CALÇADOS - 101ª EDIÇÃO MICAM MILANO 2026

worldfashion • 25/02/26, 17:03

A feira que ocorreu entre os dias 22 e 24 de fevereiro, em Milão, na Itália, teve a participação de 71 marcas verde-amarelas, que abriram 448 novos contatos durante os três dias.

No evento, as calçadistas comercializaram, in loco, 273 mil pares, que geraram mais de US$ 8,4 milhões. Somando as expectativas em negócios que ficaram alinhavados na feira, o número salta para 1 milhão de pares e US$ 20,4 milhões.

A coordenadora de Negócios da Abicalçados, Paola Pontin, destaca que esta edição da Micam Milano foi marcada pela diversidade de países que circularam pelos corredores do evento.

“Tivemos resultados muito positivos, apesar dos desafios globais enfrentados pelo setor e da redução de compradores do Oriente Médio, já que a feira coincidiu com o período do Ramadã. Após o evento, percebemos que os negócios reportados pelas empresas, inclusive, superaram os números da edição de inverno da Micam do ano passado. Dessa forma, a feira demonstra que o grupo brasileiro conseguiu manter mercados e estabelecer novos contatos, o que é fundamental em um evento como esse”, comenta Paola.

“Positiva em vários sentidos.” Essa é a avaliação da feira feita pelo gerente de exportação da Opananken Antitensor (Franca/SP), Leandro Moscardini, ao citar que a mudança de localização no evento possibilitou a abertura de novos contatos durante os três dias.

“Tivemos cinco pedidos fechados durante a Micam, inclusive uma compradora já fez o pedido para duas estações. A maioria dos clientes que estiveram no nosso estande comentaram que sempre visitam a Micam e não conheciam a empresa. Essa nova posição possibilitou vários contatos em mercados como Austrália, Estados Unidos, Japão, Índia, Coreia, Estônia, China, Taiwan, Kuwait, Ilhas Maurício e Singapura”, fala Moscardini, ao ressaltar que em pelo menos seis desses países eles ainda não atuavam.

Já confirmados para a edição de setembro, o gerente de exportação destaca, ainda, a sinalização positiva que foi sentida diante da redução da tarifa para os Estados Unidos.

“Dois clientes que não estavam mais comprando com a taxação nos visitaram e estão voltando agora que teve a diminuição.”

Brasil é destaque na passarela

Essa edição da Micam Milano teve desfiles de moda nos dois primeiros dias do evento. E o Brasil, que é a segunda maior delegação internacional da feira, brilhou na passarela. Afinal, 17 marcas verde-amarelas tiveram calçados selecionados para esta que é uma das ações mais esperadas da mostra: Andacco, Arezzo, Camminare, Carrano, Dinasty, JotaPe, Lightgel, Luiza Barcelos, Madeira Brasil, Melissa, Piccadilly, Ramarim, Santa Lolla, Schutz, Variettá, Vizzano e Werner.

Selecionada para o desfile, a marca Dinasty da Calçados Sandra (Nova Hartz/RS) participou pela primeira vez da feira nesta edição. O diretor comercial da empresa, Fábio Emílio Hartz, comenta que esse movimento representa uma retomada de mercados para a calçadista, que já trabalhou a exportação muito forte no passado e agora está com um projeto estratégico de expansão.

“Ficamos contentes em ver o nosso calçado no desfile. E aqui na Micam conseguimos iniciar esse processo ao encontrar e iniciar um contato com potenciais clientes no Oriente Médio, Ásia, África, Europa e América Latina. Tivemos dois pedidos fechados nestes dias e essa presença é importante para mostrar ao mercado a qualidade de produção e de design da fábrica.” A ideia é voltar para a edição de setembro para dar continuidade ao trabalho já iniciado” completou Fábio Emílio Hartz

Presente há vários anos na feira, a Santa Lolla (Itajaí/SC) também está voltando para o Brasil feliz com os resultados do evento. A gerente de exportação da empresa, Haide Sehen, destaca o movimento dos dois primeiros dias.

“Nos surpreendemos com o fluxo de visitantes para uma edição de inverno. Todos os clientes se encantaram com a coleção, em que trouxemos características do Brasil, com o trabalho artesanal dos trançados e cores vibrantes. A tendência é abrir novos mercados a partir dos contatos realizados, além da manutenção de clientes”, diz, ao lembrar que seis sapatos da Santa Lolla brilharam nas passarelas da feira. “Essa seleção também foi muito gratificante porque traz mais visibilidade para a marca.” disse Haide Sehen

A 101ª edição da Micam Milano teve a participação, com o apoio do Brazilian Footwear, das marcas Actvitta, Adrun, Anatomic Prime, Anatomic Shoes, Andacco, Archetti, Arezzo, Azillê, Beira Rio, Bibi, Bonton Leather Care, BR Sport, Camminare, Capelli Rossi, Carrano, Cartago, Cecconello, Comfortflex, Cristófoli, Degalls, Democrata, Dinasty, Ferracini, Grendene, Grendha, Guilhermina, Ipanema, Itapuã, Jorge Bischoff, Jotape, Killana, Levecomfort, Leveterapia, LigthGel, Loucos &  Santos, Luiza Barcelos, Luz da Lua, Madeira Brasil, Melissa, Mini Melissa, Modare Ultraconforto, Moema, Moleca, Molekinha, Molekinho, New Face, Opananken Antitensor, Pegada, Petite Jolie, Piccadilly, Quiz, Ramarim, Renata Mello, Rider, Santa Lolla, Santinelli, Savelli, Schutz, Suzana Santos, Usaflex, Valentina, Variettá, Verofatto, Vicenza, Villione, Vinci Shoes, Vizzano, Voices Culture, Werner, Wirth e Zaxy.

Sobre a Abicalçados:

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) é a entidade que representa a indústria nacional, quarta maior produtora de calçados do mundo, a maior do Ocidente. Fundada em 1983, a Abicalçados, sediada em Novo Hamburgo/RS, possui em seu quadro de associados empresas de todos os portes e que respondem por mais de 65% do total de pares produzidos no País. A entidade representa uma indústria que emprega, diretamente, mais de 290 mil pessoas. Sua missão é representar, defender, desenvolver e promover a indústria calçadista brasileira, com respeito, excelência e resultados. Saiba mais: abicalcados.com.br.

