ETIQUETAGEM OBRIGATÓRIA NOS CALÇADOS EM 2027

worldfashion • 31/07/26, 11:01

Na apresentação do webinar, Suély Mühl destacou que o mercado ilegal no Brasil gerou perdas de R$ 473 bilhões em 2025 (contrabando, falsificação, pirataria, fraudes e evasão fiscal), alimentando o crime organizado. No setor calçadista, a Abicalçados estima perdas anuais superiores a R$ 15,8 bilhões (2025).

Com base em dados do BNDES, cada R$ 1 bilhão não produzido na indústria nacional devido à concorrência desleal custa 7,4 mil postos de trabalho. Assim, o comércio ilegal compromete mais de 100 mil empregos diretos no setor, equivalendo a cerca de R$ 3 bilhões em remuneração anual. “A portaria 459, publicada em agosto do ano passado obrigando as empresas calçadistas e varejistas a utilizarem etiquetagens nos seus produtos em acordo com a norma da ABNT - NBR 16679:2018, é uma vitória para a indústria nacional, uma vez que auxilia na mitigação da pirataria e falsificação dos produtos”, avaliou.

A etiquetagem para calçados passa a ser obrigatória no dia 1º de janeiro de 2027 para fabricantes e importadores, e no dia 31 de dezembro de 2027 para o varejo. As sanções vão de multas pesadas à apreensão de mercadorias irregulares.

CÓDIGO GTIN

Danilo Fernandes da GS1 Brasil, falou sobre a obrigatoriedade de que a etiqueta contenha identificação única e de âmbito internacional, demanda atendida pela empresa. Segundo o executivo, essa medida, além de mitigar os desmandos no setor, permite o rastreamento total da mercadoria, auxiliando na gestão de estoques. Segundo ele, o GTIN (Global Trade Item Numbers), desenvolvido pela entidade, é o “CPF” do produto lido por meio de uma numeração global única.  “O GTIN é um identificador único que está por trás de todo o código de barras oficial”, explicou.

A GS1 Brasil é uma entidade sem fins lucrativos responsável por padronizar a identificação de produtos, empresas e locais no Brasil, e com mais de 61 empresas associadas no Brasil, segue os padrões da rede GS1 Global, presente em mais de 150 países e utilizada por milhões de empresas em todo o mundo. Na prática, uma empresa que se associa à GS1 Brasil passa a ter produtos identificáveis em qualquer sistema de varejo, logística ou e-commerce, no Brasil e no exterior, com dados confiáveis e interoperáveis.

Entenda

Em vigência desde o dia 20 de agosto do ano passado, a Portaria 459 do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) tornou obrigatória, no Brasil, a norma regulamentadora da etiquetagem para calçados (NBR 16679:2018). Desde lá, a medida tem suscitado dúvidas de empresas do setor. Entre as informações básicas obrigatórias que devem constar no calçado estão: marca ou razão social/nome fantasia e CNPJ do fabricante, país de origem (em português) e numeração (padrão nacional) de forma permanente no par de calçado; e pictograma (composição predominante do produto) de forma não permanente (pode sair ou ser destacada depois da aquisição) em ao menos um dos pés.

Visando auxiliar no processo de adaptação, a Abicalçados disponibiliza a NBR 16679/2018 (Calçados - Etiqueta de composição), como um benefício exclusivo de associado.

A norma, bem como o atendimento de dúvidas, podem ser solicitadas pelo e-mail: juridico@abicalcados.com.br.

da redação com informações de Diego Rosinha - Assessor de Imprensa

MATÉRIA PRIMA - FIAÇÃO

worldfashion • 30/07/26, 16:11

O setor têxtil brasileiro entrou em 2026 sob pressão crescente dos artigos importados: as compras externas de produtos têxteis e de confecção cresceram cerca de 25% ao longo de 2025, puxadas por itens de menor preço e produção em larga escala, segundo dados da ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Esse cenário tem afetado diretamente a competitividade dos fabricantes nacionais, que lidam com custos elevados, volatilidade cambial e menor capacidade produtiva.

