumidores.

Outro momento importante da programação será dedicado às “Novas expectativas, dados e mudanças de comportamento de mercado imprevisível”.

A indústria vive uma mudança na relação com o consumidor. Dados, inteligência artificial, redes sociais, comércio eletrônico e novas formas de interação estão alterando a maneira como tendências surgem e desaparecem.

“A própria organização do Congresso destaca a inteligência artificial, a digitalização e a transformação tecnológica entre os temas que já estão moldando o presente da cadeia têxtil e de confecção”, declara Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Sobre a Abit

Fundada em 1957, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) representa 25,3 mil empresas instaladas em todo o território nacional, de diferentes portes. Juntas, essas empresas empregam mais de 1,3 milhão de trabalhadores e registraram faturamento anual de R$ 212,6 bilhões em 2024.

Informações: www.congressoabit.com.br

da redação com informações de Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação

34ª EDIÇÃO SALÃO INSPIRAMAIS

worldfashion • 10/07/26, 17:01

Na abertura do evento, o presidente da  ASSINTECAL  - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos, José Cláudio Blos, que assumiu o cargo recentemente, destacou a força do salão como propulsor da criatividade brasileira e de negócios e completou: “Tenho certeza, pelo que vejo aqui, pelos materiais e pela união do nosso segmento, de que teremos dias melhores para a nossa atividade”

“Aqui, ao longo desses dois dias de evento, lançaremos mais de mil materiais inovadores e sustentáveis para as indústrias de calçados, vestuário, bijuterias, móveis, tapeçaria automotiva e até mesmo para o mercado pet. Aliás, nos anos mais recentes, o INSPIRAMAIS vem acentuando ainda mais a sua transversalidade, mostrando que os materiais desenvolvidos pela nossa indústria servem aos mais variados segmentos da indústria brasileira” disse Silvana Dilly superintendente da ASSINTECAL.

No seu discurso, a gerente Viviane Lark da Indústria e Serviços da APEX BRASIL - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, ressaltou a importância da cadeia produtiva da moda para as exportações brasileiras, frisando o apoio que a agência dá ao salão e também ao setor de uma maneira geral, por meio do Brazilian Materials, programa realizado em parceria com a Assintecal que tem como foco a internacionalização das empresas do segmento.

Também falaram na abertura, o presidente Rafael Cervone do CIESP - Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e presidente emérito da ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, e o gerente da Regional Sinos, Caí e Paranhana, Maico Fabiano Fernandes.

O salão contou com a presença de 22 grupos de importadores oriundos da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Turquia no salão. “Esses grupos produzem, anualmente, mais de 20 milhões de pares de  calçados, o que demonstra o poder de compra desses players”, disse Silvana.

O espaço PREVIEW DO COURO, mostrou as novidades de 17 curtumes brasileiros, e 13 palestras programadas para os dois dias de evento e mais de 60 peles duráveis e sustentáveis, que o presidente-executivo José Fernando Bello, do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil enfatizou e ressaltou a importância do salão INSPIRAMAIS no “coração dos negócios” no Brasil.

No espaço HUB CONEXÃO CRIATIVA, técnicas e produtos com DNA genuinamente brasileiro, contou com 33 empreendimentos de micro e pequeno portes.

O coordenador do Núcleo de Pesquisa e Design do salão, Walter Rodrigues, destacou o evento como grande impulsionador de negócios através da moda e da criatividade. “Aqui, estamos apresentando os produtos com o tema ESSÊNCIA que ressignificam a ideia de luxo, apontam a relevância do retorno à essência do que cada marca expositora faz de melhor”, destacou.

Na palestra do PREVIEW 2028_I Walter Rodrigues e Marnei Carminatti apresentaram alguns dados da pesquisas que já estão realizando com as questões sobre: “como será o comportamento do consumidor ?

o sujeito contemporâneo?

E elegeram o tema como CAMUFLAGEM - identidade em trânsito, mencionam  Alejandro Jodorowsky “não somos estamos sendo” ou Es Devlin “sou o outro do outro”, e vários desfiles recentes que ilustram estas reflexões:  Vestir-se é cartografar-se? Marcar identidade ou território ? Memória ?

O salão INSPIRAMAIS é uma uma realização da Assintecal - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos e do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, em parceria com a Abit - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e Abimóvel - Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário. A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional.