Sobre Brazilian Footwear:

O Brazilian Footwear é um programa de incentivo às exportações desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a ApexBrasil. Este programa tem como objetivo aumentar a presença da indústria brasileira e de suas marcas no mercado internacional por meio de ações de desenvolvimento, promoção comercial e de imagem. Atualmente, cerca de 300 empresas são atendidas pelo Programa, que no último ano gerou US$ 128,3 milhões para as empresas brasileiras apoiadas pelo Brazilian Footwear. A participação é gratuita e os interessados devem entrar em contato com a Abicalçados.   Conheça: brazilianfootwear.com.br | abicalcados.com.br/brazilian-footwear.

Sobre a ApexBrasil:

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do País.

da redação com informações do assessor de imprensa Diego Rosinha

Brasil Fashion Designers - edição de São Paulo

worldfashion • 24/02/26, 15:41

Nesta edição, o concurso é voltado a estudantes regularmente matriculados e egressos (com até dois anos de formação) dos cursos técnicos e superiores de moda e vestuário da cidade de São Paulo, reforçando o papel da capital do estado, como um importante pólo de criação, inovação e formação profissional de moda.

Os participantes foram desafiados a desenvolver coleções inéditas compostas por dois looks completos, destinados ao inverno 2026, a partir do tema “Na Batida do Funk e na Rimada do Rap”, que propõe um diálogo entre moda, música urbana brasileira, identidade cultural e expressão contemporânea. As criações podiam ser femininas, masculinas ou mistas e seguindo critérios, que vedam o uso de materiais perecíveis, peles ou matérias-primas de origem animal.

A edição Cidade de São Paulo 2026 dá continuidade ao histórico do concurso no estado. Em 2025, o Brasil Fashion Designers realizou uma edição especial que homenageou Vivi Haydu, referência da moda brasileira, celebrando sua trajetória e contribuição para o fortalecimento da criação independente no país.

Realizado pelo Febratex Group, o Brasil Fashion Designers tem como missão aproximar novos designers da indústria têxtil, estimulando a criatividade, a inovação e a inserção profissional de talentos em formação.


“O Brasil Fashion Designers é um projeto que conecta educação, criatividade e indústria. Ao realizar mais uma edição em São Paulo, reforçamos a importância da cidade como território estratégico para o desenvolvimento da moda”, destaca Ricardo Gomes, gerente de projetos especiais do Febratex Group.

Para Helvio Júnior, diretor de comunicação do Febratex Group, o concurso cumpre um papel estratégico na conexão entre criação e mercado.


“O Brasil Fashion Designers é uma vitrine para novos talentos e um elo direto com a indústria. Ao integrar o concurso à programação da FebraTêxtil 2026, ampliamos oportunidades reais de visibilidade, aprendizado e inserção profissional para jovens designers, fortalecendo a moda brasileira desde a sua base formativa”, afirma.

O processo seletivo do concurso é realizado em cinco etapas, que incluiem a pré-inscrição, com o envio de projetos com croquis e memorial descritivo, a seleção técnica dos finalistas, a confecção das peças e o desfile final.

Além do desfile no dia 5 de maio, os looks finalistas também ficarão expostos nos dias 6 e 7 de maio de 2026, durante a programação da FebraTêxtil, ampliando a visibilidade dos trabalhos, onde o “Júri Popular” constituído pelos expositores e visitantes da feira entre eles: indústrias, compradores, profissionais e formadores de opinião do setor, depositarão as suas notas.

Durante o desfile, serão escolhidos o 1º, 2º e 3º colocados, além do Prêmio Excelência. O vencedor receberá como premiação um convite para desfilar na Expotextil Perú 2026, em Lima, com despesas de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte custeadas pela organização. Já o vencedor do Júri Popular será contemplado com uma máquina de costura reta. Todos os finalistas recebem certificado de participação.

Os Selecionados – Brasil Fashion Designers | Cidade de São Paulo 2026

ALMEIDA SANTANA – 19 anos

UNIP - SÃO PAULO – SP

ASHLEY MARCELLE – 18 anos

BELAS ARTES - SÃO PAULO – SP

DOUGLAS FERRER – 27 anos

SENAI - SÃO PAULO – SP

ISRAINY LIMA DOS SANTOS – 22 anos

BELAS ARTES - SÃO PAULO – SP

IVYE VIDAL – 18 anos

USP - SÃO PAULO – SP

JOCKS REIS – 20 anos

FAAP - SÃO PAULO – SP

MAURICIO MAZZON – 27 anos

USP - SÃO PAULO – SP

NARA PAIDOSZ – 18 anos

BELAS ARTES - SÃO PAULO – SP

THAISA CHAVES – 31 anos

BELAS ARTES - SÃO PAULO – SP

VITÓRIA AMARAL – 21 anos

FAAP - SÃO PAULO – SP

Serviço

Brasil Fashion Designers – Cidade de São Paulo 2026

Onde: FebraTêxtil | Expo Center Norte – São Paulo (SP)

Quando: Desfile em 5 de maio de 2026

Exposição dos looks: 6 e 7 de maio de 2026

da redação com informação da P.A. Comunicação 360

ARTIGO - Fim do hype: por que o varejo entrou na “era da execução”?

worldfashion • 19/02/26, 11:48

Por Tailan Oliveira*

Durante anos, as conferências de varejo pareciam roteiros de ficção científica. Nesses encontros, falava-se de robôs, metaverso e até mesmo entregas por drones. Entretanto, a NRF 2026 consolidou uma virada de chave silenciosa, mas de alto impacto: o hype morreu. Como destacou David Lawrence na abertura do evento: “Se não funcionou, aprendemos. Mas, ficar parado não era uma opção”.

Podemos afirmar que entramos oficialmente na era da execução. E, nesse novo cenário que se consolida, três pilares surgem como divisores de águas entre as empresas do setor que apenas sobrevivem e as que lideram.