A precisão técnica é um dos poucos ativos que a concorrência de preço não consegue replicar com facilidade. Na Incofios, fabricante catarinense de fios de algodão, esse ativo faz parte da rotina, os testes de laboratório aplicados a cada lote produzido, garantindo que o fio entregue hoje tenha o mesmo desempenho de um fio entregue há seis meses.

“Em um mercado onde o preço do importado é o principal argumento de venda, a gente só compete de igual para igual mostrando o que o preço baixo não entrega: consistência lote a lote. É isso que o cliente sente na hora de tecer e tricotar o fio, e é isso que a gente testa todos os dias no laboratório”, afirma o supervisor de qualidade da Incofios, Olívio Vieira da Silva Neto.

Por que o controle de qualidade é decisivo na fiação?

Um fio fora de especificação, seja por variação de título, torção ou baixa resistência, se traduz em problemas concretos na etapa seguinte da cadeia produtiva, como quebras no tear, manchas na malha, retrabalho e perda de produtividade para o cliente. “É por isso que a Incofios estruturou um protocolo de testes que acompanha o fio da fibra bruta ao produto acabado, com verificações realizadas em diferentes pontos do processo de fiação, usando equipamentos e metodologias reconhecidas pela indústria têxtil internacional”, destaca Neto.

O que cada teste avalia

A regularidade avalia a uniformidade do fio ao longo de seu comprimento, identificando variações que possam impactar o desempenho nos processos posteriores. O título verifica se a espessura do fio está dentro das especificações estabelecidas, garantindo consistência e padronização. A resistência, por sua vez, mede a capacidade do fio de suportar esforços mecânicos, assegurando maior segurança e eficiência durante o uso.

Um dos ensaios mais específicos é o de neps: pequenos nós ou emaranhados de fibras que se formam naturalmente durante o processo de fiação e aparecem como pontos irregulares ao longo do fio. Em quantidade acima do aceitável, esses nós comprometem a aparência do tecido ou da malha final, mesmo quando o restante do fio está dentro da especificação. Por isso, o teste mede a frequência com que eles aparecem no fio.

A torção analisa o nível aplicado ao fio, fator essencial para sua estabilidade e comportamento em diferentes aplicações. Já o alongamento avalia a elasticidade do fio e sua capacidade de deformação antes da ruptura, característica importante para processos industriais que exigem flexibilidade do material.

Esses testes acontecem todos os dias nos laboratórios da Incofios, que monitoram constantemente os parâmetros de produção. Esse acompanhamento permite identificar oportunidades de melhoria no processo, corrigir desvios antes que cheguem ao cliente final e sustentar, com dados, a conformidade dos produtos entregues ao mercado. “Não é um teste que a gente faz de vez em quando para atender uma auditoria, é a rotina de todo turno para garantir que o fio está dentro do padrão. Essa é a régua que usamos”, complementa Olívio.

A EMPRESA: - Incofios foi fundada em 2001, em Indaial (SC), a Incofios é uma fabricante brasileira de fios de algodão com cinco unidades produtivas distribuídas entre Santa Catarina e Mato Grosso, capacidade de produção de aproximadamente 1.900 toneladas de fio por mês e cerca de 420 colaboradores. A empresa possui certificações BCI (Better Cotton Initiative) e SouABR, que atestam práticas de rastreabilidade e sustentabilidade na cadeia do algodão.

da redação com informações da Presse Informações

PANORAMA ECONÔMICO DO SETOR TECELAGEM E CONFECÇÃO (T&C)

worldfashion • 23/07/26, 16:05

Foram apresentados pelo Haroldo da Silva - Economista do Sinditêxtil-SP um panorama detalhado do desempenho do setor (T&C), no comércio exterior, na relação com os Estados Unidos, sobre arrecadação do ICMS, competitividade e incentivos fiscais, e alguns fatores que contribuem para a queda da produção em São Paulo e no Brasil.

1 PERFIL E DADOS GERAIS DO SETOR

• O setor T&C emprega 342.000 pessoas diretamente, com faturamento de 61,5 bilhões e 6,5 mil indústrias.