O apoio institucional é da Abvtex - Associação Brasileira do Varejo Têxtil.

da redação

VAREJO DE MODA BRASILEIRO

worldfashion • 25/05/26, 14:56

Em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas, o varejo de moda brasileiro deve registrar crescimento moderado durante a temporada de inverno de 2026. A expectativa é de avanço discreto no volume de vendas, acompanhado de um cenário ainda desafiador para empresas e consumidores.

Com a chegada das coleções de inverno às vitrines das lojas físicas e plataformas digitais, a estação segue entre as mais relevantes para o setor de vestuário. Em 2026, porém, fatores como as incertezas geopolíticas internacionais, a pressão sobre combustíveis, o ambiente político em ano eleitoral, o elevado endividamento das famílias e a proximidade da Copa do Mundo devem influenciar diretamente o comportamento do consumo.

Dados do IEMI – Inteligência de Mercado apontam que o varejo brasileiro de vestuário deverá comercializar cerca de 1,85 bilhão de peças entre maio e agosto de 2026, crescimento de apenas 0,65% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram vendidas 1,84 bilhão de peças. Apesar de haver avanço nominal também no faturamento, o desempenho do setor ainda deve permanecer pressionado pelos custos elevados ao longo da cadeia produtiva e pela inflação acumulada nos últimos 12 meses.

A estimativa é de que as vendas movimentem R$ 63,34 bilhões na estação, alta de 4,2% em relação aos R$ 60,79 bilhões registrados na estação passada. O avanço, porém, praticamente acompanha a inflação do período e não elimina os desafios relacionados ao aumento dos custos de energia, combustíveis, logística e insumos, agravados pelo atual cenário geopolítico internacional e pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

Os números refletem um cenário de recuperação gradual do consumo, ainda marcado por cautela tanto do varejo quanto dos consumidores. Segundo Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as perspectivas para o inverno de 2026 são moderadamente positivas, mas cercadas de desafios.

“O inverno no Brasil sempre representou um desafio para o planejamento do setor, por sermos um país predominantemente tropical, e as mudanças climáticas têm tornado esse cenário ainda mais imprevisível. Temperaturas acima da média ou ondas de calor fora de época impactam diretamente o desempenho das coleções de inverno e o comportamento de compra do consumidor”, afirma.

De acordo com o executivo, fatores como clima, juros elevados, crédito mais restrito e o elevado comprometimento da renda das famílias seguem pressionando o consumo. “O consumidor continua mais seletivo e cauteloso nas compras, especialmente em itens não essenciais. Isso exige do varejo maior assertividade comercial, eficiência operacional e capacidade de adaptação rápida às mudanças do mercado”, destaca.

Outro fator que gera apreensão no setor é a flexibilização da tributação das pequenas encomendas internacionais via plataformas digitais. A medida pode ampliar ainda mais a concorrência assimétrica enfrentada pela indústria e pelo varejo nacional, justamente em um momento de desaceleração do consumo e forte pressão sobre custos e investimentos.

“Além dos desafios macroeconômicos e climáticos, existe uma preocupação crescente com o aumento das importações via plataformas digitais internacionais. O Brasil precisa preservar condições mínimas de isonomia competitiva para quem produz, investe e gera empregos no País”, pondera Pimentel.

Consumidor mais digital e varejo mais integrado

Além do cenário econômico desafiador, o varejo de moda atravessa um processo acelerado de transformação na relação com o consumidor. A integração entre lojas físicas e plataformas digitais tornou-se estratégica para ampliar conveniência, personalização e agilidade no atendimento.

Ferramentas digitais, redes sociais e canais de comunicação direta passaram a desempenhar papel central na divulgação de coleções, construção de marca e relacionamento com o consumidor. Para Fernando Pimentel, o varejo brasileiro evoluiu significativamente nos últimos anos, especialmente na integração entre os canais físico e digital.

“Hoje, existe uma integração muito maior entre o físico e o digital, com empresas investindo em omnicanalidade, experiência do consumidor, inteligência de dados e agilidade logística”, afirma. Segundo ele, o consumidor atual busca conveniência, preço competitivo, rapidez e identificação com as marcas. “O varejo vem trabalhando modelos mais flexíveis, coleções mais adaptáveis às variações climáticas e estratégias digitais cada vez mais fortes para atender um consumidor mais conectado e exigente”, conclui.

da redação

NOTA DE REPÚDIO

worldfashion • 14/05/26, 16:53

ABIT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE CONFECÇÃO

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifesta profunda preocupação e repudia a decisão anunciada pelo Governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”. Trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil.