São eles:

#1 A IA saiu da vitrine. Se em 2025 a Inteligência Artificial era uma promessa abstrata, em 2026 é algo puramente pragmático. O mercado não se interessa mais em saber o que a IA pode fazer, mas o que ela está entregando em casos reais de uso, como: otimização logística, redução drástica de rupturas de estoque e, principalmente, a IA Conversacional. Com o avanço do protocolo UCP (Universal Commerce Protocol), o consumidor está migrando sua preferência para assistentes inteligentes. Desta forma, se o dado do produto não for legível por uma máquina, a marca poderá deixar de existir para esse novo consumidor.

#2 A Reforma Tributária como catalisadora de eficiência. No Brasil, podemos afirmar que o motor de inovação veio direto de Brasília. A transição para o novo modelo tributário se tornou o teste definitivo para o varejo. Aqueles que ainda operam com dados fragmentados ou sistemas legados, certamente, sofrerão com a complexidade fiscal. Nesse cenário, o software de gestão como, por exemplo, o ERP deixou de ser uma ferramenta de suporte para se tornar o “escudo” para garantir a margem de lucro. Afinal, organizar dados e garantir o compliance em tempo real não se restringe apenas à burocracia, mas trata-se de estratégia competitiva.

#3 Consumo em “K” e a valorização humana. O cenário macroeconômico desenhou uma curva em “K”, na qual, de um lado, há o consumo impulsionado pela valorização de ativos e busca por experiências positivas; do outro, existe a constante luta pela eficiência no varejo. No meio desse fogo cruzado, nosso país tem uma “arma secreta”: o acolhimento. Desta forma, a grande lição para 2026 é que a tecnologia deve ser “invisível” para servir e empoderar o humano. Na prática, a IA deve dar munição para que o vendedor conheça o cliente tão bem quanto o algoritmo, mas com a personalização que só o atendimento presencial oferece.

Em 2026, o varejo deve ser pautado em dados com propósito. Ou seja, não basta digitalizar as operações em nuvem; é necessário ser autônomo. Da mesma forma, não basta apenas ter IA; é preciso ter margem. Até porque, na prática, o sucesso pertence às empresas que já entenderam que a inovação tecnológica só tem sentido quando traduzida em eficiência operacional e conexão humana real.

Como sinalizado por Lawrence, o hype acabou. Essa afirmação ganha ainda mais força ao olharmos a projeção do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) de que, até março, o setor tenha uma alta de 6,3% nas vendas no país. Mesmo em meio às sazonalidades, é importante enfatizar que o setor não está buscando mais promessas, mas a execução. Quanto a isso, a pergunta que deve ser feita não é sobre qual tecnologia comprar, mas o quão rápido é possível executá-la para proteger o negócio.

*Tailan Oliveira é CRO da ALFA a única consultoria SAP com expertise no varejo e que mais cresce no Middle Market nos últimos 6 anos. Com mais de 180 clientes ativos no Brasil e no exterior, uma equipe de 150 especialistas e 38 prêmios de excelência da SAP, a empresa se consolidou como parceira estratégica para organizações em expansão.

da redação com informações da InformaMidia

ARTIGO - Agenda da jornada de trabalho deve caminhar junto com produtividade e competitividade

worldfashion • 19/02/26, 10:22

Por Fernando Valente Pimentel*

O debate sobre a redução da jornada, que voltou à agenda nacional, merece ser tratado com a seriedade e a profundidade que um tema dessa magnitude exige. Trata-se de uma discussão importante que envolve qualidade de vida, saúde e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. No entanto, seus impactos ultrapassam a esfera social, pois alcançam diretamente a produtividade, a competitividade das empresas, a geração de empregos formais e o futuro do desenvolvimento econômico do País.

É importante lembrar que o Brasil não parte de um cenário de cargas horárias excessivamente elevadas. Dados recentes indicam que a jornada média efetivamente trabalhada situa-se pouco acima de 39 horas semanais, enquanto na indústria a média gira em torno de 40,2 horas. Ou seja, já existe, na prática, um nível significativo de acomodação decorrente de negociações coletivas, arranjos setoriais e organização produtiva das empresas.

Essa realidade reforça um ponto central: a diversidade econômica e produtiva brasileira torna inadequadas soluções uniformes e rígidas. Setores com operação contínua, forte sazonalidade ou elevada competição internacional, como a indústria têxtil e de confecção, apresentam dinâmicas distintas de atividades predominantemente administrativas ou de serviços. O mesmo se aplica às diferenças regionais, que refletem realidades econômicas, estruturais e sociais variadas.

Por essa razão, o melhor caminho para eventuais ajustes na jornada de trabalho não é a imposição legal uniforme, mas sim a negociação coletiva e os acordos entre trabalhadores e empregadores. Esse instrumento permite acomodar especificidades setoriais e regionais, preservar empregos e garantir soluções equilibradas entre produtividade, competitividade e bem-estar dos trabalhadores. A experiência brasileira demonstra que, quando há espaço para negociação, surgem soluções criativas e sustentáveis.

Outro aspecto essencial é reconhecer que reduções sustentáveis da jornada de trabalho, observadas em economias avançadas, ocorreram em contextos de aumento de produtividade, modernização tecnológica e reorganização dos processos produtivos. Quando a redução ocorre sem ganhos correspondentes de eficiência, o resultado tende a ser o aumento do custo por unidade produzida, perda de competitividade, informalidade e retração do emprego formal.

Nesse contexto, causa preocupação que propostas de redução da carga semanal de trabalho e extinção do regime 6×1 avancem sem que se inclua, na mesma medida, a discussão sobre a mitigação do “Custo Brasil” e dos encargos que incidem sobre o emprego formal. Os ônus do trabalho no País permanecem elevado quando considerados tributos, encargos sociais, energia e custos logísticos e do capital. Alterações que elevem o valor unitário da produção sem enfrentar esses fatores estruturais tendem a penalizar a indústria, estimular a informalidade e ampliar a substituição por importados.