• São Paulo representa 27,8 % do faturamento nacional do setor.

• Em 2024 as exportações somaram US$ 368 milhões e as importações US$ 1,1 bilhão (sem fibra de algodão)

2 DESEMPENHO RECENTE (2025-2026)

• Varejo de vestuário cresceu 0,1% no Brasil e 9% em São Paulo (jan-mai‘26 vs jan-mai‘25)

• Produção têxtil caiu 3,2% no Brasil e 1,4% em São Paulo.

• Produção de vestuário caiu 5,8% no Brasil e 8,3% em São Paulo ( jan-mai’26)

• Importações de vestuário cresceram 54,1% no Brasil e 30,3% em São Paulo.

• Exportações caíram 3,9% no Brasil e 17,1% em São Paulo.

3 COMÉRCIO EXTERIOR

• São Paulo é o principal exportador e segundo maior importador de T&C do país

• Principais produtos exportados: tecidos, confecções, fibras têxteis e fios.

• Principais produtos importados: confecções, filamentos, tecidos e fibras têxteis.

• A balança comercial do setor é deficitária, com aumento das importações e queda das exportações em 2026.

4 RELAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS

• Em 2025, São Paulo exportou US$ 34,7 milhões em T&C para os Estados Unidos, principalmente vestuário e tecidos técnicos.

• Importou US$ 96,5 milhões com destaques para pastas, filtros e filamentos de poliamida.

• O uso da Seção 301 pelos Estados Unidos pode impactar negativamente as exportações brasileiras.

• Isso aumenta a necessidade de diversificação de mercados e fortalecimento da competitividade do setor em São Paulo.

5 ARRECADAÇÃO DO ICMS

• Arrecadação total do ICMS paulista cresceu de R$ 70,4 bi (2023) para R$ 82,3 bi (2025)

• No setor T&C a arrecadação ficou estável em torno de R$ 1,65 bi (2023 - 2025) com leve queda em 2026

6 COMPETITIVIDADE E INCENTIVOS FISCAIS

• O setor paulista perdeu participação nacional entre 2007 e 2017 mas recuperou parte após incentivos fiscais a partir de 2017

• Emprego: de 30,1% (2007) para 25,9% (2017) subindo para 28,3% (2023)

• Faturamento: de 42,1% (2007) para 29,1% (2017) subindo para 33,2% (2023)

• PIB setorial: 40,7% (2007) para 27,2% (2017) subindo para 30 % (2023)

• O incentivo do crédito presumido de ICMS foi fundamental para reverter perdas e manter a competitividade frente a outros estados especialmente Santa Catarina

• A descontinuidade do incentivo representa risco para, a manutenção do setor em São Paulo

O documento reforça a importância dos incentivos fiscais para a competitividade do setor têxtil paulista e alerta para os desafios externos e internos que podem impactar seu desempenho.

Os fatos que contribuíram para a queda na produção de vestuário no Brasil e em São Paulo em 2026.

1   AUMENTO DAS IMPORTAÇÕES

• As importações de vestuário cresceram 54,1% no Brasil e 30,3% em São Paulo (Jan-Jun/26 vs Jan-Jun/25), pressionando a produção nacional devido à concorrência de produtos estrangeiros, especialmente asiáticos, com custos mais baixos.

2   COMPETIÇÃO INTERNACIONAL DESIGUAL

• O Setor Nacional enfrenta concorrentes asiáticos (China e Índia) que operam com escala produtiva muito superior, crédito subsidiado, exigências regulatórias menos rigorosas e incentivos governamentais, o que torna difícil competir em termos de preços e volumes.

3   REDUÇÃO DE PRODUÇÕES COMERCIAIS

• A redução de taxas sobre importações (como as “ taxas das blusinhas”) diminui a proteção ao produto nacional, ampliando a entrada de itens importados e afetando negativamente a produção local.