Em vez de fortalecer a indústria nacional, o varejo formal, os empregos e a arrecadação do País, a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais. Trata-se de um tratamento desigual, danoso à indústria e ao varejo nacionais.

Os dois setores atendem, há décadas, consumidores de todas as faixas de renda, oferecendo produtos acessíveis, qualidade, inovação e diversidade. Além disso, geram milhões de empregos formais. Cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor abaixo de US$ 50, justamente a faixa que agora volta a receber tratamento favorecido para produtos importados.

É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos, custos logísticos, exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional. Cabe lembrar que as indústrias fabricantes dos produtos que ingressam via plataformas eletrônicas já têm subsídios em seus países. O fim da taxa representa mais uma subvenção, mas concedida pelo governo brasileiro.

A decisão também representa um duro golpe sobre os investimentos produtivos, a geração de empregos formais e toda a cadeia têxtil e de confecção do Brasil. Esta é uma das maiores geradoras de empregos industriais do País e presente em mais de 60% dos municípios brasileiros. Cabe enfatizar que as mulheres representam  80% dos postos de trabalho do setor. Ou seja, a medida afeta de modo grave as trabalhadoras brasileiras.

Além disso, a medida impactará negativamente a própria arrecadação pública. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal, demonstrando que havia um caminho de maior equilíbrio competitivo e formalização do comércio eletrônico internacional.

O Brasil precisa fortalecer sua produção, ampliar sua competitividade e estimular investimentos industriais. A revogação da “taxa das blusinhas” conspira contra esses objetivos, aprofundando a dependência externa e desestimulando aqueles que aqui produzem sob regras rígidas e custos elevados.

A Abit seguirá atuando com firmeza perante o Congresso Nacional e as autoridades competentes em defesa da indústria nacional, do emprego formal, da concorrência justa e do desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.

Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit)

SINDITÊXTIL-SP SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE FIAÇÃO E TECELAGEM DO ESTADO DE SÃO PAULO

O Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), entidade com 94 anos de história na defesa do setor, manifesta seu mais veemente repúdio à decisão do Governo Federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Esta medida é um retrocesso gravíssimo que penaliza diretamente quem produz, investe e gera riqueza no Brasil.

São Paulo é o “coração pulsante” da indústria têxtil brasileira, sendo responsável por quase 30% da produção nacional. Com aproximadamente 6.500 empresas espalhadas pelo Estado, o setor sustenta mais de 370.000 empregos diretos em toda a sua cadeia produtiva. A isenção concedida às plataformas internacionais de e-commerce desestabiliza esse ecossistema, criando uma concorrência desleal e predatória que ameaça a sobrevivência de milhares de confecções e fiações paulistas.

Os impactos econômicos e sociais são devastadores. É inadmissível que a indústria nacional, que opera sob regras rígidas, custos logísticos elevados, juros altos e uma pesada carga tributária, tenha que enfrentar concorrentes estrangeiros subsidiados que agora recebem nova subvenção do próprio governo brasileiro.  Cerca de 80% das peças têxteis comercializadas no Brasil custam menos de US$ 50, justamente a faixa impactada pela medida. Como as mulheres representam 80% da força de trabalho do setor, a revogação da taxa afeta de forma desproporcional as trabalhadoras brasileiras.  Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a tributação sobre essas encomendas gerou R$ 1,78 bilhão para os cofres públicos. Abrir mão desses recursos em um momento de busca por equilíbrio fiscal é uma decisão contraditória e irresponsável.

O Sinditêxtil-SP, em conjunto com a Abit , CNI, Fiesp, Ciesp e a Coalizão Prospera Brasil, reafirma que a isonomia tributária não é um privilégio, mas uma condição básica para a justiça concorrencial. Não pedimos proteção, mas sim o direito de competir com as mesmas armas.

Exortamos o Governo Federal e o Congresso Nacional a agirem em defesa da indústria nacional e do varejo formal. O futuro de centenas de milhares de famílias paulistas e o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil não podem ser sacrificados em favor de plataformas estrangeiras que não geram empregos nem investem em nosso País.

Sinditêxtil-SP -  Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo

ABIV - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO

A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV), entidade que representa o Polo do Bom Retiro, em São Paulo, e empresas do segmento do vestuário de diferentes estados, repudia a decisão anunciada pelo Governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.