Além disso, uma discussão com impactos estruturais sobre o custo do trabalho, a organização produtiva e a competitividade nacional não deve ser conduzida de maneira açodada, especialmente em períodos eleitorais. Temas dessa relevância exigem análise técnica aprofundada, diálogo amplo com os setores produtivos e avaliação criteriosa de seus efeitos sobre crescimento econômico, inflação, investimento e geração de empregos de qualidade.

O Brasil precisa avançar no seu desenvolvimento e, com isso, proporcionar maior bem-estar à sociedade. Mas, esse avanço, para ser sustentável, deve caminhar junto com produtividade, inovação e competitividade. A negociação coletiva, o respeito às diferenças setoriais e regionais e a construção gradual de soluções efetivas representam o caminho mais seguro para equilibrar esses objetivos.

Tratar esse tema com responsabilidade é garantir que o País avance socialmente sem comprometer sua capacidade de produzir, competir e gerar oportunidades para milhões de brasileiros.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Programa de Trainee 2026

worldfashion • 18/02/26, 11:03

A iniciativa da empresa, TEXNEO, sediada em Indaial (SC), é voltada a jovens profissionais formados entre 2023 e 2025 que desejam iniciar a carreira em um ambiente humano, inovador e orientado ao aprendizado prático.

Com presença consolidada nos segmentos Sportswear, Beachwear, Underwear e Lifewear, a TEXNEO é reconhecida pelo uso de tecnologias próprias e pela qualidade de suas malhas. A companhia combina tradição e modernidade na criação de produtos voltados ao desempenho e ao conforto, acompanhando as principais tendências do mercado têxtil nacional e internacional.

“O Programa de Trainee Texneo foi pensado para pessoas que queiram aprender com responsabilidade, ter acesso direto às lideranças e desenvolver uma visão estratégica do negócio. Não buscamos apenas colocar profissionais no mercado; buscamos formar talentos que cresçam com a Texneo”, afirma o CEO Edmur Polli, executivo com mais de 40 anos de carreira no setor têxtil.

Formação prática e visão de negócio

Com suporte de uma consultoria especializada de São Paulo, Programa de Trainee Texneo inclui rotação por áreas estratégicas, mentoria com líderes e diretores da companhia, participação em projetos reais de impacto e vivência em uma cultura organizacional pautada pela inovação, sustentabilidade e desenvolvimento humano.

O programa é voltado a formados a partir de 2023, com perfil analítico e interesse em operação industrial, nas áreas de Engenharia Química, Engenharia Têxtil, Engenharia de Produção, Engenharia de Qualidade, Moda (com foco em pesquisa, mercado e desenvolvimento de produto com viés industrial), Marketing ou áreas correlatas.

Entre os pré-requisitos estão inglês em nível intermediário ou avançado, habilidade com raciocínio lógico, análise de dados e disponibilidade para atuação presencial na planta industrial de Indaial (SC). As inscrições para o Programa de Trainee 2026 da Texneo já estão abertas e podem ser realizadas por meio do site oficial da empresa.

“A Texneo cresceu muito nos últimos anos, ampliando sua presença global e sua capacidade de inovar — e isso se reflete na nossa maneira de pensar o desenvolvimento de pessoas e a sustentabilidade do negócio. O trainee já chegará aqui para integrar um projeto de futuro”, complementa o executivo.

As inscrições para o Programa de Trainee Texneo estão no site https://lp.texneo.com/programa-trainee

Para formados a partir de 2023, com perfil analítico e interesse em operação industrial, nas áreas de Engenharia Química, Engenharia Têxtil, Engenharia de Produção, Engenharia de Qualidade, Moda (com foco em pesquisa, mercado e desenvolvimento de produto com viés industrial) e Marketing ou áreas correlatas.

Sobre a Texneo - com três décadas de atuação possui certificações que reforçam práticas seguras e sustentáveis em toda a cadeia produtiva, como I-REC e RCS, ABVTEX, OEKO-TEX, Green Fiber e ZDHC, além de figurar por cinco anos consecutivos entre as empresas certificadas pelo Great Place to Work. Inovação, vanguarda e transparência fazem parte do DNA da companhia, que traduz em seus produtos as principais tendências globais do mercado têxtil.

A atuação da empresa é fortemente conectada ao esporte, à tecnologia e ao design funcional. Parcerias recentes com marcas globais reforçam a prioridade do mercado por matérias-primas que aliem inovação, durabilidade e adaptabilidade ao corpo, atendendo tanto às demandas de alta performance quanto ao uso cotidiano.

da redação com informações da Oficina das Palavras

MATÉRIA PRIMA - INCOFIOS

worldfashion • 05/02/26, 16:13

Na base da produção da indústria têxtil o movimento inicial está na fiação, responsável por ditar o ritmo inicial da produção.

A Incofios, com sede em Indaial (SC), tem respondido ao novo comportamento do consumo, por meio de ajustes contínuos nos processos industriais, na gestão de prazos e na organização das plantas produtivas, sempre com atenção rigorosa à padronização e à qualidade dos fios.

A empresa opera com cinco plantas produtivas no Brasil e atua exclusivamente na produção de fios 100% algodão, o que exige controle técnico constante e alto nível de previsibilidade industrial para atender tecelagens e confecções em diferentes regiões do país.


“O mercado têxtil exige hoje uma resposta muito rápida, mas não aceita variação de qualidade. O desafio está justamente em manter a consistência do fio mesmo com prazos cada vez mais apertados”, afirma o diretor Industrial da Incofios, Edson Augusto Schlogl. “Isso passa por planejamento, integração entre áreas e investimento constante em processos”, complementa.

Nos últimos anos, a companhia intensificou o uso de sistemas de gestão industrial, produção enxuta e programas internos de melhoria contínua. Entre as iniciativas adotadas estão o uso de impressoras 3D para desenvolvimento e ajustes de componentes internos, a ampliação do uso de algodão certificado e rastreável e a padronização de processos que reduzem variações ao longo da produção. O objetivo é minimizar gargalos, antecipar demandas e tornar a tomada de decisão mais rápida e precisa dentro do ambiente fabril.

Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla da indústria, na qual o comportamento de consumo passa a influenciar diretamente o chão de fábrica. A busca por prazos menores, séries produtivas mais dinâmicas e menor margem para erro faz com que as fiações assumam um papel cada vez mais estratégico na cadeia têxtil.


“Hoje, não se trata apenas de produzir mais rápido, mas de produzir de forma previsível. A indústria precisa entregar exatamente o que foi especificado, no tempo combinado, porque toda a cadeia está mais ajustada e com menos margem para retrabalho”, finaliza Schlogl.

A qualidade dos fios, desde a escolha da matéria-prima até o processo de fiação, impacta diretamente a performance dos tecidos. A Incofios lidera esse processo com inovação, sustentabilidade e alto padrão técnico.

Quando se trata de qualidade têxtil, os fios desempenham um papel fundamental, embora muitas vezes sejam invisíveis aos olhos do consumidor final. Eles são essenciais para a resistência, elasticidade e caimento dos tecidos, impactando diretamente a durabilidade e o conforto dos produtos. Por isso, a escolha da matéria-prima e do fornecedor é fundamental nesse processo.

Segundo a Technavio, empresa especializada em pesquisas de mercado, a cadeia global de tecidos sustentáveis deve crescer em torno de 8,6% ao ano entre 2024 e 2029, impulsionado pelo aumento da demanda por produtos eco friendly e pela maior conscientização sobre impactos ambientais na indústria têxtil.

Diferenças entre fios

Fios de algodão, lã, poliéster, nylon e outras fibras naturais ou sintéticas têm características distintas que afetam diretamente o desempenho do tecido. O algodão, por exemplo, é amplamente reconhecido por sua maciez, respirabilidade e durabilidade, sendo ideal para produtos que exigem conforto e frescor, como camisetas, vestidos, jeans, peças infantis e até itens domésticos, como roupas de cama e toalhas. Já os fios sintéticos, como o poliéster, são mais indicados para tecidos que necessitam de elasticidade e resistência, características essenciais em produtos como roupas de alto desempenho e tecidos com grande flexibilidade, como moda fitness ou praia. A escolha do fio adequado é, portanto, essencial para garantir que o tecido atenda às especificações de cada aplicação.

Além da escolha da matéria-prima, o processo de fiação também é determinante para a qualidade do produto final. Cuidados técnicos, como o controle da temperatura, da umidade e o alinhamento das fibras, são essenciais para garantir que o material final seja forte e uniforme, como explica o Gerente Industrial da Incofios, Daniel Bodnar. “A qualidade do fio é o que garante a performance do tecido, mas investir em um processo de fiação rigoroso é investir em durabilidade, resistência e em um acabamento superior”, garante.

A Incofios, que é especializada em fios 100% algodão, tem como compromisso a produção de fios que garantem a performance superior do tecido. Por isso, a empresa adota um controle de qualidade rigoroso, assegurando que seus fios atendam aos mais exigentes padrões. Além disso, também investe continuamente em tecnologias avançadas e em práticas sustentáveis para aprimorar seu processo de fiação. Isso garante que seus fios não apenas atendam às necessidades do mercado, mas também superem as expectativas dos clientes em termos de durabilidade, acabamento e conforto. A empresa também faz uso de algodão certificado, através dos programas SouABR e Better Cotton Initiative (BCI), alinhando suas práticas à sustentabilidade e às melhores práticas ambientais.

“A Incofios se posiciona como referência no setor têxtil, fornecendo fios que são fundamentais na fabricação de tecidos utilizados em diversos segmentos, como moda, cama, mesa e banho e aplicações industriais”, destaca Bodnar. .

“O algodão continua sendo uma das principais matérias-primas da indústria têxtil, e sua qualidade está intimamente relacionada às características da fibra utilizada na produção dos fios. Entre os diversos fatores que afetam o desempenho e a durabilidade dos produtos finais, o comprimento da fibra é um elemento essencial para garantir resistência, uniformidade e eficiência no processo produtivo”. afirma Lais Bergo Amaral - Supervisora de Qualidade da Incofios

No setor têxtil, as fibras de algodão mais longas resultam em fios mais homogêneos, com menor propensão a rompimentos e menor formação de pilling – fatores que, sem dúvida, impactam diretamente a qualidade dos tecidos. O comprimento da fibra influencia toda a cadeia produtiva. Quanto maior a extensão da fibra, melhor a resistência do fio e, consequentemente, a durabilidade e o toque dos tecidos. Isso é um aspecto fundamental que observamos diariamente na  rotina  de qualidade.

O mercado têxtil classifica as fibras de algodão em três categorias principais, cada uma com aplicações específicas. As fibras curtas, com menos de 21 mm, geralmente resultam do processo de limpeza do algodão em pluma e são utilizadas em produtos mais rústicos, como fios grossos para capas de fardos de algodão, panos de prato e chão, tapetes e até em insumos hospitalares, como algodão hidrófilo, cotonetes, ataduras e esparadrapos. Além disso, essas fibras também têm aplicações na fabricação de celulose, papel, pólvora e tinta automotiva.

As fibras médias, com comprimento entre 21 e 28 mm, são as mais comuns e versáteis. Elas são amplamente empregadas na produção de vestuário, como camisetas e calças, roupas de cama, toalhas e tecidos para decoração. Já as fibras longas, com mais de 28 mm, são altamente valorizadas pela sua resistência e qualidade superior. Elas são essenciais na confecção de tecidos de luxo, como lençóis de fios egípcios, toalhas premium e roupas finas e delicadas, proporcionando não só um toque mais macio, mas também maior durabilidade ao produto final.

Além dos benefícios evidentes relacionados à qualidade do produto final, a escolha de fibras mais longas também influencia a eficiência da produção. O uso de fibras de algodão longas permite uma fiação mais estável, com menor desgaste das máquinas e menos desperdício de matéria-prima. Esse fator impacta diretamente os custos operacionais da indústria e isso pode ser crucial para manter a competitividade e a sustentabilidade do setor.