4   CUSTOS DE PRODUÇÃO ELEVADOS

• O setor sofre com o chamado “ Custo Brasil”: altos tributos, energia cara, logística insuficiente e burocracia, o que encarece a produção nacional frente aos importados.

5   ASSIMETRIAS TRIBUTÁRIAS E GUERRA FISCAL

• Persistem diferenças tributárias entre estados brasileiros, e as incertezas sobre a continuidade de incentivos fiscais (como o crédito presumido do ICMS em São Paulo) geram insegurança e podem reduzir a competitividade da indústria local.

6   COMÉRCIO ILEGAL E SONEGAÇÃO

• O comércio ilegal e a sonegação fiscal aumentam a concorrência desleal, prejudicando empresas formais e reduzindo a produção regularizada.

Esses fatores combinados, resultaram em queda de 5,8% na produção de vestuário no Brasil e de 8,3% em São Paulo no período analisado.

Concluindo, o incentivo do crédito presumido de ICMS foi e tem sido fundamental para recuperar a competitividade do setor têxtil paulista frente à Guerra Fiscal entre estados. Esse mecanismo permitiu maior equidade tributária em relação a outros estados, resultando na retomada do crescimento do faturamento do PIB setorial e do emprego em São Paulo após 2017.

A descontinuidade de incentivo representa risco imediato de perda de competitividade, podendo comprometer a manutenção do setor no estado. Portanto, a manutenção de política de incentivo é considerada essencial para preservar a produção, o emprego e a participação paulista no setor têxtil nacional.

da redação

UNIFORMES E MODA PROMOCIONAL

worldfashion • 20/07/26, 14:55

O Grupo Malwee, referência global em moda sustentável, anuncia a criação da Malwee Pro, nova frente de negócios dedicada ao vestuário corporativo, uniformes e moda promocional para empresas. A iniciativa nasce da combinação entre a tradição têxtil do grupo - quase seis décadas de atuação e uma das maiores estruturas industriais da América Latina - e uma demanda de mercado que a companhia avalia como pouco explorada: uniformes com mais qualidade, conforto e atributos de sustentabilidade.

A nova operação em modelo B2B, vai além da produção das peças, que atendem empresas, escolas e organizações que precisam de vestuário corporativo como peças para campanhas, ativações e eventos.

A Malwee Pro atua do briefing à entrega final, em cinco etapas: entendimento da necessidade do cliente, desenvolvimento da solução, definição de produto e personalização, produção com controle de qualidade e,

por fim, logística e entrega.

O portfólio é concentrado em malha e moletom, do público infantil ao adulto, com opções de personalização como estampas, aplicações, bordados, acabamentos especiais, golas diferenciadas e embalagens. As peças também podem incorporar tecnologias como proteção UV, ação antimicrobiana, controle de odor, conforto térmico, repelência a líquidos, efeito antiamassado e acabamento antiviral, além de matérias-primas de menor impacto ambiental.

“O Grupo Malwee sempre foi reconhecido pela qualidade de suas malhas e pelo conforto de suas peças. Com a Malwee Pro, queremos levar essa mesma experiência para o mercado corporativo, oferecendo soluções que atendam às necessidades de cada empresa sem abrir mão da durabilidade, do conforto e do compromisso com a sustentabilidade. É uma evolução natural da marca, que passa a colocar toda a sua capacidade produtiva e seu conhecimento têxtil a serviço desse segmento”, afirma Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee.

O lançamento chega em um momento de recuperação do varejo de vestuário: segundo o IEMI – Inteligência de Mercado, o setor faturou R$ 294,8 bilhões em 2024, alta de 5,8%, com projeção de chegar a R$ 314,9 bilhões em 2025. Já o nicho de roupas profissionais, mais restrito e menos monitorado, faturou R$ 7,8 bilhões em 2023, dado mais recente do instituto para o segmento, crescimento puxado pela busca das empresas por mais tecnologia, personalização e sustentabilidade nos uniformes.

Estrutura já pronta para escalar

O grupo mantém um parque fabril moderno e flexível, capaz de absorver novas demandas aproveitando capacidade ociosa das operações já existentes, o que permitiu lançar a Malwee Pro com agilidade, mesmo sendo uma companhia de grande porte.

