PANORAMA ECONÔMICO DO SETOR TECELAGEM E CONFECÇÃO (T&C)
worldfashion • 23/07/26, 16:05Foram apresentados pelo Haroldo da Silva - Economista do Sinditêxtil-SP um panorama detalhado do desempenho do setor (T&C), no comércio exterior, na relação com os Estados Unidos, sobre arrecadação do ICMS, competitividade e incentivos fiscais, e alguns fatores que contribuem para a queda da produção em São Paulo e no Brasil.
1 PERFIL E DADOS GERAIS DO SETOR
• O setor T&C emprega 342.000 pessoas diretamente, com faturamento de 61,5 bilhões e 6,5 mil indústrias.
• São Paulo representa 27,8 % do faturamento nacional do setor.
• Em 2024 as exportações somaram US$ 368 milhões e as importações US$ 1,1 bilhão (sem fibra de algodão)
2 DESEMPENHO RECENTE (2025-2026)
• Varejo de vestuário cresceu 0,1% no Brasil e 9% em São Paulo (jan-mai‘26 vs jan-mai‘25)
• Produção têxtil caiu 3,2% no Brasil e 1,4% em São Paulo.
• Produção de vestuário caiu 5,8% no Brasil e 8,3% em São Paulo ( jan-mai’26)
• Importações de vestuário cresceram 54,1% no Brasil e 30,3% em São Paulo.
• Exportações caíram 3,9% no Brasil e 17,1% em São Paulo.
3 COMÉRCIO EXTERIOR
• São Paulo é o principal exportador e segundo maior importador de T&C do país
• Principais produtos exportados: tecidos, confecções, fibras têxteis e fios.
• Principais produtos importados: confecções, filamentos, tecidos e fibras têxteis.
• A balança comercial do setor é deficitária, com aumento das importações e queda das exportações em 2026.
4 RELAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS
• Em 2025, São Paulo exportou US$ 34,7 milhões em T&C para os Estados Unidos, principalmente vestuário e tecidos técnicos.
• Importou US$ 96,5 milhões com destaques para pastas, filtros e filamentos de poliamida.
• O uso da Seção 301 pelos Estados Unidos pode impactar negativamente as exportações brasileiras.
• Isso aumenta a necessidade de diversificação de mercados e fortalecimento da competitividade do setor em São Paulo.
5 ARRECADAÇÃO DO ICMS
• Arrecadação total do ICMS paulista cresceu de R$ 70,4 bi (2023) para R$ 82,3 bi (2025)
• No setor T&C a arrecadação ficou estável em torno de R$ 1,65 bi (2023 - 2025) com leve queda em 2026
6 COMPETITIVIDADE E INCENTIVOS FISCAIS
• O setor paulista perdeu participação nacional entre 2007 e 2017 mas recuperou parte após incentivos fiscais a partir de 2017
• Emprego: de 30,1% (2007) para 25,9% (2017) subindo para 28,3% (2023)
• Faturamento: de 42,1% (2007) para 29,1% (2017) subindo para 33,2% (2023)
• PIB setorial: 40,7% (2007) para 27,2% (2017) subindo para 30 % (2023)
• O incentivo do crédito presumido de ICMS foi fundamental para reverter perdas e manter a competitividade frente a outros estados especialmente Santa Catarina
• A descontinuidade do incentivo representa risco para, a manutenção do setor em São Paulo
O documento reforça a importância dos incentivos fiscais para a competitividade do setor têxtil paulista e alerta para os desafios externos e internos que podem impactar seu desempenho.
Os fatos que contribuíram para a queda na produção de vestuário no Brasil e em São Paulo em 2026.
1 AUMENTO DAS IMPORTAÇÕES
• As importações de vestuário cresceram 54,1% no Brasil e 30,3% em São Paulo (Jan-Jun/26 vs Jan-Jun/25), pressionando a produção nacional devido à concorrência de produtos estrangeiros, especialmente asiáticos, com custos mais baixos.
2 COMPETIÇÃO INTERNACIONAL DESIGUAL
• O Setor Nacional enfrenta concorrentes asiáticos (China e Índia) que operam com escala produtiva muito superior, crédito subsidiado, exigências regulatórias menos rigorosas e incentivos governamentais, o que torna difícil competir em termos de preços e volumes.
3 REDUÇÃO DE PRODUÇÕES COMERCIAIS
• A redução de taxas sobre importações (como as “ taxas das blusinhas”) diminui a proteção ao produto nacional, ampliando a entrada de itens importados e afetando negativamente a produção local.
4 CUSTOS DE PRODUÇÃO ELEVADOS
• O setor sofre com o chamado “ Custo Brasil”: altos tributos, energia cara, logística insuficiente e burocracia, o que encarece a produção nacional frente aos importados.
5 ASSIMETRIAS TRIBUTÁRIAS E GUERRA FISCAL
• Persistem diferenças tributárias entre estados brasileiros, e as incertezas sobre a continuidade de incentivos fiscais (como o crédito presumido do ICMS em São Paulo) geram insegurança e podem reduzir a competitividade da indústria local.
6 COMÉRCIO ILEGAL E SONEGAÇÃO
• O comércio ilegal e a sonegação fiscal aumentam a concorrência desleal, prejudicando empresas formais e reduzindo a produção regularizada.
Esses fatores combinados, resultaram em queda de 5,8% na produção de vestuário no Brasil e de 8,3% em São Paulo no período analisado.
Concluindo, o incentivo do crédito presumido de ICMS foi e tem sido fundamental para recuperar a competitividade do setor têxtil paulista frente à Guerra Fiscal entre estados. Esse mecanismo permitiu maior equidade tributária em relação a outros estados, resultando na retomada do crescimento do faturamento do PIB setorial e do emprego em São Paulo após 2017.
A descontinuidade de incentivo representa risco imediato de perda de competitividade, podendo comprometer a manutenção do setor no estado. Portanto, a manutenção de política de incentivo é considerada essencial para preservar a produção, o emprego e a participação paulista no setor têxtil nacional.