Grande parte dos produtos comercializados no Polo de Moda do Bom Retiro está justamente na faixa de preço afetada pela medida, abaixo de US$ 50, o que torna a concorrência com plataformas estrangeiras ainda mais direta e sensível para o setor.

Hoje, cerca de 95% das confecções do Polo são pequenas e médias empresas. A região movimenta R$ 5,3 bilhões por ano na produção de vestuário, fabrica 50,5 milhões de peças anualmente e concentra 19,4 mil trabalhadores em um único bairro da capital paulista. A grande maioria das empresas opera em formato de loja, 93,2%, e possui produção própria, 97%.

Ao beneficiar tributariamente as plataformas estrangeiras no acesso ao mercado nacional, o governo sacrifica empresas brasileiras, sobretudo as micro e pequenas, que produzem, empregam, investem, convivem diariamente com custos tributários elevados, juros altos, despesas logísticas e um ambiente regulatório complexo e sustentam a arrecadação do país.

Aos consumidores, um convite à reflexão. Ao optar por produtos importados sem a mesma carga tributária e sem o mesmo nível de exigências regulatórias, quem perde é o Brasil: são menos empregos, menos investimentos, menor arrecadação e menos oportunidades para milhões de brasileiros.

A ABIV seguirá atuando com firmeza junto ao Congresso Nacional e às autoridades competentes em defesa da isonomia competitiva, para assegurar que empresas nacionais e estrangeiras estejam sujeitas, no mínimo, às mesmas regras e condições de competição.

Cinthia Kim | Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV).

SINDIJOIAS-SP

“O Sindilojas-SP manifesta posição contrária e enxerga com muita preocupação o recente movimento do governo federal, de publicação da medida provisória que extingue o imposto para compras em sites internacionais para compras até US$ 50. A taxação até então vigente contribuía para reduzir distorções competitivas históricas, desencadeando efeitos positivos na economia, como a retomada do crescimento em segmentos relevantes do varejo, o aumento da geração de empregos e a ampliação de investimentos produtivos, além do fortalecimento da indústria nacional e maior previsibilidade para o ambiente de negócios.

Ao se posicionar de maneira contrária à revogação da “Taxa das blusinhas”, o Sindilojas-SP reforça uma atuação histórica em defesa do comércio varejista da capital paulista, especialmente no que diz respeito à proteção do mercado interno e à promoção de condições equitativas de concorrência. A entidade tem, ao longo dos anos, pautado junto ao poder público a necessidade de isonomia tributária como elemento central para garantir competitividade, estimular investimentos e preservar empregos, e seguirá atuando contra o retrocesso que a publicação dessa MP representa, e que tem impacto direto sobre a atividade econômica, a geração de renda e a sustentabilidade das empresas nacionais. A entidade seguirá defendendo a continuidade do aperfeiçoamento do sistema tributário, sempre com foco na justiça fiscal e no fortalecimento do ambiente de negócios no País.” – Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP

da redação

ARTIGO - Agenda da jornada de trabalho deve caminhar junto com produtividade e competitividade

worldfashion • 19/02/26, 10:22

Por Fernando Valente Pimentel*

O debate sobre a redução da jornada, que voltou à agenda nacional, merece ser tratado com a seriedade e a profundidade que um tema dessa magnitude exige. Trata-se de uma discussão importante que envolve qualidade de vida, saúde e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. No entanto, seus impactos ultrapassam a esfera social, pois alcançam diretamente a produtividade, a competitividade das empresas, a geração de empregos formais e o futuro do desenvolvimento econômico do País.

É importante lembrar que o Brasil não parte de um cenário de cargas horárias excessivamente elevadas. Dados recentes indicam que a jornada média efetivamente trabalhada situa-se pouco acima de 39 horas semanais, enquanto na indústria a média gira em torno de 40,2 horas. Ou seja, já existe, na prática, um nível significativo de acomodação decorrente de negociações coletivas, arranjos setoriais e organização produtiva das empresas.

Essa realidade reforça um ponto central: a diversidade econômica e produtiva brasileira torna inadequadas soluções uniformes e rígidas. Setores com operação contínua, forte sazonalidade ou elevada competição internacional, como a indústria têxtil e de confecção, apresentam dinâmicas distintas de atividades predominantemente administrativas ou de serviços. O mesmo se aplica às diferenças regionais, que refletem realidades econômicas, estruturais e sociais variadas.