É importante ressaltar que o comprimento da fibra pode variar de acordo com a variedade do algodão e as condições de cultivo. Fatores como clima, solo e técnicas agrícolas têm um impacto significativo no desenvolvimento da planta e, consequentemente, na extensão das fibras. Por isso, o controle de qualidade e a escolha criteriosa da matéria-prima são essenciais. No caso da Incofios, buscamos a excelência na produção de fios têxteis, e isso só é possível com uma seleção rigorosa das fibras utilizadas.

Para o setor têxtil, investir em algodão de alta qualidade não é apenas uma questão de diferenciação no mercado; é uma necessidade para garantir produtos duráveis e competitivos. Um rigoroso controle de qualidade também é fundamental para assegurar que os fios entreguem não apenas resistência e uniformidade, mas também o desempenho esperado pelas confecções e consumidores finais. A escolha de algodão com fibras longas e uniformes impacta diretamente a eficiência na produção, a satisfação do consumidor e a durabilidade do produto no mercado.

“É essencial para qualquer empresa do setor têxtil compreender como o comprimento da fibra de algodão afeta diretamente a qualidade dos fios e no produto final. Este é um investimento que não só eleva o padrão dos produtos, mas também garante que a indústria continue inovando e se destacando no mercado global”.conclui Lais Bergo Amaral  graduada em Engenheira Têxtil, tem 10 anos de experiência no setor têxtil e atua como supervisora de qualidade da Incofios desde Abril de 2024.

Sobre a Incofios -Fundada em 2001, a Incofios é uma das líderes na produção de fios 100% algodão, com foco na excelência e na inovação. A empresa se destaca por sua capacidade de produzir fios com os mais altos padrões de qualidade, atendendo a diferentes segmentos da indústria têxtil. Com unidades produtivas localizadas em Indaial, Luiz Alves (SC) e Campo Verde (MT), a Incofios alia tecnologia avançada, sustentabilidade e compromisso com o desenvolvimento do setor têxtil, sendo referência em toda a cadeia produtiva de fios.

da redação com informações da Presse Informações

ARTIGO - Geopolítica, tecnologia e a agenda inadiável para o setor têxtil e de confecção brasileiro

worldfashion • 05/02/26, 10:08

Por Fernando Valente Pimentel*

O mundo caminha para 2030 sob uma lógica muito diferente daquela que predominou nas últimas décadas. A globalização, baseada exclusivamente em eficiência e baixo custo, vem sendo substituída por um ambiente marcado por tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e competição tecnológica. Nesse novo cenário, o futuro dos setores produtivos será definido não só por preço fundamentalmente, mas também por resiliência, tecnologia e posicionamento estratégico.

Relatório recente do World Economic Forum aponta que a economia global será moldada pela interação entre geoeconomia — isto é, o impacto da política e da geopolítica sobre o comércio — e tecnologia, com destaque para a digitalização e a inteligência artificial. Não existe um único futuro possível, mas diferentes cenários que variam por país e por setor. Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, essa transformação traz desafios relevantes, mas também uma janela estratégica rara.

Do lado dos desafios, a fragmentação do comércio internacional tende a se intensificar. Barreiras técnicas, exigências ambientais, regras digitais e políticas industriais ganham peso crescente. O setor têxtil e de confecção brasileiro, que já convive com um elevado custo estrutural de produção, enfrenta concorrência de países que operam sob regras trabalhistas, ambientais, previdenciárias e financeiras muito menos exigentes. O problema central não é a competição, mas a falta de isonomia competitiva.

É nesse ponto que se impõe uma agenda doméstica clara. Não haverá competitividade sustentável sem redução efetiva do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios. Isso passa por uma reforma administrativa que aumente a eficiência do Estado, reduza desperdícios e libere recursos para investimento, bem como por uma nova rodada de ajustes na previdência, capaz de garantir previsibilidade fiscal e reduzir pressões estruturais sobre a economia.

A competitividade industrial também exige redução do custo do trabalho formal, hoje excessivamente onerado por encargos e insegurança jurídica. Em um país que precisa gerar empregos de qualidade e combater a informalidade, tornar o trabalho formal mais acessível é condição indispensável para o crescimento sustentado.

Outro vetor crítico é o combate ao comércio ilegal e à concorrência desleal, que distorcem o mercado, destroem empregos e penalizam empresas que cumprem a legislação. A defesa da legalidade e da concorrência justa não é protecionismo, é pré-requisito para um mercado saudável.

Some-se a isso a necessidade de juros em padrão internacional. Taxas de juros reais persistentemente elevadas encarecem investimentos e inibem inovação. Sem um custo de capital compatível com o resto do mundo, falar em produtividade torna-se exercício retórico.

No plano externo, é igualmente fundamental fortalecer os instrumentos de legítima defesa comercial, garantindo que práticas desleais sejam enfrentadas com rapidez e rigor, em linha com as regras internacionais. Defender a indústria nacional de dumping e subsídios ilegais não significa fechar a economia, mas assegurar concorrência equilibrada.

Ao mesmo tempo, a tecnologia deixa de ser opcional. Inteligência artificial, automação e análise de dados já impactam ganhos de produtividade, gestão de estoques, eficiência energética e leitura de demanda. Empresas que não avançarem nessa agenda perderão espaço, inclusive no mercado interno. O maior risco hoje não é errar ao investir em tecnologia, mas não investir.

Há, contudo, uma dimensão positiva nesse novo contexto. A regionalização das cadeias produtivas, o nearshoring, favorece países com mercado interno relevante, base industrial diversificada e capacidade de atender padrões ambientais e sociais mais rigorosos. O Brasil reúne esses atributos.

Além disso, o país dispõe de uma das poucas cadeias têxteis completas do mundo, com produção relevante de fibras naturais, bem como de algumas fibras sintéticas importantes para o setor, o que amplia significativamente o seu potencial de atração de novos investimentos nacionais e internacionais. Essa diversidade confere flexibilidade produtiva, capacidade de inovação e maior aderência às exigências de mercados cada vez mais segmentados e regulados.