Os números do grupo dimensionam essa estrutura: 58 anos de história, 38 milhões de peças produzidas por ano e mais de 18 mil clientes atendidos anualmente, com malha e moletom como principais frentes de especialização. A capilaridade logística permite entregas em todos os municípios do país, um diferencial para contratos corporativos de grande volume e abrangência nacional.

A agenda ESG completa o diferencial: a Malwee utiliza energia elétrica 100% renovável e confecciona 86% do portfólio com matérias-primas ou processos industriais sustentáveis, atributos que, segundo o grupo, ajudam clientes corporativos a alinhar suas vestimentas profissionais às próprias práticas de ESG.

Um mercado bilionário e ainda fragmentado

Para o Grupo Malwee, o mercado de uniformes profissionais é um segmento de alto potencial e ainda pouco explorado por players com escala industrial verticalizada. A estratégia da Malwee Pro se apoia em três frentes: usar o know-how industrial e a força logística do grupo para elevar o padrão do segmento de uniformização no país; consolidar a marca como referência em soluções corporativas para grandes empresas, com foco em durabilidade, conforto e sustentabilidade; e buscar uma curva de crescimento acelerada nos primeiros anos, impulsionada por contratos de grande volume com o setor corporativo.

O foco inicial de prospecção está em grandes corporações dos setores de serviços, varejo, indústria e logística.

“Mais do que uma nova linha de produtos, a meta é transformar e fortalecer o mercado profissional, levando inovação e credibilidade para a vestimenta corporativa”, finaliza Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee.

Sobre o Grupo Malwee: Fundado em 1968, o Grupo Malwee é uma das principais empresas de moda do Brasil. Proprietário das marcas Malwee, Malwee Kids, Enfim e Carinhoso, o grupo se destaca pelo pioneirismo em sustentabilidade e pela adoção de tecnologias e processos inovadores que vão do uso de matérias-primas de menor impacto ambiental à preservação de 4,2 milhões de metros quadrados de áreas verdes em Santa Catarina. Reconhecido por sua atuação ética e transparente, figura entre as empresas avaliadas pelo Índice de Transparência da Moda (ITM). O Grupo Malwee possui três unidades, mais de 3 mil colaboradores e está presente em mais de 20 mil pontos de venda em todo o Brasil.

da redação  com informações da Buzzing

ARTIGO - O Brasil que ainda produz tem endereço em Santa Catarina

worldfashion • 14/07/26, 09:59

Por Edson Augusto Schlogl*

Os números confirmam o que se sente no chão de fábrica. Em Santa Catarina, a indústria emprega 934,3 mil pessoas, o equivalente a mais de um terço de todos os trabalhadores do estado, segundo o Relatório Anual de 2025 da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). A indústria de transformação responde sozinha por cerca de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto a média nacional fica em torno de 10%. São quase um milhão de catarinenses que vivem direta e diariamente da atividade industrial, sustentando famílias e movimentando cidades inteiras que cresceram à sombra das fábricas.

Dentro desse cenário, o setor têxtil ocupa um lugar de honra. Ele é o maior empregador industrial do estado e coloca Santa Catarina como líder nacional na produção de vestuário, respondendo por mais de um quarto de tudo o que o Brasil produz nesse segmento, de acordo com levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Cidades como Indaial, onde a Incofios tem sua sede, fazem parte de um polo têxtil que é referência para o país inteiro, um ecossistema construído ao longo de décadas com trabalho, conhecimento técnico e muita persistência.

É nesse contexto que enxergo o papel da Incofios e de tantas outras empresas que escolheram continuar produzindo aqui. Quando decidimos manter a produção de fios cem por cento algodão em solo catarinense, não estamos apenas tomando uma decisão econômica. Estamos afirmando uma posição: a de que o Brasil é capaz de produzir com qualidade, com tecnologia e com responsabilidade. Cada fio que sai de nossas unidades carrega não só o algodão, mas o trabalho de pessoas que acreditam no que fazem e o orgulho de pertencer a uma cadeia produtiva genuinamente nacional.