Por essa razão, o melhor caminho para eventuais ajustes na jornada de trabalho não é a imposição legal uniforme, mas sim a negociação coletiva e os acordos entre trabalhadores e empregadores. Esse instrumento permite acomodar especificidades setoriais e regionais, preservar empregos e garantir soluções equilibradas entre produtividade, competitividade e bem-estar dos trabalhadores. A experiência brasileira demonstra que, quando há espaço para negociação, surgem soluções criativas e sustentáveis.

Outro aspecto essencial é reconhecer que reduções sustentáveis da jornada de trabalho, observadas em economias avançadas, ocorreram em contextos de aumento de produtividade, modernização tecnológica e reorganização dos processos produtivos. Quando a redução ocorre sem ganhos correspondentes de eficiência, o resultado tende a ser o aumento do custo por unidade produzida, perda de competitividade, informalidade e retração do emprego formal.

Nesse contexto, causa preocupação que propostas de redução da carga semanal de trabalho e extinção do regime 6×1 avancem sem que se inclua, na mesma medida, a discussão sobre a mitigação do “Custo Brasil” e dos encargos que incidem sobre o emprego formal. Os ônus do trabalho no País permanecem elevado quando considerados tributos, encargos sociais, energia e custos logísticos e do capital. Alterações que elevem o valor unitário da produção sem enfrentar esses fatores estruturais tendem a penalizar a indústria, estimular a informalidade e ampliar a substituição por importados.

Além disso, uma discussão com impactos estruturais sobre o custo do trabalho, a organização produtiva e a competitividade nacional não deve ser conduzida de maneira açodada, especialmente em períodos eleitorais. Temas dessa relevância exigem análise técnica aprofundada, diálogo amplo com os setores produtivos e avaliação criteriosa de seus efeitos sobre crescimento econômico, inflação, investimento e geração de empregos de qualidade.

O Brasil precisa avançar no seu desenvolvimento e, com isso, proporcionar maior bem-estar à sociedade. Mas, esse avanço, para ser sustentável, deve caminhar junto com produtividade, inovação e competitividade. A negociação coletiva, o respeito às diferenças setoriais e regionais e a construção gradual de soluções efetivas representam o caminho mais seguro para equilibrar esses objetivos.

Tratar esse tema com responsabilidade é garantir que o País avance socialmente sem comprometer sua capacidade de produzir, competir e gerar oportunidades para milhões de brasileiros.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - Geopolítica, tecnologia e a agenda inadiável para o setor têxtil e de confecção brasileiro

worldfashion • 05/02/26, 10:08

Por Fernando Valente Pimentel*

O mundo caminha para 2030 sob uma lógica muito diferente daquela que predominou nas últimas décadas. A globalização, baseada exclusivamente em eficiência e baixo custo, vem sendo substituída por um ambiente marcado por tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e competição tecnológica. Nesse novo cenário, o futuro dos setores produtivos será definido não só por preço fundamentalmente, mas também por resiliência, tecnologia e posicionamento estratégico.

Relatório recente do World Economic Forum aponta que a economia global será moldada pela interação entre geoeconomia — isto é, o impacto da política e da geopolítica sobre o comércio — e tecnologia, com destaque para a digitalização e a inteligência artificial. Não existe um único futuro possível, mas diferentes cenários que variam por país e por setor. Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, essa transformação traz desafios relevantes, mas também uma janela estratégica rara.

Do lado dos desafios, a fragmentação do comércio internacional tende a se intensificar. Barreiras técnicas, exigências ambientais, regras digitais e políticas industriais ganham peso crescente. O setor têxtil e de confecção brasileiro, que já convive com um elevado custo estrutural de produção, enfrenta concorrência de países que operam sob regras trabalhistas, ambientais, previdenciárias e financeiras muito menos exigentes. O problema central não é a competição, mas a falta de isonomia competitiva.

É nesse ponto que se impõe uma agenda doméstica clara. Não haverá competitividade sustentável sem redução efetiva do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios. Isso passa por uma reforma administrativa que aumente a eficiência do Estado, reduza desperdícios e libere recursos para investimento, bem como por uma nova rodada de ajustes na previdência, capaz de garantir previsibilidade fiscal e reduzir pressões estruturais sobre a economia.

A competitividade industrial também exige redução do custo do trabalho formal, hoje excessivamente onerado por encargos e insegurança jurídica. Em um país que precisa gerar empregos de qualidade e combater a informalidade, tornar o trabalho formal mais acessível é condição indispensável para o crescimento sustentado.