A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser apenas discurso reputacional e passa a ser fator econômico concreto. Circularidade, rastreabilidade e descarbonização tornam-se exigências de mercado e critérios de acesso a financiamento. Nesse campo, o setor têxtil brasileiro conta com ativos importantes, como uma cadeia produtiva estruturada e uma das agriculturas de algodão mais sustentáveis do mundo capazes de gerar vantagem competitiva real.

Nesse contexto, a conclusão de acordos comerciais, em especial entre Mercosul e União Europeia, assume papel estratégico. A ampliação do acesso a mercados, com regras claras e previsíveis, fortalece a integração do Brasil às cadeias globais de maior valor agregado e amplia o retorno de investimentos em tecnologia, sustentabilidade e produtividade.

O futuro do setor têxtil e de confecção não está dado. Ele dependerá das escolhas feitas agora. Investir em tecnologia, elevar a produtividade, qualificar pessoas e, sobretudo, avançar em reformas estruturais que reduzam o Custo Brasil e ampliem a inserção internacional do país são condições indispensáveis para que o setor não apenas sobreviva, mas se fortaleça.

Num mundo mais fragmentado e tecnológico, a indústria têxtil e de confecção brasileira tem, se tiver os elementos adequados e um ambiente concorrencial isonômico, plena condição se consolidar como um ativo ainda mais estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país.

*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

33ª edição INSPIRAMAIS - THE TURNING POINT

worldfashion • 04/02/26, 17:17

Os materiais lançados desta edição norteiaram a pesquisa  e seguiram a metodologia da Pirâmide, que levam em consideração os insights de que os 10% (laboratório de inovação e topo da pirâmide), 30% (materiais em desenvolvimento no meio da pirâmide) e 60% (produtos já aprovados pelo mercado e base da pirâmide).

Na pesquisa The Turning Point os 10%, tem como referência a obra “Ponto de Mutação”, escrita por Fritjof Capra em 1981. Segundo Rodrigues, “vivemos tempos muito semelhantes aos vividos na década de 1980, com um mundo mais fechado, protecionismo crescente, tarifas extras e polarização”. A obra referenciada traz a necessidade de um ponto de mutação sob uma perspectiva ecológica e feminina. Dentro do contexto, a pesquisa aponta que passamos de uma Modernidade Líquida, conceito popularizado por Bauman no qual tudo era líquido e fluído, para uma Modernidade Gasosa, em que as coisas já não apenas fluem, mas “evaporam no ar”, dando a ideia de volatilidade e velocidade.

Partindo desse ponto, a The Turning Point trouxe três temas.

O primeiro deles é o “Gasoso Holístico”, que com um ponto de vista feminino aponta o design como meio de contemplação, regeneração e afeto com tecnologia. A moda, aqui, é auxiliada pelas tecnologias de Inteligência Artificial (IA). Neste tema, predominam materiais com transparências, tules, nylons, volumes e misturas.

Já o tema “Gasoso Biológico” é influenciado pelo ancestral digital, com texturas orgânicas, muitas camadas, aspectos celulares (de plasma), aspectos gelatinosos, amorfismo e futurismo, tudo também com o auxílio da IA. Já os materiais de destaque são biopolímeros, nanoceluloses e tecidos desenvolvidos com cultura de bactérias.

O terceiro tema é “Ruptura”, que reforça a necessidade de romper com os padrões, com as formas conservadoras, visando a recuperação da individualidade perdida em meio a um mundo homogêneo e permeado de repetições. Para as criações de materiais, as influências predominantes são as construções tridimensionais, com dobras abruptas, sobreposições e fragmentações, colocando o corpo como base para a criação de novas geometrias.

A cartela de cores da The Turning Point trouxeram como cores principais o violeta ice, o amarelo e o acqua.


BIOMA AMAZÔNICO

O projeto Iconografia Local Bioma Amazônico, lançado na COP30, em novembro passado, foi apresentado pelo Walter Rodrigues na companhia do designer de moda Leandro Castro, que desfilou o projeto nas passarelas do São Paulo Fashion Week (SPFW).

A iniciativa, realizada nos territórios de Santarém, distrito de Alter do Chão, Belterra e Mojuí dos Campos, desenvolveu uma pesquisa territorial aprofundada com foco na identidade local. A investigação contemplou elementos como agricultura familiar, turismo, artesanato, gastronomia, música, madeira, castanhas, pesca (pirarucu), óleos essenciais, ciência/medicina natural, biomateriais, entre outros aspectos da cultura local. A partir dos insumos criativos da pesquisa, a Assintecal auxiliou 19 empreendimentos locais no desenvolvimento de produtos e serviços com identidade territorial, valorizando e estimulando a bioeconomia local.

Segundo Rodrigues, a pesquisa serviu como base para desenvolvimento de coleções inovadoras. No total, foram desenvolvidos mais de 80 novos materiais e soluções das empresas Amazoniere, Amélias da Amazônia, Biojoias Natureza Viva, Chácara Nova Esperança, Casa do Eltom, Coomflona – Cooperativa Mista da Flona Tapajós, Cuias Aíra – Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan), Deveras Amazônia, Escola Indígena Borari Antônio de Sousa Pedroso, Etno Confecções Borari – Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, H Móveis Madeira, Quintal Produtivo Belt Bom, Loja Zagaia, Mestre Jefferson Paiva, Nunghara Biojoias, Pousada do Mingote, Quilombo de Murumurutuba – Rafro Modas, Quilombo de Murumurutuba – Azearte, Trançados do Arapiuns e Viveiro Floresta Ardosa.

SPOILER DA PESQUISA DO PRÓXIMO LANÇAMENTO

Foi apresentado pelo Walter Rodrigues em companhia de Marnei Carminatti, coordenador do Preview do Couro do Salão,  a apresentação da pesquisa “Essência”, que guiará os materiais que serão lançados na próxima edição do INSPIRAMAIS, nos dias 7 e 8 de julho, em São Paulo/SP.