Não ignoro os desafios. Produzir no Brasil exige enfrentar uma carga tributária pesada, um custo logístico elevado e a forte concorrência de produtos importados, muitas vezes vendidos a preços com os quais a indústria nacional não consegue competir em condições justas. Manter as máquinas funcionando, nesse ambiente, é um ato diário de resiliência. Mas é justamente por isso que vale a pena falar com orgulho de quem permanece, investe e gera empregos em vez de simplesmente terceirizar tudo lá fora.

Acredito que reconhecer e valorizar o Brasil que ainda produz é mais do que um discurso, é uma escolha estratégica para o futuro do país. Uma nação que abre mão de sua indústria abre mão também de sua autonomia, de seus empregos qualificados e de sua capacidade de inovar. Santa Catarina mostra, todos os dias, que existe um caminho diferente. E enquanto houver fábricas acesas, pessoas dispostas a trabalhar e empresas dispostas a investir, esse Brasil que produz seguirá vivo, forte e com muito a oferecer. Na Incofios, temos orgulho de fazer parte dessa história e de ajudar a escrever os próximos capítulos dela.

*Edson Augusto Schlogl é diretor da Incofios desde 2023. Com mais de 15 anos de experiência na área administrativa, industrial e comercial.

34ª EDIÇÃO SALÃO INSPIRAMAIS

worldfashion • 10/07/26, 17:01

Na abertura do evento, o presidente da  ASSINTECAL  - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos, José Cláudio Blos, que assumiu o cargo recentemente, destacou a força do salão como propulsor da criatividade brasileira e de negócios e completou: “Tenho certeza, pelo que vejo aqui, pelos materiais e pela união do nosso segmento, de que teremos dias melhores para a nossa atividade”

“Aqui, ao longo desses dois dias de evento, lançaremos mais de mil materiais inovadores e sustentáveis para as indústrias de calçados, vestuário, bijuterias, móveis, tapeçaria automotiva e até mesmo para o mercado pet. Aliás, nos anos mais recentes, o INSPIRAMAIS vem acentuando ainda mais a sua transversalidade, mostrando que os materiais desenvolvidos pela nossa indústria servem aos mais variados segmentos da indústria brasileira” disse Silvana Dilly superintendente da ASSINTECAL.

No seu discurso, a gerente Viviane Lark da Indústria e Serviços da APEX BRASIL - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, ressaltou a importância da cadeia produtiva da moda para as exportações brasileiras, frisando o apoio que a agência dá ao salão e também ao setor de uma maneira geral, por meio do Brazilian Materials, programa realizado em parceria com a Assintecal que tem como foco a internacionalização das empresas do segmento.

Também falaram na abertura, o presidente Rafael Cervone do CIESP - Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e presidente emérito da ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, e o gerente da Regional Sinos, Caí e Paranhana, Maico Fabiano Fernandes.

O salão contou com a presença de 22 grupos de importadores oriundos da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Turquia no salão. “Esses grupos produzem, anualmente, mais de 20 milhões de pares de  calçados, o que demonstra o poder de compra desses players”, disse Silvana.

O espaço PREVIEW DO COURO, mostrou as novidades de 17 curtumes brasileiros, e 13 palestras programadas para os dois dias de evento e mais de 60 peles duráveis e sustentáveis, que o presidente-executivo José Fernando Bello, do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil enfatizou e ressaltou a importância do salão INSPIRAMAIS no “coração dos negócios” no Brasil.

No espaço HUB CONEXÃO CRIATIVA, técnicas e produtos com DNA genuinamente brasileiro, contou com 33 empreendimentos de micro e pequeno portes.

O coordenador do Núcleo de Pesquisa e Design do salão, Walter Rodrigues, destacou o evento como grande impulsionador de negócios através da moda e da criatividade. “Aqui, estamos apresentando os produtos com o tema ESSÊNCIA que ressignificam a ideia de luxo, apontam a relevância do retorno à essência do que cada marca expositora faz de melhor”, destacou.