Outro vetor crítico é o combate ao comércio ilegal e à concorrência desleal, que distorcem o mercado, destroem empregos e penalizam empresas que cumprem a legislação. A defesa da legalidade e da concorrência justa não é protecionismo, é pré-requisito para um mercado saudável.

Some-se a isso a necessidade de juros em padrão internacional. Taxas de juros reais persistentemente elevadas encarecem investimentos e inibem inovação. Sem um custo de capital compatível com o resto do mundo, falar em produtividade torna-se exercício retórico.

No plano externo, é igualmente fundamental fortalecer os instrumentos de legítima defesa comercial, garantindo que práticas desleais sejam enfrentadas com rapidez e rigor, em linha com as regras internacionais. Defender a indústria nacional de dumping e subsídios ilegais não significa fechar a economia, mas assegurar concorrência equilibrada.

Ao mesmo tempo, a tecnologia deixa de ser opcional. Inteligência artificial, automação e análise de dados já impactam ganhos de produtividade, gestão de estoques, eficiência energética e leitura de demanda. Empresas que não avançarem nessa agenda perderão espaço, inclusive no mercado interno. O maior risco hoje não é errar ao investir em tecnologia, mas não investir.

Há, contudo, uma dimensão positiva nesse novo contexto. A regionalização das cadeias produtivas, o nearshoring, favorece países com mercado interno relevante, base industrial diversificada e capacidade de atender padrões ambientais e sociais mais rigorosos. O Brasil reúne esses atributos.

Além disso, o país dispõe de uma das poucas cadeias têxteis completas do mundo, com produção relevante de fibras naturais, bem como de algumas fibras sintéticas importantes para o setor, o que amplia significativamente o seu potencial de atração de novos investimentos nacionais e internacionais. Essa diversidade confere flexibilidade produtiva, capacidade de inovação e maior aderência às exigências de mercados cada vez mais segmentados e regulados.

A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser apenas discurso reputacional e passa a ser fator econômico concreto. Circularidade, rastreabilidade e descarbonização tornam-se exigências de mercado e critérios de acesso a financiamento. Nesse campo, o setor têxtil brasileiro conta com ativos importantes, como uma cadeia produtiva estruturada e uma das agriculturas de algodão mais sustentáveis do mundo capazes de gerar vantagem competitiva real.

Nesse contexto, a conclusão de acordos comerciais, em especial entre Mercosul e União Europeia, assume papel estratégico. A ampliação do acesso a mercados, com regras claras e previsíveis, fortalece a integração do Brasil às cadeias globais de maior valor agregado e amplia o retorno de investimentos em tecnologia, sustentabilidade e produtividade.

O futuro do setor têxtil e de confecção não está dado. Ele dependerá das escolhas feitas agora. Investir em tecnologia, elevar a produtividade, qualificar pessoas e, sobretudo, avançar em reformas estruturais que reduzam o Custo Brasil e ampliem a inserção internacional do país são condições indispensáveis para que o setor não apenas sobreviva, mas se fortaleça.

Num mundo mais fragmentado e tecnológico, a indústria têxtil e de confecção brasileira tem, se tiver os elementos adequados e um ambiente concorrencial isonômico, plena condição se consolidar como um ativo ainda mais estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - Câmbio valorizado, indústria pressionada: um alerta em meio ao rearranjo global

worldfashion • 30/01/26, 14:22

Por Fernando Valente Pimentel*

O Brasil volta a conviver com um ciclo de apreciação cambial. Em pouco mais de um ano, o real saiu de patamares superiores a R$ 6,00 por dólar, no final de 2024, para níveis próximos de R$ 5,20. Há, inclusive, análises econométricas que sugerem que o valor “de equilíbrio” da moeda brasileira estaria mais próximo de R$ 4,50 do que da cotação atual.

Esse movimento não é isolado nem exclusivamente doméstico. Reflete mudanças profundas no cenário político e econômico internacional, com realocação de portfólios financeiros em busca de diversificação e retorno. Quando esses fluxos chegam a economias com mercados financeiros relativamente menores, como a brasileira, os efeitos sobre o câmbio tendem a ser amplificados.