O ponto de partida da pesquisa foi repensar o conceito de luxo, cada vez mais ameaçado pela competição baseada em preços. Segundo Rodrigues, existe um descolamento entre preço e valor percebido, gerando questionamentos por parte dos consumidores. “Isso obriga as grandes marcas a ressignificar a palavra e justificar a sua existência”, ressalta. Com isso, aparece a “essência” como uma retórica inegável. É preciso resgatar a importância do luxo como aspecto de raridade, herança histórica e autoridade cultural.

O primeiro tema da pesquisa é o “Purismo”, que valoriza o silêncio, a pausa em meio ao excesso e a ancestralidade, em um “retorno ao essencial”. Entre os materiais, aparecem com destaque os acetinados, os couros limpos, os laços, as peles exóticas e a impressão sobre couro vacum, sempre com aspectos que remetem à leveza, à alta costura, ao classicismo e à delicadeza. “Aparece muito forte também a camurça, trazendo o seu toque suave, o brilho delicado, os metalizados e o croco”, acrescenta Rodrigues.

O segundo tema é o “Popismo”, que celebra o “excesso com intenção”. “É o luxo que se afirma no exagero, na intensidade da cor e na força das estampas”, informa o criativo, destacando que os materiais desenvolvidos são inspirados no barroco e na cultura pop, com muita sinuosidade, teatralidade e estímulo sensorial.

“Se o purismo valoriza a pausa, o popismo reivindica a intensidade. É capital cultural em ebulição, uma mistura de referências que resgata arquivos, cria abundância e ludicidade”, acrescenta.

Entre as referências, aparecem o estampismo com flores, referências à natureza e cores mais intensas.

A cartela de cores será composta, principalmente, por tons de cobre, vermelho e verde.

O salão  INSPIRAMAIS é uma uma realização da Assintecal em parceria com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel). A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional. O apoio institucional é da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul (Senai/RS). A parceria institucional é da da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

CONCURSO - Brasil Fashion Designers 2026

worldfashion • 01/02/26, 16:24

Nesta edição, o concurso reuniu estudantes regularmente matriculados e egressos (com até dois anos de formação) dos cursos técnicos e superiores de moda e vestuário de Pernambuco, evidenciando a força criativa da produção autoral nordestina e reforçando o papel da região como polo de criação, inovação e identidade no setor têxtil.

Os participantes foram desafiados a desenvolver coleções inéditas compostas por três looks completos, voltadas para o Inverno 2026, a partir do tema “O choro da Bossa Nova embala a MPB”, que propõe um diálogo entre moda, música brasileira e identidade cultural. As criações podem ser femininas, masculinas ou mistas, respeitando critérios de sustentabilidade e sem o uso de materiais perecíveis, peles ou matérias-primas de origem animal.

O processo seletivo do concurso é realizado em cinco etapas, incluindo pré-inscrição, envio de projetos com croquis, seleção técnica, confecção das peças com matérias-primas fornecidas pela organização e desfile final.

A apresentação final do concurso será um desfile, que acontecerá no dia 14 de abril de 2026, no Polo Caruaru, reunindo estes novos talentos/designer de moda.

Após o desfile no dia 14 de abril, os looks finalistas ficarão expostos nos dias 15 a 17 de abril de 2026, durante a programação da AGRESTE TEX, para votação dos visitantes da feira.

Realizado pelo Febratex Group, o Brasil Fashion Designers tem como missão aproximar designers da moda nacional da indústria têxtil, valorizando inovação, identidade, além de criar oportunidades concretas de visibilidade e inserção profissional.

“O Brasil Fashion Designers é um projeto que conecta criatividade, indústria e mercado. Ao realizarmos mais uma edição em Pernambuco, reforçamos o protagonismo do Nordeste como território criativo e estratégico para a moda brasileira”, destaca Ricardo Gomes, gerente de projetos especiais da FCEM.

A escolha de Pernambuco como palco desta edição reforça o protagonismo do Nordeste como um dos principais pólos criativos do país. Com forte ligação com a cadeia produtiva da moda, o Agreste Pernambucano se consolida como território estratégico para o setor, reunindo tradição produtiva, diversidade estética e capacidade de inovação.

Em 2024, o concurso já havia realizado uma edição no estado, fortalecendo essa conexão e evidenciando o potencial criativo local.

Finalistas – Brasil Fashion Designers | AGRESTE TEX 2026

•Ally Czar, 29 anos — Senai (Paulista) Recife – PE

•Ana Carina Brito, 48 anos — Senai (Recife) Recife – PE

•Camyle Nogueira, 21 anos — Senai (Caruaru) Toritama – PE

•Clara Albuquerque, 20 anos — Senac (Recife) Jaboatão dos Guararapes – PE

•Erika Rayssa, 27 anos — Senai (Paulista) Paulista – PE

•Flávia Banastor, 38 anos — Senac (Recife) Recife – PE

•Jards Felipe, 28 anos — Senai (Paulista) Abreu e Lima – PE

•Ka Helena, 21 anos — Senac (Recife)

Olinda – PE

•Michelly Demézio, 24 anos — Senac (Recife) Nazaré da Mata – PE

•Thayna Willyane, 23 anos — Senai (Caruaru) Caruaru – PE

Durante o desfile, serão escolhidos o 1º, 2º e 3º lugares, além do Prêmio Excelência. O vencedor do 1º lugar receberá como premiação um convite para desfilar na Expotextil Perú 2026, em Lima, com despesas de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte custeadas pela organização. Já o vencedor do Júri Popular será contemplado com uma máquina de costura reta. Todos os finalistas receberão certificado de participação.

Sobre a AGRESTE TEX 2026

Em sua 8ª edição, a AGRESTE TEX acontece de 14 a 17 de abril de 2026, no Polo Caruaru (PE). Consolidada como a principal feira têxtil e de confecção do Agreste Pernambucano, o evento reúne expositores, marcas, fornecedores e profissionais do setor, com foco em inovação, negócios e no fortalecimento da cadeia produtiva da moda no Nordeste.

Serviço

O quê: Brasil Fashion Designers – AGRESTE TEX 2026

Onde: AGRESTE TEX | Polo Caruaru – Caruaru (PE)

Quando: 14 de abril de 2026