Na palestra do PREVIEW 2028_I Walter Rodrigues e Marnei Carminatti apresentaram alguns dados da pesquisas que já estão realizando com as questões sobre: “como será o comportamento do consumidor ?

o sujeito contemporâneo?

E elegeram o tema como CAMUFLAGEM - identidade em trânsito, mencionam  Alejandro Jodorowsky “não somos estamos sendo” ou Es Devlin “sou o outro do outro”, e vários desfiles recentes que ilustram estas reflexões:  Vestir-se é cartografar-se? Marcar identidade ou território ? Memória ?

O salão INSPIRAMAIS é uma uma realização da Assintecal - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos e do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, em parceria com a Abit - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e Abimóvel - Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário. A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional.

O apoio institucional é da Abvtex - Associação Brasileira do Varejo Têxtil.

da redação

Artigo - A nova vantagem competitiva da indústria está na capacitação

worldfashion • 06/07/26, 11:44

Por Paula Cristina Dani*

Observando a velocidade e esse movimento de perto, tenho a impressão de que a discussão sobre inovação ainda se concentra excessivamente nas tecnologias em si. E talvez o verdadeiro desafio esteja em outro lugar: na capacidade de transformar toda essa inovação em resultado prático dentro das empresas. Afinal, nenhuma tecnologia gera impacto sozinha. É preciso que existam profissionais preparados para compreendê-la, aplicá-la e extrair dela o máximo valor.

Essa realidade fica evidente quando olhamos para o mercado brasileiro. Segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o país precisará qualificar cerca de 14 milhões de profissionais industriais até 2027, sendo a maior parte voltada à requalificação de trabalhadores que já estão em atividade. Ao mesmo tempo, dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a falta de mão de obra qualificada já é apontada como um problema por 23,1% dos empresários.

Os números ajudam a entender uma questão cada vez mais presente na indústria: não basta ter acesso à tecnologia. É preciso garantir que ela seja utilizada da forma correta. E isso exige atualização constante dos profissionais, especialmente em um cenário em que as transformações acontecem em ritmo acelerado.

O desafio, aliás, não é exclusivo do Brasil. Estudo recente da Deloitte aponta que a competição por profissionais qualificados continua sendo uma das principais preocupações da indústria global, justamente em um momento em que empresas ampliam investimentos em automação, digitalização e tecnologias avançadas.

Diante desse contexto, tenho observado um movimento interessante. À medida que as tecnologias se tornam mais sofisticadas, fabricantes e distribuidores passam a assumir também um papel cada vez mais relevante na formação técnica do mercado.

A lógica é simples: não adianta disponibilizar equipamentos mais avançados se os profissionais não conseguem explorar todo o seu potencial.

E essa cenário tende a se acentuar. Diferentemente de outras revoluções industriais, em que novas tecnologias levavam anos para se consolidar no mercado, hoje os ciclos de inovação são cada vez mais curtos. Equipamentos, softwares, sistemas de automação e ferramentas conectadas evoluem continuamente, exigindo atualização permanente de quem está na operação. O Fórum Econômico Mundial de 2023 já previa isso, estimando que 44% das competências dos trabalhadores precisariam ser atualizadas até 2028 em função das transformações tecnológicas em curso.

Por isso, a capacitação passou a fazer parte da própria estratégia de desenvolvimento das empresas, se tornando tão importante quanto a inovação que está sendo colocada no mercado.

Quem entender isso ganhará, certamente, uma grande competitivade no mercado moderno.

*Paula Cristina Dani - CEO da Milwaukee Brasil

Sobre: A Milwaukee é a marca líder mundial no desenvolvimento de ferramentas profissionais de alta performance, a Milwaukee Brasil entrega ao mercado um ecossistema de tecnologias proprietárias que redefinem os padrões de performance, durabilidade e inteligência no ambiente profissional. Com mais de 900 patentes globais, a marca lidera a evolução das ferramentas para aplicações exigentes.