Do ponto de vista macroeconômico, um real mais valorizado proporciona benefícios evidentes no curto prazo, especialmente no controle da inflação e na moderação dos preços de bens importados. O problema surge quando esse movimento ocorre em um país que ainda carrega elevados desequilíbrios estruturais e cuja produção manufatureira permanece exposta a um conjunto severo de custos sistêmicos. A indústria brasileira e, de maneira ainda mais sensível, a têxtil e de confecção, encontra-se entre os setores mais vulneráveis a uma valorização cambial não acompanhada de ganhos consistentes de produtividade.

Diferentemente de economias concorrentes, o Brasil combina uma carga tributária elevada e cumulativa, longos períodos de juros altos, custos logísticos e energéticos superiores à média internacional e um ambiente regulatório complexo e pouco previsível. Somam-se a esses fatores propostas que tendem a elevar ainda mais o custo da produção, como a redução de jornadas e turnos de trabalho, sem contrapartidas claras em eficiência.

Esse quadro agrava-se quando observamos o cenário internacional. A China, maior exportadora mundial de bens manufaturados, não tem experimentado um processo equivalente de apreciação cambial. Ao contrário, mantém sua competitividade reforçada por políticas industriais agressivas, subsídios, incentivos financeiros e uma capacidade produtiva excedente que vem sendo direcionada a mercados de todo o mundo. O resultado é uma pressão adicional sobre indústrias locais em países que, como o Brasil, já enfrentam dificuldades estruturais.

Nosso país já viveu esse filme em passado não tão distante, com efeitos particularmente perversos no setor têxtil e de confecção: perda de competitividade, fechamento de fábricas, desestruturação de cadeias produtivas e migração de investimentos. Hoje, começam a se repetir sinais preocupantes, como o movimento de empresas brasileiras do setor se instalando no Paraguai para atender, de modo prioritário, o próprio mercado brasileiro. Não vão para lá por vantagens extraordinárias do país vizinho, mas pela busca de condições mínimas de competitividade que deixaram de encontrar no Brasil.

Iniciativas como a Nova Indústria Brasil (NIB), que contam com o apoio do setor produtivo, são importantes e caminham na direção correta ao reconhecerem a relevância do setor para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social. No entanto, políticas públicas não operam no vácuo. Quando fatores macroeconômicos como câmbio excessivamente valorizado, juros elevados e custos sistêmicos persistentes atuam de maneira contrária, a capacidade de reação das empresas fica severamente limitada.

O risco é claro: uma apreciação cambial prolongada, sem avanços rápidos e concretos na agenda de produtividade e na redução do “Custo Brasil”, aumenta a vulnerabilidade da indústria nacional justamente em um momento de rearranjo das cadeias globais de produção e comércio. É uma conjuntura na qual muitos países estão reforçando suas bases industriais e não as enfraquecendo.

Fortalecer e reindustrializar o Brasil exige coerência entre as políticas macroeconômica e industrial e o ambiente de negócios. Um câmbio valorizado pode ser parte desse equilíbrio, mas jamais o seu eixo central. Sem enfrentar os entraves estruturais que penalizam quem produz, continuaremos estimulando, ainda que involuntariamente, a substituição da produção nacional por importações e a saída de investimentos produtivos. E esse é um custo que nossa economia não pode mais se permitir.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO

worldfashion • 17/12/25, 22:14

Por Fernando Valente Pimentel*

É muito preocupante o fato de 25% dos consumidores brasileiros admitirem aceitar a compra de produtos ilegais, conforme revelou recente estudo da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Ipsos. Em alguns segmentos, como bebidas alcoólicas e vestuário, essa propensão é ainda maior, às vezes com trágicas consequências, como ocorreu com as pessoas vitimadas pela presença de metanol em destilados. Trata-se de um retrato inquietante de uma sociedade que, por vezes, relativiza a gravidade dos ilícitos econômicos e de consumo, ignorando seus impactos coletivos.

O crime organizado há muito deixou de se restringir ao tráfico de drogas e armas. Ele se infiltra em diversos mercados, inclusive no de vestuário, aproveitando-se de brechas legais, da sonegação e da tolerância social para expandir seus tentáculos. Produtos contrabandeados, falsificados ou de origem duvidosa alimentam uma engrenagem criminosa que movimenta bilhões de reais por ano e mina a competitividade das empresas que operam dentro da legalidade.

Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas econômicas geradas por atividades ilícitas chegaram a R$ 453 bilhões em 2022. O valor equivalia à época a cerca de 4% do PIB nacional, recursos que poderiam ter sido direcionados à educação, saúde, segurança, saneamento e infraestrutura. Em outras palavras, a cada produto ilegal comprado, há uma parcela de investimento público que deixa de chegar à sociedade.

