balmain e balenciaga apostam na moda urbana
admin • 02/10/09, 09:40
O segundo dia da fashion week parisiense foi bem “BB”. Não como as iniciais de Brigitte Bardot, que inaugurou essa semana uma exposição festejando seus 75 anos de idade, e sim como Balenciaga e Balmain, as duas marcas tradicionais que se tornaram nas últimas temporadas as queridinhas do mundo fashion.
Balenciaga abriu o baile das apresentações na manhã da quinta-feira no Hotel de Crillon sob os olhos de uma platéia de estrelas, como Catherine Deneuve, que continua uma habitué das primeiras filas. Aparentemente cansado dos vestidos de festa, o estilista Nicolas Ghesquière trouxe uma coleção bem urbana, cheia de calças com detalhes em couro, minissaias com drapeados e alguns looks quase andróginos. Cinza e preto, presente em quase todas as entradas, são realçados por pitadas de cores fortes, como amarelo, verde ou abóbora, criando o efeito “gráfico” interessante.
Já Balmain, o outro “B” do dia, também trouxe à passarela uma mulher mais urbana e menos sexy que nas coleções anteriores. Os vestidos continuam curtos e com muita pela à mostra, mas o estilista Christophe Decarnin deixou um pouco de lado o espírito rock para se concentrar em algo mais militar, como provam os detalhes nos casacos e botões de vários modelos. Uma diferença : a mulher Balmain do próximo verão já está voltando da guerra, com muitas peças rasgadas e uma allure destroy que deve agradar as mais rebeldes.
Um universo totalmente diferente à noite, onde Peter Copping, estreou à frente da marca Nina Ricci com uma coleção cheia de romantismo, babados e transparências. Muito preto, bege, nude et rosa bem clarinho, que pelo visto vai ser a cartela do verão. Mas isso todos já devem ter notado… Cores que também foram vistas na passarela de Bruno Pieters, que abusou das transparências misturadas à peças mais estruturadas.
Em meio aos grandes nomes, alguns outsiders pontuaram o dia e deram o charme da fashion week parisiense, como a japonesa Hiroko Koshino, que se apresenta pela segunda vez na capital francesa. Ponto positivo para os detalhes plissados que ornam algumas peças e dialogam bem com as estampas. Mesmo se os tais detalhes fazem pensar nos tradicionais origamis, a estilista trouxe uma moda bem japonesa sem cair na caricatura. Silvano Mendes
- publicado em: DESFILES E SEMANAS DE MODA – dê a sua opinião!
- tags: FASHION BUZZ
O primeiro dia de desfiles em Paris também foi marcado pela presença dos estilistas portugueses. Seja com Luís Buchinho, que se apresentou no caledário OFF, ou com a já experiente Fátima Lopes, que encerrou o dia com uma explosão de cores, os lusitanos constróem aos poucos sua reputação na principal semana de moda do mundo.
O destaque do grupo fica para o jovem Felipe Oliveira Baptista, que trouxe à passarela montada no Museu no Homem, em frente à torre Eiffel, uma coleção cheia de acertos. Suas guerreiras-punk com arranjos de penas (de novo!) na cabeça agradaram o público e mesmo se o preto e o camelo dominaram boa parte das looks, o estilista também mostrou em seus vestidos que consegue misturar bem outras cores, sem medo de ousar. Também vale ressaltar o impecável trabalho feito com o couro. Meio distante de uma coleção de verão, mas pouco importa : afinal, a moda também é feita dessas loucuras. Silvano Mendes
Mas poucas estréias são tão esperadas quanto a da grife Emannuel Ungaro. Depois da saída de Esteban Cortazar em julho, a marca hesitou antes de anunciar no início do mês uma dupla inusitada para sua direção artística : a estilista Estrella Archs, que já trabalhou para Nina Ricci e Prada, e a atriz e rebelde Lindsay Lohan. De acordo com o presidente da marca de prêt-à-porter de luxo, Mounir Moufarrige, a idéia era atingir diretamente as consumidoras e, para isso, nada melhor que o uso das celebridades. Diz a lenda que antes de assinar com a atriz norte-americana, o executivo encontrou várias outras personalidades, como Madonna e Paris Hilton, mas as negociações não tiveram sucesso.


Um evento discreto, se não fosse a passagem relâmpago de Anna Wintour, que sempre causa frisson. Nas modelos estáticas o publico pôde ver uma coleção que brinca com alguns clássicos, abusa com sucesso das listras e mesmo se trabalha com formas bem convencionais, não se leva a coisa muito a sério, como provam os gatos estampados ou bordados em algumas peças. Good point !
As pernas também foram valorizadas por minissaias cada vez mais curtas, presentes na passarela da mesma Twenty8Twelve que, apesar de não inovar muito, sempre chama a atenção com seus convidados celébres. Já House of Holand preferiu investir nos vestidos colados e colocou todas as suas fichas em uma mulher sexy, cheia de rendas e transparências. As peças são quase lingeries de luxo e até a noiva entra na igreja com um vestido rendado onde todo o corpo pode ser visto.
A fluminense Daniella Issa Helayel já havia avisado que sua coleção teria uma influência praiana e meio selvagem, mas os convidados não esperavam tanto: vestidos e túnicas com cores explosivas, shorts em couro vermelho, tucanos e bananas estampados, e até maiô em onça prateado – usado por Naomi, é claro. No entanto, mesmo se os desenhos remetiam ao Brasil, era impossível não sentir os ares de Capri, com seus chapéus gigantes e suas formas quase psicodélicas, bem no estilo Pucci.
O estilista, um dos mais cotados do momento - principalmente depois de sua mini-coleção realizada em parceria com o gigante da fast fashion H&M -, trouxe para a passarela uma mulher segura de si e que não tem medo de misturar estampas com drapeados. O tom futurista dado pelos ombros marcados, os metálicos e os detalhes em triângulos espelhados – homenagem a Paco Rabanne ? – contrastavam com as jaquetinhas e blazeres tirados do smoking, numa inspiração que também foi vista em outras passarelas dessa temporada.
Já Vivienne Westwood, que apresentou sua linha mais casual Red Label, optou mais uma vez pela ironia : as modelos mordiam pedaços de capim, brincavam com bichinhos de pelúcia e faziam até caretas para os fotógrafos. E mesmo se as peças não traziam muita informação nova, a passagem da eterna ícone punk é sempre uma performance que vale a pena ser vista. Silvano Mendes
Quando Hayley Morley abriu o desfile com sua silhueta cheia de curvas, mais próxima do 42 que do 32, o público ficou meio desorientado, principalmente quando viu as modelos “convencionais” entrarem em seguida, provocando um efeito de comparação inevitável. Dizem até que Daniela Agnelli, uma das stylists da marca, abandonou o backstage no meio da preparação alegando que não conseguia vestir as três modelos mais cheinhas.