MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
worldfashion • 01/10/26, 10:13Levantamentos da Abit e da BCG dimensionam o problema; indústrias brasileiras já registram reduções de até 95% em etapas críticas da produção com o uso de tecnologia.
O desperdício têxtil movimenta uma conta que poucas empresas conseguem visualizar no dia a dia. Um levantamento da consultoria Boston Consulting Group aponta que o setor perde globalmente mais de US$ 150 bilhões por ano em matérias-primas descartadas, um volume que cresce junto com a produção de roupas.
No Brasil, o cenário ajuda a explicar por que essa perda deixou de ser um detalhe operacional para entrar na pauta estratégica das indústrias. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), o país reúne 25,3 mil empresas têxteis e de confecção com mais de cinco funcionários, que juntas produzem cerca de 2 milhões de toneladas de têxteis e 8 bilhões de peças por ano. Em um mercado desse tamanho, cada ponto percentual de perda em teste, revisão ou embalagem se multiplica rapidamente em toneladas de matéria-prima, água e energia jogadas fora.
Uma outra pesquisa da Abit mostra que 74% dos empresários do setor pretendem investir em maquinário e equipamentos, enquanto 55% vão direcionar recursos para tecnologia e automação. Ainda de acordo com a entidade, o desperdício de matéria-prima, os erros de corte e a baixa rastreabilidade foram apontados como os principais riscos da etapa de produção, com impacto direto no custo dos produtos e na sustentabilidade da cadeia.
É nessas etapas de testes laboratoriais, relaxamento de malha, revisão e embalagem, que fabricantes de máquinas têxteis como a Delta, indústria catarinense de Pomerode, vêm acompanhando o resultado diário da adoção de tecnologias por clientes brasileiros. Entre os dados registrados pela empresa estão reduções de até 95% no tempo de testes laboratoriais, 99% no tempo de relaxamento de malha e 80% no tempo operacional de embalagem, além de quedas expressivas no consumo de água, energia e matéria-prima nas etapas automatizadas, guiadas por dados.
Para Fábio Kreutzfeld, CEO da corporação, o desperdício raramente é uma questão de volume de produção.
“Na maioria dos casos que acompanhamos, a perda não está na quantidade que a fábrica produz, mas na falta de controle sobre variáveis como temperatura, tempo de processo e uniformidade. Quando esses pontos passam a ser medidos e automatizados, a indústria não só reduz desperdício, como também ganha previsibilidade para competir”, afirma.
Um exemplo prático ajuda a dimensionar esse tipo de perda, que costuma passar despercebida na rotina da fábrica. Uma linha de sublimação que produz 20 mil metros de tecido por mês e perde 3% por variação térmica no processo descarta 600 metros neste período. São 7,2 mil metros ao final de um ano, sem contar energia, tinta e outros insumos consumidos sem retorno.
“Esse tipo de perda raramente está ligado ao volume que a fábrica produz, mas à instabilidade térmica de um equipamento como a calandra, que compromete a uniformidade do processo. Quando essa variável passa a ser medida e controlada automaticamente, a perda que parecia pequena no dia a dia some da conta no fim do ano“, explica Fábio.
Contas como essa ajudam a explicar por que empresários da indústria têxtil pretendem investir em maquinário. A decisão de compra deixou de ser guiada só pela velocidade da máquina e passou a considerar sua capacidade de mostrar, em tempo real, onde a matéria-prima está sendo perdida. Para uma indústria pressionada por custo e concorrência, saber disso durante o processo, e não apenas no balanço de fim de ano, é o que separa quem reduz desperdício de quem só descobre o tamanho dele tarde demais.
Sobre a Delta Máquinas Têxteis
Fundada em 2007, em Pomerode (SC), a Delta Máquinas Têxteis é referência em tecnologia para otimização da produção industrial têxtil, através do desenvolvimento de máquinas, equipamentos e softwares. São mais de 60 produtos em seu portfólio, aplicados aos processos de tecelagem plana, malharia circular, estamparia digital, beneficiamento e confecção. A Delta desenvolve, ainda, projetos de automação customizados, de acordo com a necessidade de cada cliente. Com foco na indústria 4.0 têxtil e confecção 4.0, alinha automação, gestão de dados e padronização de processos inteligentes. Suas soluções já estão presentes em toda a América, com mais de 300 clientes atendidos.
da redação com informações da Trevo Comunicação
- publicado em: INDÚSTRIA, INOVAÇÃO, MAQUINAS E EQUIPAMENTOS, TECNOLOGIA –