O combate a esse problema não se limita ao fortalecimento do aparato policial e da fiscalização. É também um desafio cultural e educativo. A sociedade precisa compreender que o consumo de produtos ilegais não é uma questão inofensiva de preço, mas um ato que financia redes criminosas, destrói empregos formais e compromete o futuro do Brasil. A educação, nas escolas, nas famílias e nos meios de comunicação, deve mostrar de maneira clara os danos que os mercados ilícitos provocam, não apenas na economia, mas também nos valores éticos e morais do País.

A responsabilidade é compartilhada. O poder público deve aprimorar políticas que reduzam o chamado “Custo Brasil” e simplifiquem o ambiente de negócios, para que competir de modo legal não seja um fardo. As empresas precisam seguir investindo em rastreabilidade, conformidade e comunicação transparente com os consumidores. E nós, cidadãos, devemos entender que cada decisão de compra é também uma escolha de sociedade: ou reforçamos a economia formal, que gera desenvolvimento e empregos, ou fortalecemos um sistema paralelo que corrói as bases do Estado.

O dado revelado pela pesquisa da USP é um alerta. Enquanto parte da população continuar a ver o consumo de produtos ilegais como algo aceitável, permaneceremos alimentando um ciclo vicioso de perda de riqueza, desordem econômica e insegurança. Precisamos transformar a tolerância em repúdio e a indiferença em consciência. Não existe mercado ilegal sem consumidor complacente e, sem ética no consumo, não há desenvolvimento sustentável possível.

*Fernando Valente Pimentel é diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

ARTIGO - Eleição de 2026 é oportunidade para elevar o debate nacional

worldfashion • 12/11/25, 16:12

Por Fernando Valente Pimentel*

Daqui a 12 meses, o Brasil definirá não apenas o governo de 2027 a 2030, mas também e talvez sobretudo, os rumos que pretende seguir diante de um mundo em profunda transformação. As eleições do próximo ano terão papel decisivo em estabelecer que tipo de país desejamos construir: mais produtivo, competitivo e inclusivo, ou preso às amarras da polarização e do baixo crescimento.

Nos últimos anos, o debate público tem sido capturado por uma lógica de confronto não construtivo para os objetivos de crescimento sustentado e desenvolvimento. Essa dinâmica empobrece a política e ofusca discussões essenciais sobre o futuro, como a modernização do Estado, a eficiência dos serviços públicos, a competitividade das empresas e os investimentos prioritários em educação, saúde, saneamento básico, segurança pública, inclusão social, infraestrutura, transição energética e meio ambiente.

Entretanto, pesquisa recém-divulgada pela More in Common, em parceria com a Quaest, publicada em 14 de outubro pelo Estadão, oferece um alento. Revela que a sociedade brasileira é muito mais diversa e matizada do que a caricatura de “duas torcidas” opostas. O levantamento identifica grupos como os progressistas militantes (5%), desengajados (14%), cautelosos (27%), conservadores tradicionais (21%) e patriotas indignados (6%). Em outras palavras, há numerosos cidadãos que não se encaixam na polarização e estão abertos ao diálogo e à construção coletiva de soluções.

Esse grupo intermediário e moderado, possivelmente majoritário, pode delimitar o espaço decisivo para o avanço do Brasil. É nele que se encontram os brasileiros interessados em discutir propostas concretas para que o País supere a chamada síndrome do rendimento médio e conquiste uma trajetória de desenvolvimento sustentável e próspero.

O êxito nesses objetivos implica adotar uma agenda de competitividade sistêmica, que fortaleça as empresas nacionais para competir globalmente com qualidade e inovação. Pressupõe, também, governos eficientes, que entreguem serviços compatíveis com os impostos pagos, e investimentos estruturantes nas prioridades que apontei anteriormente.

Mais do que isso, é hora de subir o nível do debate público. O Brasil precisa de metas objetivas e transparentes, indicadores claros e de fácil compreensão pela sociedade e candidatos comprometidos com resultados mensuráveis. Preservar a democracia liberal, o livre mercado e uma política social vigorosa financiada pelo crescimento econômico e humano é o caminho para equilibrar eficiência e inclusão.

O País tem evoluído e dispõe de oportunidades extraordinárias. Porém, só as aproveitará plenamente se for capaz de romper a bolha da polarização e reencontrar a via do diálogo e da razão.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).